sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Sou Otimista, mas que Momento!

     Desfazer quaisquer mal entendidos é por si só uma impossibilidade, pelo simples motivo que consenso é apenas uma palavra e não um fato, na real o que ocorre é que inserido em uma determinada situação acomodam-se as opiniões sempre subordinadas à lei do mais forte, caso esteja, pelo menos aparentemente, protegido do acesso de outros ao ambiente onde me manifesto tendo a defender com mais veemência e facilidade minhas teses.

     Consequência primeira do exposto acima são os diálogos antagônicos extremados nas redes sociais, onde vender uma imagem de si próprio é o mais importante, a ausência de qualquer contato sensitivo entre os participantes permite interagir em ambientes disjuntos onde o fake de si mesmo fica com a sua imaginária personalidade fortalecida, o que é estampado em nós na mistura confusa de personalidades a construída durante a existência e a construída para existir nas redes sociais.

     Bom eu vou admitir não pré-julgar o nascimento deste homem miscigenado em seus mecanismos de pensar, por um lado pela influência dos anos da civilização tão bem administrado pelo seu principal instrumento de poder, o familiar, por outro aspecto este espírito das maiorias globais medíocres estabelecidas pela total conectividade da sociedade moderna, o futuro dirá quem é este ser que aí estamos vendo, porém não posso ignorar o momento social vivido que é de enorme desesperança entre a grande maioria dos homens.

     Então se meus textos parecem pessimistas saibam que sempre me coloquei e quem me conhece um pouco também me coloca, entre os otimistas, as denúncias contra as estruturas de poder estabelecidas em todos os níveis desde o núcleo familiar até os grandes organismos oficiais de controle social, a estes em seu conjunto denominamos democracia e é desde há muito tempo um jogo de cartas marcadas, apenas refletem o mau momento vivido pela humanidade o que no meu viés otimista nada mais é do que um pré-anuncio da mudança.

     Não é novidade para ninguém a crise ser o pré-anuncio de mudanças, admito que frente a estas exista vários mecanismos de contorno para sua sobrevivência, mas pessoalmente estou convencido do esgotamento destes aparatos, é o que vejo na anemia social reinante que nada mais é do que fotografia da morte do sistema, bom então é por aí que entra meu otimismo um sistema deposto representa um novo sistema reinando no qual coloco todas minhas fichas em uma sociedade melhor e viva o novo homem e a nova humanidade.


     Por certo temos que aumentar o numero dos evangelizadores da resistência, trazendo em seu bojo a reflexão séria de uma natureza justa onde seus integrantes são plenos em si mesmos e tratam-se como iguais em seu sentido mais amplo do termo que é o das oportunidades entre indivíduos sempre diferentes.        

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sistema Perverso Aumenta Diferença entre Pobres e Ricos.

     Esta crescente e explosiva diferença de concentração de riqueza por alguns poucos ricos em detrimento da enorme maioria de pobres, constatação comprovada por todos os estudos econômicos feitos sobre distribuição de renda, afronta-nos como uma chaga viva da humanidade por sua exposição de crueldade sofisticada ao qual chegou o exercício do poder nestes nossos tempos de dito avanço civilizatório.

     O roteiro e direção desta ficção onde se combate à existência do homem espalhando morte em vida nem mais tem autoria, tornaram-se entidades autossuficientes, hoje quem pensa que articula, inova e comanda em verdade é apenas um degrau a mais na hierarquia dos submissos, uma cadeia de acorrentados a mercê das garras do poder, esta força físico moral, entidade perversa e cria do imaginário da humanidade.

     A hipocrisia dos conceitos sobre liberdade seguida por inescrupulosos defensores de causas próprias a justificar a exploração do outro como recompensa justa por um mérito discutível, nada mais é do que a versão moderna da lei do mais forte, onde abençoado pelos deuses e justificado na lei é todo o ato do vencedor independente da trapaça utilizada na disputa, a própria desonestidade é considerada talento de vitoriosos.

     A dita e enaltecida razão nada mais é na prática do que um conjunto de argumentos lógicos, matemática pura com suas induções e deduções usadas como arma de imposição de vontade, muito mais uma habilidade do que um espelho da realidade que utiliza de maneira contumaz evidências não provadas como instrumento de submissão do oponente, enquanto a verdade é de fato experiência de vida que hoje se expressa por uma interminável batalha de dominação e submissão.

     O perverso no sistema como um todo é o tamanho e quantidade de inverdades e as consequências psíquicas que elas geram em toda a população mundial, somos uma sociedade extremamente doente estando permanentemente afastados do prazer e da felicidade os poucos e fugazes momentos que nos aproximamos destes só tendem pelo que são de fugidios e frustrantes em ampliar nossa enfermidade.


     Urge resistirmos a este sistema via desobediência civil como caminho que nos resta para fugir da mesmice ao qual o sistema nos condena e encontrarmos a justa distribuição do produto global da humanidade o que é por direito de todos os seres humanos independente do papel de cada um no processo de produzi-la, esta sinergia entre os homens, natureza e suas riquezas é a tão sonhada conquista a ser obtida.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O Homem na Proximidade do Caos

     Estamos andando sobre aquele fio de aço, cada vez mais disjuntos dos nossos iguais, a centena de metros de uma realidade para nós incompreensível, a única certeza que temos é a da fragilidade de nosso equilíbrio, conseguimos saber que o fio é resistente, mas de ponto de apoio insuficiente, ao menor deslize desabamos rumo ao desconhecido onde estaremos abraçados ou definitivamente afastados do prazer e da felicidade.

     Faltam-nos as pontes largas do conhecimento de nós mesmos, as trocamos por um fino fio da construção lógica de argumentos, podemos combinar conceitos infinitamente, até delegarmos a cérebros eletrônicos o ato de fazê-los, chegaremos a verdades matemáticas nunca ao entendimento do homem por uma insistência absurda em negar a origem de todas as coisas que é a junção dos sentidos ao seu espírito.

     Nosso movimento nestes inúmeros anos como humanidade tem sempre uma só direção explicar e não entender, montar conceitos e não viver, fugir e não parar para encontrar-se, sendo que esta opção nos conduz a lógica do exercício do poder e ao jogo de extermínio que nós como um todo social nos dedicamos continuadamente esta nossa sociedade se transformou em uma corrente de antropofagia.

     Para justificar o autoaniquilamento nós temos todas as teses, nós temos todas as escolas, nós temos todos os estudos, nós criamos deuses e verdades a nos darem razões, por outro lado quão pouco nos dedicamos a entender o jogo de dominação submissão que nos corroí por dentro e é o centro de quase todas as falsamente definidas como doenças modernas que resultam desta pressão insuportável da entidade impessoal do poder atingindo a todos humanos e assim mostrando-se de maneira diversa em cada um de nós.

     Como aceitar a continuidade deste processo de levar o homem individual ao caos sem tomarmos nenhuma providência, tudo feito com o intuito de transformá-lo em uma parte de uma maquina planetária de fazer inutilidades, lembrando um enorme formigueiro com suas funções bem definidas e atribuídas a cada um de seus membros, processo este ao qual o ser humano em autodefesa recolhe-se a si mesmo como expressão de sua resistência inviabilizando sua dimensão social, por certo é assim que nos querem a todos nós.


     Sabedores que somos do fato de o pensamento humano ter criado esta armadilha que lhe escapou do controle dominando-o, isto muito antes do que as proféticas e famosas maquinas da ficção cientifica o fizessem, cabe a nós um enorme esforço de desconstrução desta teia indesejável de conceitos crias nossas a partir de Sócrates, onde esquecemos o homem para trabalhar apenas ideias e submetê-lo a estas.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Humanidade Corrompida Espelha Decadência

     Sempre que escuto as afirmações sobre o final dos tempos me espanto com nossa capacidade de encontrar signos para uma onipresença que nos condene a uma eternidade de alegrias ou sofrimentos, esta busca permanente de uma zona de conforto individual empurra-nos definitivamente para a autoabsolvição e afasta-nos da luta por um mundo de homens plenos na sua relação consigo, com o outro e com a natureza.

     Os grandes ciclos da vida no planeta medem-se sim em milhões de anos e nossa cultura de alguns milhares de anos trata disso como se tivesse algum entendimento de como será o inicio do próximo ciclo, quando bem sabemos que estamos tateando no conhecimento dos ciclos anteriores e nos detalhes do ciclo atual o que transforma todas as hipóteses em simples exercícios de premonição.

     O assunto só é atual por ser grande o aumento dos níveis de intolerância na sociedade globalizada e se acrescermos neste contexto, como agravante, uma passividade crescente em quantidade e intensidade salta aos nossos olhos que uma ditadura das minorias estabelece-se fundamentada exatamente nestas características indesejáveis e na diminuição do espírito de resistência que de fato é o grande construtor das utopias.

     Corrupção é um dos marcos sinalizadores deste momento, definida pela opção pessoal ou de um grupo de obter e/ou fornecer vantagens indevidas em trocas privadas de favores, escancarando o egoísmo e o descompromisso com a maioria passiva da população, ela prospera e engorda dia a dia amparada pelo relaxamento dos controles e por uma sensação crescente de impunidade dos executores sempre mais tentados pelo incentivo ao consumo desenfreado estabelecido.

     O que vemos é um grande mapa da decadência a cobrir todos os cantos do planeta, mais visível no que chamamos de terceiro mundo por suas características de continuado alvo de exploração dos mais desenvolvidos, não que pessoalmente aposte em uma sociedade moral até porque não coaduna com meus pensamentos, mas por acreditar no homem integro e justo que no seu gostar é incapaz de tirar vantagens indevidas de outrem, seja quem for este outro.

     Continuo apostando no caos como fenômeno regulador, pois a ambição desenfreada leva a impossibilidade de manter o equilíbrio social e a permanente tentação de forçar um pouco mais, inerente ao explorador, inevitavelmente romperá as amarras e libertará a sociedade como um todo, tenho a pretensão de imaginar que todos os truques já foram realizados e a explosão da organização esta prestes a acontecer, como se manifestará e quando por obvio não posso prever, mas a vejo trilhando um caminho sem volta.

     Reforço então esta necessidade do exercício da resistência com seu papel evangelizador e a ampliação do espaço de luta, entendendo como consequência do caos a construção de um mundo novo este deve estar amparado nas causas justas que são aderentes ao homem pleno e justo.  

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Sol Brilha Desigual Entre Nós

     Como duas pessoas não podem ocupar fisicamente o mesmo lugar neste nosso planeta, o que deduzimos pelo conhecimento que temos a nosso respeito e da terra, obviamente não invalidando esta possibilidade no futuro, não veem o mesmo sol e sim sois particulares de cada um e como tal em tudo tem suas verdades particulares sobre as coisas e os fatos.

     Nem sempre, até insistiria em afirmar quase nunca, o que chamamos de verdade é vista por diferentes pessoas por ângulos iguais, evidente é que ao respeitarmos as diversas experiências de diferentes pessoas este fato será constatado, impossível exigir que uma grande alegria pessoal assim o seja também para os outros, devemos contentar-nos com a percepção deste que estamos felizes admitindo que o mesmo não conheça as nossas motivações reais para tal.

     Enquanto transitamos apenas nas visões diferentes de uma mesma atitude podemos trabalhar isso com tranquilidade teórica de que os desencontros são inevitáveis e assim funcionam no dia a dia, quando avançamos para a dimensão social do homem sua interação com seus semelhantes em rede, nos deparamos com os sentimentos provocados pelos diferentes interesses de cada um de nós formando uma contabilidade de afetos e desafetos que podem sim gerar mal entendidos e influenciar definitivamente as relações entre as pessoas criando amizades ou inimizades indesejadas.

     São questões de dificil prevenção ou correção, por exigir de parte a parte atitude de paciência com a consideração das dificuldades do outro no entendimento das motivações particulares de cada um, o seu grau de dificuldade aumenta exatamente pelo que colocamos acima, os pontos de vista subjugados as experiências que não são comuns somados a objetivos particulares de dificil verbalização e entendimento pelo outro.

     Também somos obrigados a admitir conhecer muito pouco a nosso respeito, a navegação em nossas motivações internas é dificil mesmo com ajuda de profissionais externos estudiosos da psique humana, nossa memória é por demais seletiva e o que vemos de nós mesmos é a parte que nos interessa para manter nossa integridade pessoal, um grande mecanismo de defesa na nossa empreitada de mantermo-nos vivos.

     Este complexo de corpo e espírito organizado em redes que é a humanidade acaba por conduzir-nos a armadilhas de bom e mau querer, seria altamente desejável evitar o risco de nelas cair, para tal, evitarmos sistematicamente de associarmos valor positivo ou negativo a atitudes que não sejam nossas sempre podemos tentar entender as nossas motivações o que é complemente impossível em relação a outrem as quais só podemos julgar e por certo sempre fadado ao erro de sentença.  

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Sua Vida de Desempregado já Começou!

     Quer admitas ou não seus dias como trabalhador estão terminados é que determina a nova ordem econômica social imposta em momento de apogeu tecnológico aliado a ganância por mais valia do ser humano, vão lhe entregar como companhia para sua nova solidão natureza e homens manietados em sua essência que é a capacidade de existir integro.

     Tudo deveria nos indicar que esta situação sintetizasse o melhor momento para a humanidade isto é um homem com todo o seu tempo dedicado a si mesmo e a sua relação com o outro com a natureza, a completa liberdade de tarefas rotineiras desimportantes nos lançando em direção ao espírito e a arte como instrumento de prazer e felicidade.

     Admitamos que os sinais que lemos no contexto planetário não apontam para este rumo, tudo indica que teremos o ser humano despreparado para este momento, muito fragilizado devido à imposição de objetivos adquiridos por osmose na convivência social e que deixam de ter sentido nestes novos tempos, sem condições de reescrever sua história interna candidata-se a mais uma rodada de falta de adaptação comunitária.

     Defendo vigorosamente a construção de pequenas comunidades de interesse, mesmo que não sendo de reflexão sobre este tema específico pelo simples fato de colocarem foco em temas comuns serve como pedagogia para aderência aos novos ventos que varem nossas vidas, onde a ideia de partilhar emoções e conhecimentos pode encaminhar no espírito de cada um a redenção.

     Vislumbro também a aproximação de tempos de desobediência civil como prenuncio da eminente queda dos muros do autoritarismo representado pelos governos e nações, estrutura de poder apodrecida por sinal há muito tempo já morta começa a expor seus maus cheiros e um novo tipo de governança mundial já nasceu e tão somente aguarda o momento de sua revelação para ser abraçada como uma causa de todos.

     Esta quebra de paradigma representada pelo mundo novo nascido de um homem reinventado por si mesmo é a tão sonhada revolução destinada a privilegiar o ser humano a sua relação com a natureza contrapondo-o a importância que hoje damos as coisas, aos processos e as questões de política e economia global, desconstruir o que ai está para permitir que nasça uma sociedade onde a base de tudo seja o Homem é o mote para a poesia dos novos tempos.


     Dar testemunho da morte da sociedade que aí está oferece-se como caminho evangelizador para o que está por vir, como sempre os restos podres dos organismos mortos são os melhores adubos para a nova vida que nasce, mesmo que hoje não a podemos qualificar e explicar os aromas que sentimos no ar torna sua presença algo inquestionável.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Apocalipse Tecnológico o Homem sem Dimensão Social.

     Os profetas dos novos tempos buscam refúgios em lugares isolados construindo verdadeiras fortalezas com intuito de proteger-se da multidão presumivelmente furiosa de desempregados que adivinham nascerá da acelerada automação dos processos produtivos onde o homem é cada dia menos necessário, nestes espaços pretendem ser autossuficientes e assim resistentes à revolução anunciada por eles mesmos.

     Não me surpreende que em sua grande maioria sejam executivos bem sucedidos na indústria de produção de tecnologia informação onde em contato permanente com a construção de software destinado a exatamente promover esta economia de postos de trabalho na agricultura, na indústria e nos serviços, sendo testemunha do processo de acumulação de capital que não abre mão de longos períodos da vida destinados ao trabalho em detrimento à distribuição da riqueza com a ampliação dos tempos de lazer.

     Como se fosse possível à existência do homem sem sua dimensão social buscam empreendimentos individuais sem avaliar o risco que a inexistência do outro gera para a sua própria integridade, sua estratégia de defesa peca pela própria definição de ser humano o isolamento passa a ser a nova ameaça a anunciar-se como tormenta inesperada a desabar sobre suas próprias cabeças.

     Certo está que com exceção de minoritários movimentos alternativos ligados a vida autossustentável eu não vislumbro nenhum trabalho sério na busca da eliminação da má distribuição da riqueza, comprovadamente em muito aumentada pela automação, menos ainda na preparação de uma sociedade com muito tempo livre ocasionado pela diminuição da necessidade do trabalho humano, não temos o homem preparado para tal nem do lado dos exploradores dominadores muito menos por parte dos explorados dominados.

     Teoria com base em analise histórica equivocada de que a eliminação de postos de trabalhos obsoletos gera em seu ventre novas oportunidades não mais se sustentam dentro do processo social de construção de uma sociedade onde a utilização de inteligência artificial associada a velocidade do processamento de informação cresce de forma geométrica, tendo já esgotado todos os artifícios de geração de lixo a ser consumido certamente não mais teremos como ocupar o homem na atividade produtiva.


     O modelo está esgotado característica facilmente identificada na cadeia de pessoas infelizes que o mesmo está produzindo, existe uma insatisfação generalizada de seres humanos desencontrados a jogarem todas as suas fichas na desconfiança em relação ao outro, estéreis em sua capacidade de doarem-se caminham como zumbis, sem que se vislumbre o nascimento de um modelo novo mais justo o desafio está colocado, como reinventar o homem pleno em sua dimensão social em um mundo com pouco trabalho humano necessário.