sexta-feira, 25 de abril de 2014

Da Violência

   Penso na violência como algo inerente ao homem, assim sendo não a contesto, a história tem nos brindado com manifestações desta em grande qualidade e quantidade, sua avaliação e suas consequências são sempre dependentes de quem escreve a história, o vencedor será visualizado por atos de heroísmo e bravura, a brutalidade e crueldade será a vestimenta do perdedor.

   Todos nós nos defrontamos com ela, inúmeras vezes somos os próprios protagonistas da violência, muitas vezes só enxergamos a física, quando consequências muito mais graves de humilhação, fome e pobreza são nos apresentadas no dia a dia pela estrutura legal violenta que é a organização social hoje existente em toda a Terra.

   Por sorte, eu particularmente só convivi com pequenos momentos de violência, aqueles normais na infância regrada por preconceito aos alemães no pós-guerra, depois de adulto algumas quatro ou cinco vezes que apanhei de mulher irritada (por certo culpa minha), ou ver quebrarem um a um os discos que eu insistia em escutar e claro como todos sofri a impiedosa violência profissional que é sempre consequência para quem não aceita esta estrutura dita competitiva que nada mais é que a lei do mais forte disfarçada de civilização, lei essa tão antiga quanto o homem.

   Nunca reagi, não é do meu perfil, violência não é inerente a mim, claro busquei me proteger, claro busquei soluções alternativas para evitar consequências graves, porém sempre me seduziu entender o que se escondia por trás da raiva, o que os fazia perder a cabeça, e busquei sim por aí aumentar minha imunidade a ser violento.

   Penso que hoje no Brasil a violência é mais manifestação de despreparo, da falta de investimento em educação, nos dois lados da pirâmide social, o pessoal do topo e da base, pois os diplomas na verdade nada representam num país onde são comprados pelo poder seletivo de participar sendo vedados à maioria na raiz, na oportunidade de obtê-los, se não atacarmos o problema da educação de frente nunca resolveremos o problema da violência, não podemos continuar a ser um povo sem capacidade de raciocínio lógico em sua grande maioria.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Da Solidão

   Busco sempre a solidão isso faz parte do meu ser, e persigo buscando-a nas multidões, nesta busca já construí e não soube manter duas famílias com o saldo maravilhoso de quatros filhos, sem falar nas outras tantas pequenas histórias..., o que não me é novo, já na infância enquanto me preparava para o mundo, durante o dia agitado, envolvido em muitas atividades, convivendo com muita gente, porém de fato, na cama entre o acordando e o dormindo a construir sociedades fantásticas com seus impérios e seus personagens, contando-me essas histórias que vivia meu grande momento.
  
   Em nada isso significa abrir mão da convivência, pois sempre esta por suas diferenças apontava a direção de que comigo mesmo estava o caminho, gosto de contrapor-me aos outros, ver sua força e beleza e com isso, bom observador de seus espíritos, descobrir minhas fraquezas, encontrar meus limites (que são infinitos) e ter o prazer de entender que vivo estou Morrendo.  
   
   Se tiver pontos fracos, esses não me atraem, de nada me servem neles não preciso me apoiar, sempre soube que a vida é só o presente, o passado não te ensina (como a história o passado só se repete por farsa) e o futuro não existe, todos os chavões sobre esse tema, que tanto ouvimos, são feitos apenas para quem não tem coragem de enfrentar que só o presente existe e o melhor deste é o eterno diálogo contigo mesmo.

  A solidão tem esta força, de permitir a construção do teu presente gastar as tuas melhores energias, teus pensamentos, contigo mesmo, aquele grande filósofo alemão Schopenhauer já dizia quem muito lê não pensa e sim pensa o que outros pensaram, assim também quem busca  estar sempre acompanhado em verdade pensa que vive, vivendo a vida que outros viveram.

   Alguém inventou que a fraqueza era o bem, estimulando as pessoas a se abraçarem em mútuos apoios, conceitos morais onde em grupo fogem de si mesmas para buscar a felicidade, não posso de sã consciência acreditar que pessoas que não sabem viver sozinhas possam compartilhar qualquer coisa com alguém, na verdade estão a distrair-se da infelicidade.   


   Claro isso é uma espécie de loucura, pois louco é quem enquadra o mundo com olhos diferentes, mas que fazer é só como sei viver.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Sarau

    Sim, Sarau, por que não Sarau, conduzido pelas mãos decididas, sensíveis e honestas do meu filho, Pedro, encontro espaço neste caminhar, espaço de ver, espaço de ouvir, espaço de compartilhar.

    Escuto as leituras de prosa e poesia, resultado de seu pensar ou da reflexão do pensar de terceiros, vejo coragem de partilhar um pouco de si mesmo, sim mostrar-se, de cada um dos participantes destas duas horas de lazer e companheirismo.

    Vejo o coração de gente a se expor, sabemos o quão difícil é enfrentar a crítica presença do outro sempre pronto a julgar nossos esforços por um ângulo particular de suas experiências, mas à medida que as almas aparecem vencem essas resistências e impõe a alegria de crescerem juntas.

    Não pude deixar de participar, mostrar um pouco das minhas leituras, e inclusive começo mudando o rumo do meu blog, voltando para o geral, desentocando reflexões que sempre gostei de deixar marcadas em linhas escritas do compromisso com a minha verdade.

    Por óbvio, não acredito em verdades absolutas, mal consigo acreditar nas minhas, pois apesar de todos os anos de vida, sei que muitas ainda devem passar pela autocrítica permanente contra a influência gigantesca desta máquina de destruir pessoas que é a sociedade em que vivemos.

    Conjunto de pessoas que se encontram para refletir, não consigo visualizar um sarau de outra maneira, ainda são nortes a indicar caminhos de vida e contra tantos outros que apontam morte.
  
    Duas horas a cada quinze dias, pouco parece, mas não me iludo sei que acrescemos o antes e adicionamos o depois, e na prática vemos que o encontro sempre mexe com muito da gente e por muito tempo.

    Importante saber que não tem contraindicação, não existe hierarquia no saber, existe capacidade de autocrítica, analise lógica, a busca do encontro mais importante que é o conosco mesmo.


    Sim, Pedro, continue me guiando ao sarau, sim sarau, por que não sarau.  

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Me engano, porque eu gosto "III"

        "Não há necessidade de grelhas, o inferno são os outros", já dizia Sartre, e assim dizemos nós acobertando nossas deficiências, trabalhamos permanentemente fazendo papel de vilão (sob a ótica dos outros) e herói (sob nossa ótica).

        Esse comportamento tem seu correspondente na TI, onde o único problema de nossos sistemas são os usuários, claro que os usuários são desqualificados, claro que os projetos são incompreendidos, claro que as definições são incompletas, claro que as previsões são equivocadas.

        Não tenho nenhuma dúvida que trabalho com as melhores ideias, sou melhor em quase tudo principalmente nas melhores desculpas, tenho desde já todos os culpados identificados e certamente não sendo eu os são aqueles que comigo envolvem-se.
       
        Insisto no foco de que o problema não é resultado do que fazem e dizem para o que estamos sempre atentos, mas sim como vejo e escuto quase sempre mascarado pelo filtro da soma das minhas experiências e do fraco autoconhecimento.      

        Ser um time, que infelizmente confundimos com abrir mão em prol de outrem, o certo nunca passou por aí, quanto mais trabalho minha autoestima mais acrescento ao time, o conjunto de individualidades soberanas é condição de sucesso.

        Defendo partilhar definições e problemas, organizados em grupos pequenos, nos quais os diferentes talentos individuais são conhecidos e em cada atividade requerida todos executam todos os papéis, aprimorando-se como indivíduo e crescendo como equipe que assume e executa responsabilidades.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Me engano, porque eu gosto "II"

        Quando defendo times horizontais de composição heterogênea, falo de gestão partilhada onde planejamos e assumimos responsabilidades, executamos e revisamos nossas tarefas.

        Uma de nossas melhores invenções foi "o chefe", tanto assim o é que não ficamos somente na criação do mesmo, geramos também chefes para os chefes em uma interminável cadeia, incluindo até chefes de coisa nenhuma, sendo igualmente prolixos na quantidade de sinônimos que geramos para dizer a mesma coisa, para representar o mesmo papel.

        Sempre que vejo alguém exercendo este papel de imediato me vem à cabeça um navio com a fileira de remadores acorrentados e um cara mobilizando-os de chicote em punho, obviamente que nos tempos do politicamente correto o chicote e as correntes têm outro nome.

        Na prática a coisa funciona como sempre funcionou, este intermediário tem que submeter os que estão inferiores na hierarquia com a mesma determinação que fideliza sua submissão aos que estão no degrau acima, ou seja, somando e diminuindo é um papel que não tem nada a fazer na engrenagem, apenas um peso a mais a ser carregado.

        Ficou fácil identificá-los, frases curtas, ambíguas, fazendo supor que tudo sabem, como se escondessem algum conhecimento inatingível para os demais, nós os preparamos com os mais diversos cursos para exatamente nada produzirem e parecerem donos de alguma verdade.

        Defendo a ideia de partilhar definições e problemas, organizados em grupos pequenos, que em seu meio conheçam as diferentes graduações de talento individual nas diversas atividades requeridas, onde todos executam todos os papeis descobrindo, assumindo e executando responsabilidades.        


        Crescimento pessoal, amadurecimento coletivo, resultados focados em adicionar valor é o que tenho medido quando consigo trabalhar com a metodologia acima exposta e felizmente nenhuma falta do Chefe.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Me engano, porque eu gosto "I"

     Quando coloco o "I" no título acima, já demonstro minha má intenção, estou declarando que não vou terminar este tema hoje, na verdade apenas vou introduzi-lo, mas nesta linha de confidências esclareço que sendo o texto escrito com base na comunidade de TI, só o é por ser o organismo social no qual estou inserido, oposto que o mesmo adapta-se a tantos outros grupos organizados, senão a todos.

     Lendo "eles fazem de conta que me pagam e eu faço de conta que jogo", cuja origem é uma declaração de um famoso jogador de futebol, imediatamente eu sou tentado a catalogar o texto como folclórico, por puro preconceito a este ramo do entretenimento, devido a sua característica de mais transpiração que inspiração típica do esporte, mas em nossas equipes de desenvolvimento de sistemas essa situação acontece bem mais vezes do que seria desejável supor.

     Partindo do raciocínio exposto na frase "nada é mais contra a vida que a civilização", e comparando o homem de hoje da sociedade "previsão de vida de mais de 70 anos" com o homem da "expectativa de vida de 30 anos" de décadas atrás, não encontro nenhum indicativo que vivemos mais agora, ao contrário o que vejo é criarmos intermináveis mecanismos para não viver.

     Na análise do que é nossa comunidade a vejo muito similar à vida, pois viver nada mais é que resolver problemas, começando pelo primeiro tenho fome, o problema está posto, ou arrumo comida e o resolvo ou estou morto, a similitude aparece quando defino a tarefa básica da comunidade de TI como um eterno resolver problemas.

     Bom, nossa fama de alto grau de fracasso começa por não entenderem a definição acima, sendo muito raro que nos chamem para resolver problemas quase sempre somos convocados a escrever milhares de linhas de código que não fazem nenhum sentido, começamos o jogo perdendo, pois nos preparamos para solucionar problemas e nos colocam a escrever linhas de código, cujo porquê escrevê-las por certo nós não entendemos e mesmo eles não o sabem.


     Imagino que as organizações façam isso apenas para nos manterem ocupados, dentro daquela dinâmica que escrevi antes, baseada em "criar mecanismos para evitar viver". Vou continuar neste tema no próximo post analisando os diversos papéis na área de TI e como estes colaboraram nesta direção, a do engano.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Inovação presa na engrenagem conservadora.

     Não resta dúvida, quando falamos em tecnologia a palavra "inovação" vem a tiracolo, comporta-se como um mantra sagrado, parece impossível qualquer esforço em desenvolvimento de sistemas sem seu componente inovador.

      Por certo já verificamos que a sempre eficiente sociedade conservadora estabeleceu neste caminho um novo negócio, estruturam-se mecanismos de intervenção por parte do governo e da iniciativa privada, criam-se instituições para trazer ao mundo e cuidar desta nova herdeira da tecnologia, porém fazemos uma análise mais profunda e descobrimos que apenas fazem deste modismo o seu ganha-pão, estamos querendo gerar inovação em um mecanismo não inovador.

      Não pretendemos desafiar a voz comum até porque de imediato descobrimos o grande ganho: A tomada de consciência sobre a importância de inovar, porém achamos oportuno refletir um pouco sobre o tema, me parece que a inovação se atinge por talento associado a um conjunto de boas práticas e não por planejar com o objetivo de obter, resumindo, tenho dificuldade de aceitar que inovação seja fruto da simples vontade.  

      Usualmente definida como fazer mais com menos recursos em processos produtivos, ou administrativo-financeiros ou ainda na prestação de serviços potencializando a capacidade de competitividade, podemos concluir que a inovação é inerente ao ser humano, isto é, na verdade o que precisamos é evitar todos os maus hábitos que nos afastam de "pensar" em cada um dos passos que executamos para cumprirmos as metas as quais nos propomos.

      O desafio é este, vasculhar as ferramentas que criamos identificar nelas tudo que afasta seus utilizadores do pensar sua execução, revitalizá-las destinando espaço a incentivar o uso permanente da criatividade nas tarefas independente de seu grau de complexidade, enfim criando um ambiente propício para que a inovação possa aparecer.


      Estamos simplesmente postulando um ambiente de trabalho favorável, onde a comunidade encarregada de executar tarefas as faça exercendo na plenitude o que as caracteriza que é ser humano.