segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Todo Final Tem a Grandiosidade da Morte.

 

                Como dizia o maravilhoso poeta Rainer Maria Rilke “Verdade é que cada um morre sua própria morte que é única porque feita do que cada um viveu e tem os mesmos olhos azuis que ele se azuis os teve.”, como tal cada final é próprio de quem e como o viveu.

 

                A eternidade é uma invenção, sempre como a vida o que começa termina em morte, inclusive pode representar um maravilhoso começo, não temo a morte, não temo o final, o vivo como uma celebração da vida vivida.

 

                Em cada poema, em cada escrito, em cada pedaço de vida, este morrer de um final tão somente é a alegria de tantas coisas maravilhosas que foram experimentadas, não há espaço para magoas, não há porque ter queixas a só a gratidão por tudo que o espaço de tempo em que foi vivido nos deu.

 

                Não há culpa na morte, não a culpa no final, eles são assim, tão somente mais um ciclo que cumpriu sua missão, foi vivido com suas alegrias e tristezas e esta soma de diversidades é o que nos permite ver felicidade, só me cabe sempre agradecer.  

 

                Por certo um final de uma relação, assim como de um livro ou de um filme, pode ter várias alternativas, ora felizes, ora alegres, ora tristes, mas sempre são o desconforto de uma morte o que não nos impede de curtir imensamente o vivido e sempre ser lembrado como mais uma obra prima.

 

                Seria uma luta inglória desrespeitar a finitude das coisas desafiando sua necessidade de concluir seu ciclo, não é o fato de chegar a este momento, apesar de nos dar uma certa sensação de que poderia ser eterno, que irá desmerecer tantos ganhos que tivemos durante o seu desenrolar.

 

                Roubando deste nosso mágico e inspiradíssimo escritor Proust a frase “Os prazeres e os dias” sim é tudo que conta e todos os personagens da nossa história merecem todos os créditos por eles terem acontecido.

 

                O que não vale é esticar um texto, acabado, completo e pleno em si mesmo, para apenas evitar seu fim e muito menos macular suas boas lembranças com uma desgastante busca de culpas e incompetências.

 

                Nossa simples condição humana, por si só, representa uma quantidade de imperfeições o que não nos diminui, ao contrário nos engrandece, permite transformar o que foi bem vivido em oportunidades de vive-lo melhor em outro espaço de tempo.   

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