sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

A Curiosa Mistura entre Sonho e Desejo.

 

                O que pode um educado, cooperativo por isso desajustado social, anarquista por saber que todas as organizações se baseiam no jogo do poder, ateu por acreditar demais no Homem e na humanidade, desejar senão um grande silêncio na alma.   

 

                Sim este silêncio d’alma se explica por uma inoportuna confusão, ou mistura, entre desejo e sonho, como explicitar em palavras o que a priori não pode ser entendido por quem quer ouvi-las.

 

                O desejo é tão simples e tão difícil de ser conseguido, que facilmente se confunde com o ouro dos tolos, ser melhor e ajudar os que o cercam serem melhores e assim alcançarmos uma humanidade mais igualitária, fraterna e justa.

 

                As dificuldades começam pela palavrinha impertinente, melhor, o que realmente é ser melhor, por certo este é um mistério que nós portadores do livre arbítrio vamos pesquisar eternamente no nosso presente vivido, aí já começa o sonho decidir sempre pelo nosso melhor.

 

                Avançado um pouco nos damos conta que esta decisão pelo melhor sempre envolve o outro que também dentro de suas altas potencialidades e como não de suas dificuldades, assim como o somos nós mesmos, também convive com a dificuldade de entender.

 

                Quando somos competitivos fica fácil falar de desejo, podemos estabelecer metas a serem medidas e que em nosso mundo interior nos diferenciaria do outro, estabelecendo uma hierarquia de poder que conferimos a nós mesmos.

 

                Não consigo me encontrar na competição, sempre que olho em direção ao outro encontro a mim mesmo e retorno a velha questão como posso ser melhor e encontrar prazer e felicidade em mim mesmo e que este encontro em mim se propague aos outros.        

 

                Então reside aí nestas questões a dificuldade para responder a uma pergunta tão simplória, o que desejas? Em verdade não desejo, sonho viver este eterno presente sempre sendo um pouquinho melhor, por mais insignificante que seja esta distância ao meu presente anterior.

 

                Este é um desafio permanente que por si só justifica o ato de viver.    

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