O que
pode um educado, cooperativo por isso desajustado social, anarquista por saber
que todas as organizações se baseiam no jogo do poder, ateu por acreditar demais
no Homem e na humanidade, desejar senão um grande silêncio na alma.
Sim
este silêncio d’alma se explica por uma inoportuna confusão, ou mistura, entre
desejo e sonho, como explicitar em palavras o que a priori não pode ser
entendido por quem quer ouvi-las.
O
desejo é tão simples e tão difícil de ser conseguido, que facilmente se
confunde com o ouro dos tolos, ser melhor e ajudar os que o cercam serem
melhores e assim alcançarmos uma humanidade mais igualitária, fraterna e justa.
As dificuldades
começam pela palavrinha impertinente, melhor, o que realmente é ser melhor, por
certo este é um mistério que nós portadores do livre arbítrio vamos pesquisar eternamente
no nosso presente vivido, aí já começa o sonho decidir sempre pelo nosso
melhor.
Avançado
um pouco nos damos conta que esta decisão pelo melhor sempre envolve o outro
que também dentro de suas altas potencialidades e como não de suas
dificuldades, assim como o somos nós mesmos, também convive com a dificuldade
de entender.
Quando
somos competitivos fica fácil falar de desejo, podemos estabelecer metas a
serem medidas e que em nosso mundo interior nos diferenciaria do outro,
estabelecendo uma hierarquia de poder que conferimos a nós mesmos.
Não consigo
me encontrar na competição, sempre que olho em direção ao outro encontro a mim
mesmo e retorno a velha questão como posso ser melhor e encontrar prazer e
felicidade em mim mesmo e que este encontro em mim se propague aos outros.
Então
reside aí nestas questões a dificuldade para responder a uma pergunta tão simplória,
o que desejas? Em verdade não desejo, sonho viver este eterno presente sempre
sendo um pouquinho melhor, por mais insignificante que seja esta distância ao
meu presente anterior.
Este é
um desafio permanente que por si só justifica o ato de viver.
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