quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Não Sou o Que Você Acredita Que Precise.

                Não sou o amigo menos ainda o inimigo que acreditas que precises, não sou o amor nem o ódio que pensas que necessites, não sou o pai tampouco o filho que imagines lhe faltar, não sou o bem ou o mal que lhe possa afetar, e a pior noticia é que ninguém o é.

 

                Sou, você é, todos somos simplesmente uma porção de vida, muito própria, muito particular e como tal movimento constante no dia a dia á nos afetar e influenciar, todos invadem nosso espaço particular enquanto como contrapartida penetramos no íntimo deles também.

 

                Não há como evitar esta indesejada interferência de nós na humanidade e desta em nós, até porque sem ela como espelho nosso, de cada um de nós, deixaríamos de ter a noção de espaço e tempo e nos reduziríamos ao nosso principal enigma “o que realmente somos”.  

 

                Toda a ilusão definidora de valores que me atribuo, nada mais são que sombras do que realmente sou construído sob a luz que transpassando a mim vejo no outro, ou seja, tem valor apenas para mim sem nenhum significado para o outro.

 

                Andamos neste vai e vem a colidirmos entre nós em metamorfose constante, nada que nos assuste pois isso é viver, a ponto de não nos reconhecermos no que fomos instantes atrás e nem o poderíamos, pois, este ser “dos instantes atrás” já morreu para sermos o presente, vivemos esta morte e ressureição permanente.

 

                Sendo assim como o é, misterioso, inexplicado e indefinido, cada um de nós viventes só pode ancorar a vida em outro igual a nós, como farsa, como ficção, somos uma grande diáspora, uma grande torre de babel, tudo o que podemos entre nós é ser solidários no grande desconhecimento que temos a nosso respeito e do outro.   

 

                Cabe a cada um encontrar sua própria receita de existir, sempre respeitado essa necessidade do outro de também encontrá-la, sem a prepotência de indicarmos caminhos, sem a insensatez de definirmos leis e verdades universais, estar juntos significa acima de tudo um profundo auscultar-se a si mesmo reservando a nós e só a nós mesmos qualquer julgamento.

 

                Por certo não podemos optar por abdicar da vida social, por esta ser uma vocação inata do ser humano, mas nela devemos viver e respeitar completamente a individualidade de cada um para que a possamos chamar de um estarmos juntos.                

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