Não sou
o amigo menos ainda o inimigo que acreditas que precises, não sou o amor nem o
ódio que pensas que necessites, não sou o pai tampouco o filho que imagines lhe
faltar, não sou o bem ou o mal que lhe possa afetar, e a pior noticia é que
ninguém o é.
Sou,
você é, todos somos simplesmente uma porção de vida, muito própria, muito
particular e como tal movimento constante no dia a dia á nos afetar e influenciar,
todos invadem nosso espaço particular enquanto como contrapartida penetramos no
íntimo deles também.
Não há
como evitar esta indesejada interferência de nós na humanidade e desta em nós,
até porque sem ela como espelho nosso, de cada um de nós, deixaríamos de ter a
noção de espaço e tempo e nos reduziríamos ao nosso principal enigma “o que
realmente somos”.
Toda a ilusão
definidora de valores que me atribuo, nada mais são que sombras do que
realmente sou construído sob a luz que transpassando a mim vejo no outro, ou
seja, tem valor apenas para mim sem nenhum significado para o outro.
Andamos
neste vai e vem a colidirmos entre nós em metamorfose constante, nada que nos
assuste pois isso é viver, a ponto de não nos reconhecermos no que fomos instantes
atrás e nem o poderíamos, pois, este ser “dos instantes atrás” já morreu para
sermos o presente, vivemos esta morte e ressureição permanente.
Sendo
assim como o é, misterioso, inexplicado e indefinido, cada um de nós viventes
só pode ancorar a vida em outro igual a nós, como farsa, como ficção, somos uma
grande diáspora, uma grande torre de babel, tudo o que podemos entre nós é ser solidários
no grande desconhecimento que temos a nosso respeito e do outro.
Cabe a
cada um encontrar sua própria receita de existir, sempre respeitado essa
necessidade do outro de também encontrá-la, sem a prepotência de indicarmos
caminhos, sem a insensatez de definirmos leis e verdades universais, estar
juntos significa acima de tudo um profundo auscultar-se a si mesmo reservando a
nós e só a nós mesmos qualquer julgamento.
Por certo não podemos optar por abdicar da vida social, por esta ser uma vocação inata do ser humano, mas nela devemos viver e respeitar completamente a individualidade de cada um para que a possamos chamar de um estarmos juntos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário