terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Réus de nosso próprio Julgamento.

 

                Não temos escolha, o passar dos dias nos expõe continuadamente ao nosso próprio julgamento, mesmo quando creditamos a outrem atos inadequados a humanidade e a natureza, o estamos fazendo em relação a nós mesmos.

 

                Sempre divididos entre nossa vocação de lançarmo-nos ao outro e a liberdade da solidão creditamos-lhes culpas que são nossas, apesar de sistematicamente negarmos, bem sabemos que não há nenhuma possibilidade de nosso equilíbrio pessoal ser afetado por quem quer que seja.

 

                Os próprios acasos da natureza nada mais são do que expressões naturais que nos obrigam a reagir, a expressarmos plenamente a vida que em nós existe, se pretendermos cataloga-los como culpados apenas estamos fugindo de nossa responsabilidade.

 

                O duro trabalho de desvendarmos o que realmente somos é facilmente desviado pela observação do outro, quando bem sabemos que este é o espelho onde melhor nos vemos, inventamos-lhes perfis, implacáveis ao carimbar lhes rótulos, esquecemos de olharmo-nos.

 

                Neste descompasso entre o outro distrair-nos de nós mesmos e o entendermo-nos melhor, na analise das consequências em nós acontecidas por ocasião do encontro com o outro está a decisão entre sermos sujeitados ou sujeitos.

 

                Só homens livres podem andar juntos, quem não o for é um simples ator destinado aos dois únicos papeis ora dominador, ora dominado, nas diversas relações que estabelece, e para sermos livres obrigatoriamente devemos nos desapegar desta indesejável herança de milhares de anos da nossa espécie.

 

                Se fosse fácil não estaríamos em grande quantidade funcionando pela vida como rebanho, repetindo slogans que não validamos conosco mesmo, esta imersão em um ativismo que busca o movimento constante como forma de abdicarmos do pensar nos leva a uma vida vegetativa, onde o universo acontece na gente e não nós no universo.

 

                Olharmo-nos mais quando sozinhos ou acompanhados pode ser o único espaço para desbravarmos esta quantidade de mistérios que este universo desconhecido representa, há vida por toda a parte e como tal se manifesta, é um enorme sistema de trocas e tão somente entendermos como elas funcionam conosco pode iluminar nossos caminhos.

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