Não
temos escolha, o passar dos dias nos expõe continuadamente ao nosso próprio
julgamento, mesmo quando creditamos a outrem atos inadequados a humanidade e a
natureza, o estamos fazendo em relação a nós mesmos.
Sempre
divididos entre nossa vocação de lançarmo-nos ao outro e a liberdade da solidão
creditamos-lhes culpas que são nossas, apesar de sistematicamente negarmos, bem
sabemos que não há nenhuma possibilidade de nosso equilíbrio pessoal ser
afetado por quem quer que seja.
Os
próprios acasos da natureza nada mais são do que expressões naturais que nos
obrigam a reagir, a expressarmos plenamente a vida que em nós existe, se pretendermos
cataloga-los como culpados apenas estamos fugindo de nossa responsabilidade.
O duro
trabalho de desvendarmos o que realmente somos é facilmente desviado pela
observação do outro, quando bem sabemos que este é o espelho onde melhor nos
vemos, inventamos-lhes perfis, implacáveis ao carimbar lhes rótulos, esquecemos
de olharmo-nos.
Neste
descompasso entre o outro distrair-nos de nós mesmos e o entendermo-nos melhor,
na analise das consequências em nós acontecidas por ocasião do encontro com o
outro está a decisão entre sermos sujeitados ou sujeitos.
Só
homens livres podem andar juntos, quem não o for é um simples ator destinado aos
dois únicos papeis ora dominador, ora dominado, nas diversas relações que
estabelece, e para sermos livres obrigatoriamente devemos nos desapegar desta
indesejável herança de milhares de anos da nossa espécie.
Se
fosse fácil não estaríamos em grande quantidade funcionando pela vida como
rebanho, repetindo slogans que não validamos conosco mesmo, esta imersão em um
ativismo que busca o movimento constante como forma de abdicarmos do pensar nos
leva a uma vida vegetativa, onde o universo acontece na gente e não nós no
universo.
Olharmo-nos
mais quando sozinhos ou acompanhados pode ser o único espaço para desbravarmos
esta quantidade de mistérios que este universo desconhecido representa, há vida
por toda a parte e como tal se manifesta, é um enorme sistema de trocas e tão
somente entendermos como elas funcionam conosco pode iluminar nossos caminhos.
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