O que todos sabem
não deveria ser dito por desnecessário, o que denominamos relações humanas nos
dias de hoje nada mais são do que encontros de fakes, eu confesso não ser
diferente também exponho o meu ao encontro com o mundo, monitoro o seu
comportamento tal qual faz o artista com suas marionetes, domino sua fala como
o ventríloquo o faz com seu boneco, cada vez mais de fato a sociedade é uma
grande mascarada.
Fica mais fácil quando construo um muro
antifogo entre mim e minha representação, filtro tão somente o que é do meu
interesse independente de serem tristezas ou alegrias, quem bate quem é surrado
não sou eu e sim o meu eu por mim projetado, o faço nas duas direções sempre
ouço o que quero e digo o que preciso, porque não com estilos diferenciados
distribuídos em espaços de tempos disjuntos, afinal considere é apenas uma
programação, o que por certo deveria me gerar direitos autorais por ser a
história das relações sempre propriedade minha.
Vantagem maior a tenho
pelo efeito camaleão, dependendo do lugar e das circunstâncias sou capaz de
mostrar-me diferente, óbvio que posso quem produz um fake produz tantos quantos
quiser, só necessito ter cuidado com a continuidade evitando misturá-los em
cena, um equívoco que resulta gerar um monstro incoerente como muitos que vemos
por aí se ressalvando sempre que mesmo assim estando eu em erro quem perde é a
imagem.
Este não é um
roteiro de ganhos apresso-me a esclarecer, minha vitória é uma falácia tão
somente consegui imprimir a fantasia que desejava no outro, em síntese luto
bravamente para inexistir, um eterno retorno suicida, pois mato-me para criar
outro ser imaginário que os ludibriados de boa fé acreditam seja eu, sendo apenas um fantasma meu.
Este doido
carrossel de Fakes é a obra-prima da civilização por nós construída, imagens
vazias circulando como zumbis nas mentes, um imaginário de mortos-vivos,
pessoas que não mais conseguem pontes para ao outro chegar, as relações
interpessoais foram substituídas por um complicado jogo de aparências onde
lutamos bravamente para sermos super-heróis do nada.
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