sábado, 30 de janeiro de 2016

Doido Carrossel de Fakes

     O que todos sabem não deveria ser dito por desnecessário, o que denominamos relações humanas nos dias de hoje nada mais são do que encontros de fakes, eu confesso não ser diferente também exponho o meu ao encontro com o mundo, monitoro o seu comportamento tal qual faz o artista com suas marionetes, domino sua fala como o ventríloquo o faz com seu boneco, cada vez mais de fato a sociedade é uma grande mascarada.

     Fica mais fácil quando construo um muro antifogo entre mim e minha representação, filtro tão somente o que é do meu interesse independente de serem tristezas ou alegrias, quem bate quem é surrado não sou eu e sim o meu eu por mim projetado, o faço nas duas direções sempre ouço o que quero e digo o que preciso, porque não com estilos diferenciados distribuídos em espaços de tempos disjuntos, afinal considere é apenas uma programação, o que por certo deveria me gerar direitos autorais por ser a história das relações sempre propriedade minha.

     Vantagem maior a tenho pelo efeito camaleão, dependendo do lugar e das circunstâncias sou capaz de mostrar-me diferente, óbvio que posso quem produz um fake produz tantos quantos quiser, só necessito ter cuidado com a continuidade evitando misturá-los em cena, um equívoco que resulta gerar um monstro incoerente como muitos que vemos por aí se ressalvando sempre que mesmo assim estando eu em erro quem perde é a imagem.

     Este não é um roteiro de ganhos apresso-me a esclarecer, minha vitória é uma falácia tão somente consegui imprimir a fantasia que desejava no outro, em síntese luto bravamente para inexistir, um eterno retorno suicida, pois mato-me para criar outro ser imaginário que os ludibriados de boa fé acreditam seja eu, sendo apenas um fantasma meu.


     Este doido carrossel de Fakes é a obra-prima da civilização por nós construída, imagens vazias circulando como zumbis nas mentes, um imaginário de mortos-vivos, pessoas que não mais conseguem pontes para ao outro chegar, as relações interpessoais foram substituídas por um complicado jogo de aparências onde lutamos bravamente para sermos super-heróis do nada.                        

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