No mínimo
subentendido está nos meus textos anteriores, nunca lhes ocultei, que estou
trabalhando a questão de consciência plena dos sentidos, sinto a obrigação de
evitar a atuação automática do big data interno, quero assim fugir um pouco do
habitual prejulgamento ao qual normalmente me entrego como se fosse algo meu
natural e bem o sei é composto de um emaranhado de influências das quais não
tenho consciência e normalmente abdico o controle.
A beleza como
conceito pode ser nosso exemplo, uma revisão histórica nos mostra cada tempo
com seu modelo específico de beleza o que podemos visualizar na literatura, na
pintura, nas mídias de cada época, assim o sendo me parece evidente que existe
certo superego sociocultural que a define, por certo somos também formadores
deste mecanismo não é possível negar que esta intervenção colocada em uma
balança sempre o é contra nós, mais nos influenciam do que construímos este
superego.
Aos poucos venho
me aventurando a interpretar meus insignes, sim porque o belo é resultado de
uma comparação que fazemos com modelos internos, modelos esses que vamos
construindo na medida em que ampliamos nossa experiência do viver somado à
influência conceitual de terceiros e me proponho a catalogar o belo tão somente
pelo conjunto dos sentidos detectados e sua análise sensorial.
Um filme sou o espectador,
primeiro passo é permitir envolver-me por ele, deixar as coisas acontecerem sem
cobrar conceitos, vai mexer comigo pela fotografia, por suas sequências a me
surpreenderem, por detalhes dos seus quadros, por seu som acompanhando e
sugerindo movimento, quando me dou conta terminou a projeção neste momento sim
estou preparado para interpretar as intenções da diretora, a atuação dos atores
na construção de cada um dos personagens, a qualidade da fotografia enfim a
obra como um todo.
Um livro sou o
leitor, percorro página a página com o entusiasmo de absorvê-las, sem nenhum
filtro de validade com meu referencial teórico, não nego que vou coletar
impressões é para isso que leio e sempre busco não julgá-las, melhor consigo
fazê-lo sempre me colocando alinhado com a lógica do autor, isso sob o ponto de
vista de leitor, no final sim confronto com meu alinhamento psicológico,
sociológico e político com a obra e seu mentor.
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