sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Vazio em Ocupação

     No mínimo subentendido está nos meus textos anteriores, nunca lhes ocultei, que estou trabalhando a questão de consciência plena dos sentidos, sinto a obrigação de evitar a atuação automática do big data interno, quero assim fugir um pouco do habitual prejulgamento ao qual normalmente me entrego como se fosse algo meu natural e bem o sei é composto de um emaranhado de influências das quais não tenho consciência e normalmente abdico o controle.

     A beleza como conceito pode ser nosso exemplo, uma revisão histórica nos mostra cada tempo com seu modelo específico de beleza o que podemos visualizar na literatura, na pintura, nas mídias de cada época, assim o sendo me parece evidente que existe certo superego sociocultural que a define, por certo somos também formadores deste mecanismo não é possível negar que esta intervenção colocada em uma balança sempre o é contra nós, mais nos influenciam do que construímos este superego.

     Aos poucos venho me aventurando a interpretar meus insignes, sim porque o belo é resultado de uma comparação que fazemos com modelos internos, modelos esses que vamos construindo na medida em que ampliamos nossa experiência do viver somado à influência conceitual de terceiros e me proponho a catalogar o belo tão somente pelo conjunto dos sentidos detectados e sua análise sensorial.

     Um filme sou o espectador, primeiro passo é permitir envolver-me por ele, deixar as coisas acontecerem sem cobrar conceitos, vai mexer comigo pela fotografia, por suas sequências a me surpreenderem, por detalhes dos seus quadros, por seu som acompanhando e sugerindo movimento, quando me dou conta terminou a projeção neste momento sim estou preparado para interpretar as intenções da diretora, a atuação dos atores na construção de cada um dos personagens, a qualidade da fotografia enfim a obra como um todo.

     Um livro sou o leitor, percorro página a página com o entusiasmo de absorvê-las, sem nenhum filtro de validade com meu referencial teórico, não nego que vou coletar impressões é para isso que leio e sempre busco não julgá-las, melhor consigo fazê-lo sempre me colocando alinhado com a lógica do autor, isso sob o ponto de vista de leitor, no final sim confronto com meu alinhamento psicológico, sociológico e político com a obra e seu mentor.

     Também na participação em sociedade procuro este norte, os detalhes me chamam de imediato a atenção como a qualquer outro, guardo em mim a preocupação de somar o que não tinha visto o que não tinha sentido, o que está por trás de cada gesto, cada fala, cada atitude e aos poucos vou curtindo o prazer da sua presença, e não raras vezes me sinto feliz por nas aproximações de um mesmo olhar encontrar tantos talentos que em seu conjunto engrandecem o outro dentro de mim, assim vivo o empoderamento das pessoas como um todo ou no mínimo imagino fazê-lo.  

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