Ao reencetar meus
passos caminhando no contrafluxo do hoje até o passado o tanto que consiga
ainda reencontrá-lo, lamento sempre a dificuldade que tenho para me lembrar dos
meus sonhos, consciente de que sua análise tornaria mais fácil esta busca, é nela
que encontro todos os ingredientes que permitem construir a sobreposição projetada
de imagens do ser que hoje sou.
Se porventura me
perguntassem por que o faço explicaria que não acreditando no acaso o
conhecimento dos motivos é significante por propiciar redefinições de rumos,
colheita é uma dádiva universal, todos a usufruem, agora colher o que plantou
tem outro sabor, e nesse caminhar reverso justifico a minha aproximação da ideia
anarquista, depois de recorrentes adesões a lutas para substituição do poder
por forças de esquerda hoje apenas o quero extinto.
Não me preocupo
com o rótulo de individualista que possam associar-me, acredito sim que é inata
à vocação social, nasci para a convivência com outros homens e com a natureza,
mas essa dimensão social só ocorre quando livre construo-me por mim mesmo,
abrindo caminho para contratos entre iguais, sendo meu único dono posso
conviver com relações isentas de domínio onde o poder só exerce cada parte
consigo mesmo.
Parto da certeza
que nenhum governo é capaz de gerar o melhor para o homem logo é desnecessário além
de ser uma obstrução ao crescimento do mesmo, desejos comuns a vários
indivíduos são facilmente alcançáveis por colaboração espontânea, que funcionará
enquanto houver o interesse exclusivamente pessoal dos participantes, tornam-se
desnecessários partidos políticos e lideranças intelectuais, só precisamos do
propício ambiente igualitário para o crescimento dos seres humanos, sem
hierarquia não existe conflito.
Nada justifica o
ato de poupar somos capazes e produzimos a riqueza necessária para toda a
população da Terra, tão somente é necessário disponibilizá-la em um armazém
comum, o que com advento do mundo totalmente conectado deixou de ser uma
ficção, esse organismo deve ser livre de qualquer tipo de gestão, onde todos se
sirvam de acordo com sua necessidade, a distribuição igualitária da riqueza
produzida tirará do homem qualquer necessidade de fraudar outrem, sem posse não existe roubo.
Oportunidades
iguais desde o nascimento geram homens livres destinados a darem o seu melhor
para o uso de todos, seus talentos diferenciados com certeza favorecem uma
comunidade solidária, um homem livre trabalha movido pela sua própria
realização o que se mostra tão somente pelo uso comum do resultado, se a esses
conceitos designam a palavra anarquia concluo então que sou anarquista graças
ao Homem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário