Surpreendi-me neste sábado de
manhã com um grupo de estudos com mais de trinta participantes reunidos para
debater direção feminina de cinema, admito que por conhecer o idealismo das
gurias que organizaram a “Academia das Musas” não teria qualquer motivo para duvidar
do mesmo devia simplesmente preparar-me para os cumprimentos pelo sucesso
inevitável, foi isso que realmente aconteceu início de janeiro em plenas férias
de verão e eu as parabenizando pelo grande evento que deve espraiar por todo o
ano 2016.
O debate foi excelente, bom
posicionamento sobre cinema, boa leitura do filme, clareza quanto às qualidades
de sua diretora e do momento sócio econômico cultural vivido hoje no mundo, o
filme escolhido foi “Garotas” de 2014 da diretora francesa Céline Sciamma, não
foi difícil constatar que com ela estávamos falando de cultura, de psicologia
social, de cinema e porque não de feminismo, fazia algum tempo que não postava
algo sobre cinema, agora não consegui fugir a expor minha opinião.
Vendo esse ultimo filme de Céline
Sciamma, começo a formar um conceito forte sobre o seu trabalho, a mim
particularmente a diretora que já havia chamado atenção no filme “Tomboy” de
2011 por sua qualidade em mostrar mais do que julgar, impressiona pelo seu posicionamento
justo no sentido de não agregar nem culpa nem mérito tão somente fatos como o
são a partir de suas motivações psicológicas, sociais e políticas, seus filmes
trabalham o ser humano como multifacetado. Gosto disso e me sinto na obrigação
de estudar muito mais sua obra.
A protagonista vive no filme
esta fase complicada da adolescência, acrescente-se a isso o local onde habita
a periferia de Paris, estamos somando indicadores negativos, desconforto
financeiro que o contraste com os bairros vizinhos demonstra bem, com o fato de
ser negra onde é minoria dentro da sociedade de excluídos aí estabelecida, com
o agravante de ser mulher em local de forte predominância masculina em uma estrutura
de poder baseada na violência.
O que tem me chamado atenção
na direção da Céline é a abertura com que ela trabalha os conflitos, estes
nunca são uma disputa entre o bem e mal, não estamos falando de bandidos e
mocinhos, estamos sim trabalhando situações de poder e a capacidade de
resistência de cada um frente a estas, começando pela família, passando pela
escola e chegando às relações socioeconômicas como um todo.
O bônus foi todo meu ao ser
contemplado com este iluminado olhar feminino, tanto por parte da diretora como
dos participantes do grupo de estudos “Academia das Musas”, bom início de ano. Esses encontros quinzenais prometem muito, só tenho motivos
de estar com alto nível de alegria, com certeza estarei presente em todas as
reuniões.
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