Quando falo em cinema
todo dia para mim é dia de espetáculo, no último fim de semana meus momentos de
cinéfilo aconteceram com um primor de qualidade, estou falando de filmes destes
ótimos diretores: o britânico David Lean e o iraniano Abbas Kiarostami, falando
de películas dirigidas no século recém-terminado, na década de cinquenta (A
Ponte do Rio Kwai, 1957, Lean), setenta (A Filha de Ryan, 1970, Lean) e noventa
(A vida continua, 1991, Kiarostami), praticamente 8 horas intercaladas entre intervalos
destinados de reflexão e pura arte composta por preciosas descrições de seres
humanos e seu meticuloso jogo de inteligência na participação do palco social.
Tudo aconteceu na
Cinemateca Capitólio, alegria de sessões sempre com casa cheia, todos os merecidos
créditos aos dedicados gestores deste grande espaço cultural e às lideranças do
grupo de estudos Aurora para as quais o cinema é paixão e prioridade, o ano de 2016
continua me mostrando como norte o caminho de bons frutos a serem colhidos na
cultura e nas relações pessoais, hei de saber saboreá-los, podem apostar.
O ridículo da
guerra desaba sobre nossas cabeças como a construída/destruída ponte do Rio
Kwai, na exposição dos protagonistas aos absurdos gerados no entorno do combate,
a imagem em movimento contempla uma fotografia selvagem e bela como é a característica
da Tailândia, apesar de rodado na verdade no Sri Lanka, com a incorporação das
distintas personalidades exibidas pelos atores que nos apresentam uma leitura
especial do ser humano e suas verdades individuais expostas a situações
adversas geradas pelas estruturas de poder e suas exigências.
O povo irlandês e
sua maneira característica de enfrentar as adversidades é o que nos mostra a
filha de Ryan, onde o domínio inglês, a população subjugada e seu movimento de
libertação são o pano de fundo para as diversas personalidades desfilarem,
encontramos muita paixão correspondendo a corajosas atitudes políticas e
individuais, encontramos covardia acompanhada de culpa e traição, encontramos o
trauma físico e psicológico da guerra, principalmente encontramos pessoas que
erram e acertam enfrentando a difícil tentativa de viver, além das paisagens
lindas com seus rochedos e seu encontro com o mar.
O terremoto sendo
seguido em seu rastro de destruição por um diretor de cinema com seu filho é o
terceiro do conjunto de filmes, vi-o no fim da manhã do sábado, tem nas imagens
da natureza profanada pelo homem, natureza esta que em sua reação transforma
quase tudo construído pelo homem em demolição, um carro
em movimento abre uma janela para a observação deste Irã e em suas paradas
estratégicas encontra a dor da perda vivida por cada um dos sobreviventes como
encaram a perda e a necessidade de seguir adiante apesar do tamanho da
hecatombe, a simplicidade das relações pessoais e a humildade do povo ao
enfrentá-la é a grande marca deste ótimo “A vida continua”.
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