terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Carol, Múltiplas Janelas Abertas

     O que vejo confortavelmente sentado nas poltronas da sala de exibição é o filme Carol e suas múltiplas janelas abertas, são mulheres fortes, na película quase todas o são independente do seu posicionamento em relação à vida, Carol, sua amiga, sua sogra e a sua nova paixão, os homens fracos sem alma própria são personagens escondidos na fragilidade da casca masculina o que vale tanto para o marido de Carol como para o pai deste, estendido aos pretendentes as graças da jovem balconista da loja.

     Pela janela por qual olha Marx, o filme nos mostra a flagrante diferença de classes entre os trabalhadores das lojas, suas bicicletas e seus sanduíches em singelos apartamentos, contraposta pela vida burguesa com seus carrões sofisticados e jantares em casas espetaculares, comprando trens elétricos de brinquedo para seus filhos que representam muitos meses de salário dos vendedores oprimidos que vemos a partir do simples detalhe da obrigação de usar um gorro de Papai Noel que não lhes agrada, passando pelo aguentar a cara feia de um chefe por uma ligação telefônica recebida até chegarmos à despojada situação econômica em que vivem.

     Já do ponto de vista da janela de Freud por certo o mesmo encontraria uma grande oportunidade de confirmação de suas descobertas ao analisar o Marido de Carol, inseguro, vingativo, chantagista e dependente, destruído pelo controle absoluto da poderosa matriarca que é sua mãe, só a cena do jantar onde a mãe reina absoluta sobre um esposo encolhido e um filho inseguro, dando as cartas e jogando de mão, lhe serviria para exemplificar muitas de suas teses, ela comando os dois na festa sutil de comemoração de uma aparente vitória sobre Carol aí presente.

     Se o voyeur é Tolstoi de sua janela encontra justificativas evidentes para seu anarquismo pacifista e uma resposta maravilhosa com Carol contra o governo representado pelos pares da pretensa justiça, são apenas bonecos entretidos em armações para submeter Carol ao pseudopoder do marido que nada mais é que a opressão da moral social institucionalizada, o que não o conseguem pela força demonstrada pela protagonista ao encontrar a solução do dilema escolher entre a filha amada e o direito a sua opção de vida, aposta na vida como sendo a única que abrirá novos caminhos para a própria filha, sugere ficar sem guarda da mesma desde que com garantia de direito de convívio.


     Gostei muito do filme, um dos melhores entre os atuais, romântico não como conto de fadas e sim pela construção interna de uma convicção do gostar, a jovem com a simplicidade de quem sabe ler-se e como consequência decidir, diz os “NÃO” e os “SIM” adequados a sua vontade interior, mas não param aí seus talentos: mostra-se capaz de gerar as oportunidades, de fazer acontecer seus desejos íntimos com total independência em relação moral vigente, recomendo para os amigos assistir, não vão se arrepender.

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