segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sonho Leve, livre e Solto.

     Nosso lúcido Sigmund Freud ao destacar a busca do prazer e da felicidade como vocação inata do ser humano nos fala nos seus três principais inimigos, o nosso decadente corpo condenado desde sempre à morte e consequente extinção, o mundo externo com sua beleza embebida de armadilhas e talvez o mais impactante o relacionamento com os outros homens, se precisamos de contratempos para reflexão me parece que estamos frente a frente a três temas interessantes para 2016.

     Como é muito difícil definir prazer e felicidade o que leva a lembrar de Goethe nosso poeta quando ele afirma “nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de belos dias”, o bom combate me direciona aos empecilhos para os mesmos com a absurda esperança de que ao destravá-los guerreando com seus inimigos por si só os alcançarei apesar de continuar não os decifrando e menos ainda os entendendo.

     Quando ao corpo posso por certo virar o jogo, sua principal característica e destino é ser fonte de prazer e para tal exige apenas maior compreensão, estou mentalmente sempre respondendo as suas exigências e manifestações infelizmente o faço de maneira condicionada por experiências anteriores sem lhe dar a devida atenção, esqueço que tenho que parar sobre cada uma das suas queixas minorando-as, bem como sobre suas satisfações expandindo-as, com a consciência plena de seus movimentos e motivações, por certo a receita ideal de seu melhor funcionamento só cada qual pode aviá-la a si mesmo, o que está muito longe da multidão de treinamentos genéricos espalhados por falsos profetas da saúde.

     O mundo externo hoje completamente dominado pelo homem é o próprio exemplo da nossa incapacidade de querer bem, se era historicamente hostil no princípio quando as duas partes não se conheciam harmonizávamos nossas potências tirando deste a força do nosso crescimento, dominado sublevado em sua característica ele esperneia como um moribundo angustiado em todas as direções, atingindo quem quer esteja no seu entorno de maneira descontrolada e imprevisível convertendo-se então por isso mesmo em um perigoso inimigo capaz de ameaçar nossa futura sobrevivência, também por este viés me parece confortável trilhar o caminho da sustentabilidade o que permitirá que caminhe lado a lado deste em condições de igualdade.        

     No relacionamento com os outros homens, compartilho a opinião da maioria dos filósofos encontra-se a maior dificuldade a realizar, acaricio o sonho de que o seja leve, livre e solto, tenho clareza da complexidade funcional da psique humana com os carregados superegos que cultivamos em nossa curta história sobre a Terra, não acredito que no curto prazo possamos abrir mão da intensidade e agressividade com as quais jogamos as múltiplas partidas que representam cada pequeno encontro, mas como já diziam nossos filósofos, sonhar é preciso.

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