quarta-feira, 4 de março de 2015

Duas faces do Western Spaghetti de Leone.

     Entrei na sala de cinema, de imediato a trilha sonora da época foi o meu primeiro bônus, sim ali estava eu em final de fevereiro de 2015, matando saudades, revendo o desmonte do bang-bang tradicional via Sergio Leone, foi para mim uma grande oportunidade, e por certo só poderia ser assim, muito vibrei nas décadas de sessenta e setenta com esse tipo de filme, e consegui ver no intervalo de poucos dias duas visões de pontos extremos do diretor, seu primeiro Western (Punhado de Dólares - 1964) e o último (Quando Explode a Vingança - 1971), valeu time da P. F. Gastal.

     No primeiro nos deparamos com a impressionante matança de pistoleiros por um solitário cavaleiro errante, cercado de inúmeros adversários, com tiroteios espalhafatosos, duelava contra quatro pistoleiros ao mesmo tempo e não deixava por menos, vencia-os sempre zelando pelos quesitos de Herói solitário, mágicas como duelo final com a canhota lhe tinham quebrado a direita e a proteção de aço escondida no peito para baixar a moral do adversário, a paixão que não se realiza prefere deixar a mocinha com o marido e filho depois de resgatá-la dos bandidos, os “malvados” caricatos em sua arrogância com suas poucas luzes contrapondo a inteligência do mocinho portador de uma amoralidade vaidosa e irônica.
    
     No segundo, tudo inicia com uma citação de Mao Tsé-Tung sobre a violência que deve conter uma revolução, o que abre caminho para a sádica agressividade do militar que representa o governo matando milhares de indefesos, com seu sadismo visível nos famosos close-ups do diretor o contraponto dos heróis que se tornam parceiros via aprontadas múltiplas entre si, sem faltar à disputa irônica de vaidades, um no papel de falso inocente representada pelo esperto camponês mexicano e outro um personalíssimo especialista em explosivos egresso do movimento IRA irlandês que provoca grandes matanças via sua especialidade.

     Traição expondo a fraqueza humana, cena em flashback sobre sua ocorrência na Irlanda, enquanto observava a mesma cena no México, defendendo a tese de sua recorrência é um dos pontos altos do filme e novamente vários close-ups, com duas respostas diferentes para o mesmo tema, uma com papel de justiceiro vivido pelo mocinho, outra o mesmo oportunizando ao traidor a redenção na morte em um pretenso ato heroico, sempre explorando muito bem as expressões dos rostos para escancarar os sentimentos dos mocinhos, dos bandidos e dos traidores.


     Entre o primeiro e o último filme de faroeste deste diretor tivemos um período de acontecimentos importantes, o desmonte da União Soviética, a implantação de ditaduras na América Latina por parte dos americanos, maio de 1968 na França e o malogrado destino das revoluções, o que explica a diferença entre os dois filmes, mas sempre com a irreverência do mocinho, a violência praticada pelos bandidos e principalmente a quebra do padrão de comportamento estabelecido para cada um dos papéis no western tradicional, grande Sergio Leone, e hoje tem mais, é dia de Claudia Cardinale em Era uma Vez no Oeste, estarei lá.       

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