Entrei na sala de
cinema, de imediato a trilha sonora da época foi o meu primeiro bônus, sim ali
estava eu em final de fevereiro de 2015, matando saudades, revendo o desmonte
do bang-bang tradicional via Sergio Leone, foi para mim uma grande oportunidade,
e por certo só poderia ser assim, muito vibrei nas décadas de sessenta e
setenta com esse tipo de filme, e consegui ver no intervalo de poucos dias duas
visões de pontos extremos do diretor, seu primeiro Western (Punhado de Dólares
- 1964) e o último (Quando Explode a Vingança - 1971), valeu time da P. F. Gastal.
No primeiro nos
deparamos com a impressionante matança de pistoleiros por um solitário cavaleiro
errante, cercado de inúmeros adversários, com tiroteios espalhafatosos, duelava
contra quatro pistoleiros ao mesmo tempo e não deixava por menos, vencia-os sempre
zelando pelos quesitos de Herói solitário, mágicas como duelo final com a
canhota lhe tinham quebrado a direita e a proteção de aço escondida no peito
para baixar a moral do adversário, a paixão que não se realiza prefere deixar a
mocinha com o marido e filho depois de resgatá-la dos bandidos, os “malvados” caricatos
em sua arrogância com suas poucas luzes contrapondo a inteligência do mocinho
portador de uma amoralidade vaidosa e irônica.
No segundo, tudo
inicia com uma citação de Mao Tsé-Tung sobre a violência que deve conter uma
revolução, o que abre caminho para a sádica agressividade do militar que
representa o governo matando milhares de indefesos, com seu sadismo visível nos
famosos close-ups do diretor o contraponto dos heróis que se tornam parceiros
via aprontadas múltiplas entre si, sem faltar à disputa irônica de vaidades, um
no papel de falso inocente representada pelo esperto camponês mexicano e outro
um personalíssimo especialista em explosivos egresso do movimento IRA irlandês
que provoca grandes matanças via sua especialidade.
Traição expondo a
fraqueza humana, cena em flashback sobre sua ocorrência na Irlanda, enquanto observava
a mesma cena no México, defendendo a tese de sua recorrência é um dos pontos
altos do filme e novamente vários close-ups, com duas respostas diferentes para
o mesmo tema, uma com papel de justiceiro vivido pelo mocinho, outra o mesmo oportunizando
ao traidor a redenção na morte em um pretenso ato heroico, sempre explorando
muito bem as expressões dos rostos para escancarar os sentimentos dos mocinhos,
dos bandidos e dos traidores.
Entre o primeiro
e o último filme de faroeste deste diretor tivemos um período de acontecimentos
importantes, o desmonte da União Soviética, a implantação de ditaduras na América
Latina por parte dos americanos, maio de 1968 na França e o malogrado destino das
revoluções, o que explica a diferença entre os dois filmes, mas sempre com a
irreverência do mocinho, a violência praticada pelos bandidos e principalmente
a quebra do padrão de comportamento estabelecido para cada um dos papéis no
western tradicional, grande Sergio Leone, e hoje tem mais, é dia de Claudia
Cardinale em Era uma Vez no Oeste, estarei lá.
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