quinta-feira, 26 de março de 2015

A Estação do Ano

     Perdi-me nos hemisférios com certeza, acredito que ainda não tinha acordado, estava investigando, no início da manhã quando começaria a primavera, a resposta não tardou há apenas dois dias tinha começado o outono por aqui, esta foi a correta informação que recebi, apenas pude sorrir e me desculpar utilizando o recém acordar como justificativa, esquecido da conversa cheguei a Paris em viagem por imaginação e encontrei as árvores completamente desfolhadas no inverno agora nesta época do ano começando a ficar verdes, com suas folhas avançando por todos os lados em todas as ruas.

     Minutos após esse despertar caminhando em torno do parque Germânia, um dos usuais parceiros de percurso, cujo caminhar na direção invertida ao meu permite os comprimentos na primeira volta e as despedidas na última, não consegui esconder a grande alegria com a chegada do outono, não tive dúvidas e de imediato lhe relatei a confusão feita com a primavera, sugerindo como motivo o desejo de migrar, por tempo limitado, para a cidade luz, contabilizei essa conversa como um indício a mais, o fato de estar na estação do ano errada estava tornando-se recorrente.

     Se me perguntassem por quê? O que de tão importante faria em Paris? Responderia com um sonoro "Nada", o que significa esse nada, apenas andar por Paris sem nenhum objetivo especial, revisitar ruas, bares, cinemas, recantos culturais, até mesmo ser o porto seguro das investidas de trem a tantas cidades belas em países vizinhos como Copenhague, Amsterdam, Colônia, Roma, Veneza, Zurique entre tantas outras, repetindo-me em ir e voltar que sempre acaba bem em Paris.

     Parece que uma teia de acontecimentos organiza-se a apontar para um rememorar de vivências, outras coincidências desde o interesse de minha filha no cinema que em Porto Alegre tem influência francesa muito grande, como o cuidado e talento de meu filho em planejar possibilidades financeiras, até o meu tempo estar despojado de amarras, muito livre para tomar decisões desse tipo, respaldado pelo andar com os próprios pés e bem dos dois pares de filhos.


     Como sempre não acreditando em plano de vida, mas em opção consciente de viver, percebo que os caminhos se iluminam no somatório das pequenas decisões, assim como o trem segue a rota resultante do adequado manejo das bifurcações dos trilhos, eu hoje leio as pistas mais facilmente, conseguindo entender que o local melhor é o do momento e este o será sempre resultante das opções que fiz, e o vejo sinalizando o futuro, em mais ou em menos dias, como um inevitável chegar lá e viver a primavera.       

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