Perdi-me nos
hemisférios com certeza, acredito que ainda não tinha acordado, estava
investigando, no início da manhã quando começaria a primavera, a resposta não
tardou há apenas dois dias tinha começado o outono por aqui, esta foi a correta
informação que recebi, apenas pude sorrir e me desculpar utilizando o recém
acordar como justificativa, esquecido da conversa cheguei a Paris em viagem por
imaginação e encontrei as árvores completamente desfolhadas no inverno agora nesta
época do ano começando a ficar verdes, com suas folhas avançando por todos os
lados em todas as ruas.
Minutos após esse
despertar caminhando em torno do parque Germânia, um dos usuais parceiros de
percurso, cujo caminhar na direção invertida ao meu permite os comprimentos na
primeira volta e as despedidas na última, não consegui esconder a grande
alegria com a chegada do outono, não tive dúvidas e de imediato lhe relatei a
confusão feita com a primavera, sugerindo como motivo o desejo de migrar, por
tempo limitado, para a cidade luz, contabilizei essa conversa como um indício a
mais, o fato de estar na estação do ano errada estava tornando-se recorrente.
Se me
perguntassem por quê? O que de tão importante faria em Paris? Responderia com um
sonoro "Nada", o que significa esse nada, apenas andar por Paris sem
nenhum objetivo especial, revisitar ruas, bares, cinemas, recantos culturais,
até mesmo ser o porto seguro das investidas de trem a tantas cidades belas em países
vizinhos como Copenhague, Amsterdam, Colônia, Roma, Veneza, Zurique entre
tantas outras, repetindo-me em ir e voltar que sempre acaba bem em Paris.
Parece que uma
teia de acontecimentos organiza-se a apontar para um rememorar de vivências, outras
coincidências desde o interesse de minha filha no cinema que em Porto Alegre tem
influência francesa muito grande, como o cuidado e
talento de meu filho em planejar possibilidades financeiras, até o meu tempo
estar despojado de amarras, muito livre para tomar decisões desse tipo, respaldado
pelo andar com os próprios pés e bem dos dois pares de filhos.
Como sempre não
acreditando em plano de vida, mas em opção consciente de viver, percebo que os
caminhos se iluminam no somatório das pequenas decisões, assim como o trem segue
a rota resultante do adequado manejo das bifurcações dos trilhos, eu hoje leio
as pistas mais facilmente, conseguindo entender que o local melhor é o do
momento e este o será sempre resultante das opções que fiz, e o vejo sinalizando
o futuro, em mais ou em menos dias, como um inevitável chegar lá e viver a
primavera.
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