sexta-feira, 27 de março de 2015

A Morte como realização da Vida

     Nosso escritor e poeta nascido em Praga no Império Austro-Húngaro, hoje República Tcheca, Rainer Maria Rilke, em um de seus livros foi quem melhor me descreveu sua excelência a morte ao defini-la como pessoal e intransferível, em outras palavras dizendo que cada um tem a morte correspondente a sua pessoa, exemplificava via a morte de um tio poderoso que envolveu por vários dias toda a comunidade que dependia dele através de manifestações e ruídos gigantescos que deixavam toda a vila insone.

     Quando moleque por sorte mais desencontros com a mesma, movia-me em direção a sua companhia com frequência, mas o máximo que conseguia e por diversas vezes foi um conjunto de ossos quebrados, coisas da idade que se manifesta pela irreflexão e traquinagem e por sorte minha foi marcado por desencontros, depois amadurecido sempre que se possa admitir que um homem do sexo masculino possa amadurecer, fui me encontrando com essa figura tétrica quando manifestava sua presença indesejada junto a pessoas de quem gostava.

     Certo, me rendo sou obrigado a admitir, sempre passou por mim rápida quase não percebida por certo por vontade minha e não dela afetavam-me as causas e o buraco branco da ausência das pessoas queridas muito mais do que o próprio ato de morrer, porém nos últimos tempos a partir do final do ano passado começou a andar de braços dados no dia a dia comigo, na miscigenação de sua imagem com a da minha mãe a ponto de confundirem-se com uma só pessoa, ora via minha mãe ora via a morte.

     Sou de não olhar para trás, nunca dei muita bola para o após, não sou frequentador de velórios, enterros e cemitérios, são eventos que não me dizem praticamente nada, mas sim frequento a vida e suas explicações, e foi assim que vivi o perder minha filha, sim a perdi recém-nascida por dificuldades respiratórias, nunca pude aceitar, não a morte e sim a negligência a falta de aparelhagem que a pudesse salvar, e a enterrei e página virada, o que vale é quem ficou.


     Claro já perdi amigos, claro já perdi parentes e em quase todos os casos convicto fiquei de que era o momento em que o desejavam, também quero morrer quando o desejar, sem barganhar migalhas de vida de má qualidade, apenas viver com forças próprias minhas, desejo eu próprio embalar-me ou então ser jogado inerte no colo da morte é o que realmente vai realizar-me, e a quero do meu tamanho, com alegria retornar ao pó do qual um dia nasci e tendo a minha morte como celebração da vida.

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