Nosso escritor e poeta nascido em Praga no
Império Austro-Húngaro, hoje República Tcheca, Rainer Maria Rilke, em um de
seus livros foi quem melhor me descreveu sua excelência a morte ao defini-la
como pessoal e intransferível, em outras palavras dizendo que cada um tem a
morte correspondente a sua pessoa, exemplificava via a morte de um tio poderoso
que envolveu por vários dias toda a comunidade que dependia dele através de manifestações
e ruídos gigantescos que deixavam toda a vila insone.
Quando moleque por sorte mais desencontros
com a mesma, movia-me em direção a sua companhia com frequência, mas o máximo
que conseguia e por diversas vezes foi um conjunto de ossos quebrados, coisas
da idade que se manifesta pela irreflexão e traquinagem e por sorte minha foi
marcado por desencontros, depois amadurecido sempre que se possa admitir que um
homem do sexo masculino possa amadurecer, fui me encontrando com essa figura tétrica
quando manifestava sua presença indesejada junto a pessoas de quem gostava.
Certo, me rendo sou obrigado a admitir,
sempre passou por mim rápida quase não percebida por certo por vontade minha e
não dela afetavam-me as causas e o buraco branco da ausência das pessoas
queridas muito mais do que o próprio ato de morrer, porém nos últimos tempos a
partir do final do ano passado começou a andar de braços dados no dia a dia
comigo, na miscigenação de sua imagem com a da minha mãe a ponto de confundirem-se
com uma só pessoa, ora via minha mãe ora via a morte.
Sou de não olhar para trás, nunca dei
muita bola para o após, não sou frequentador de velórios, enterros e
cemitérios, são eventos que não me dizem praticamente nada, mas sim frequento a
vida e suas explicações, e foi assim que vivi o perder minha filha, sim a perdi
recém-nascida por dificuldades respiratórias, nunca pude aceitar, não a morte e
sim a negligência a falta de aparelhagem que a pudesse salvar, e a enterrei e
página virada, o que vale é quem ficou.
Claro já perdi amigos, claro já perdi
parentes e em quase todos os casos convicto fiquei de que era o momento em que
o desejavam, também quero morrer quando o desejar, sem barganhar
migalhas de vida de má qualidade, apenas viver com forças próprias minhas, desejo
eu próprio embalar-me ou então ser jogado inerte no colo da morte é o que
realmente vai realizar-me, e a quero do meu tamanho, com alegria retornar ao pó
do qual um dia nasci e tendo a minha morte como celebração da vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário