quarta-feira, 11 de março de 2015

A Briga.

     A memória me falha às vezes, o ambiente era um salão, algo tipo cadeiras, mesas, bebidas, pessoas, são vários que existem assim e muitos frequento, bem não sei qual o local, essas coisas acontecem muito rápido, percebi como quem tem as famosas intuições que estava sendo observado e o que mais me desagradava, com animosidade, no princípio era apenas uma sensação, eu tentei libertar-me, foi impossível, a sensação de desconforto tomou conta de mim.

     Incrível, mas também não me foi possível saber quem estava comigo, sim estava com alguém, pois não bebo sozinho a não ser lendo em casa, mas recordo bem, o fato é que associei a sensação de mal estar com uns caras, um grandalhão e um baixinho eu os via, é certo que estavam centrados na minha pessoa, mais certo ainda que não fosse um foco amistoso, havia um clima pesado no ar e apontando em minha direção.

     O que refleti e isto sim me vêm à memória de maneira muito viva, “ainda bem que sou grande, apesar de mais gordo do que forte, talvez isso os intimide”, era evidente que eles estavam querendo confusão, estavam claramente tentados a provocar alguém, não sei por que cargas d'água o alvo era eu, que não queria nenhum tipo de complicação, não me lembrava de nada que pudesse ter feito para justificá-la, aparentemente era apenas um caso de “sorteio do bife”, queriam uma briga, randomizaram a escolha de alguém, intimamente encontraram uma desculpa qualquer, e óbvio, eu não tinha a menor ideia porque fora o escolhido e nem mesmo porque tinha entrado nesse sorteio.

      A continuidade era óbvia, tomaram a decisão, e parece que só para tirar um sarro com a minha cara, quem antes mais perto chegou foi o baixinho, metido a invocado que venho logo arrastando cadeiras, buscando com a provocação o motivo final para o imbróglio, voltam-me as imagens, no momento bem refleti não quero brigar aqui, nem agora, nem nunca, porém me parecia inevitável, estava envolvido independente do meu querer, um pensamento rápido me alcançou, deve ter algum segurança por aí para evitar esta coisa desagradável, não brigo nunca, não tenho vontade, nem motivação, não consigo nem ter raiva ou ficar aborrecido com a ignorância dos caras, enquanto pudesse evitar o confronto o faria.

      Acordei, sim era um sonho e isso evitou essa briga idiota, dificilmente recordo os meus sonhos, mas esse despertou comigo, incrustado na memória. Comecei a refletir sobre a violência, sobre a minha decisão de não participação na mesma, sobre a inevitabilidade de certos conflitos, certas guerras, lembrei-me de Gandhi, da resistência passiva, e mais que tudo da consciência perversa do poder que tudo pode e sempre usando a violência, dos mais requintados tipos, impõem suas vontades sem pedir licença em nome apenas do tamanho e força, é hora de despertarmos.       

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