Não só o que escrevo, mas o que todos
escrevem é sempre ficção, pois está apoiado no presente e em sua conjuntura, o
habitat exterior e interior de quem escreve, a verdade deste instante pode ser
a mentira do imediatamente anterior e é de imprevisível definição no próximo
momento.
A própria ciência, construída sobre
raciocínios lógicos, apoiada em pesquisas anteriores, deduzida a partir de
verdades aceitas por todos, documentada e demonstrada nada mais é do que um
continuado negar-se reflete sempre o momento da humanidade, estamos sempre
montando um castelo de cartas que qualquer brisa pode derrubar.
Bato nesta tecla pela impossibilidade de
reproduzirmos emoções, pois condições interiores e exteriores de um determinado
momento não o permitem por serem irreproduzíveis e se mesmo assim tentássemos retratá-las
por um texto já não seria mostrado o momento real e sim a análise daquele
momento, pois quando o escrevemos estamos vivendo em circunstâncias muito
diferentes das ocorridas.
Isso passa de instante a instante,
obrigando-nos a sempre contar uma estória e nunca a história propriamente dita,
também me vejo vivendo o mesmo fenômeno nas minhas leituras e releituras,
sempre é diferente, sempre tem sua marca da hora da leitura, sempre é vida real
transformada em lembranças que nunca são as mesmas.
O que não invalida o fato de a
descrevermos, pois por ser ficção tem certamente um valor nominal morto por ser
passado e também vivo em todas as releituras que faremos ou que outros o farão
e assim infinitamente poderão criar vidas novas nas almas das pessoas.
Assim quando tento montar um conto, analisar
uma situação do dia a dia, passar uma reflexão, narrar uma ocorrência ou
simplesmente dizer algo no papel, estou apenas permitindo que os poucos
leitores produzam suas próprias escritas, pois não leem o que escrevi (nem mesmo
eu o leria) e sim o seu próprio texto.
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