segunda-feira, 26 de maio de 2014

A Arte Ria - Desencontro

     Uma década atrás, assim eu o via entretido em buscar recursos técnicos para a plateia agradar, trazer-lhe todas as respostas cercá-la de opções de convivência, sim o vejo agora, vivendo este flashback, em espiral roda cadeira, flashback, cadeira!!! Retorna no tempo, anos de convivência festiva, porém sinais claros já havia, os caminhos eram paralelos, completamente diferentes.  

     A plateia tinha seus parceiros e todos participantes dos espetáculos, porém eram comemorações em separado, o Palco era o espaço de agradar apenas, enquanto a plateia vivia a vida a sua maneira, com suas alegrias e tristezas, ele por outro lado alegrava-se em consumir do palco o viver dela.

     Ele insistia em preparar-se, buscava todas as maneiras de realizar as vontades da plateia, apoiava-a em suas manifestações de amor e ódio, corria a proporcionar melhores situações, cultivava os frutos resultado desta união com dedicação e zelo, porém era o ator, tinha sua personalidade não podia estar na plateia e sim apenas dedicar-se a ela. 

     Este caminho paralelo, suas vivências anteriores completamente diferentes, com interesses amplamente distanciados nos objetivos, só podia resultar no afastamento, cada qual seguia seu rumo pensando no outro, mas sem o nível de convivência desejado por alegrias diferentes impossíveis de serem compartilhadas.

     Juro que ele tentou, e tentou muito refazer os laços, mas a plateia já tinha decidido seria infeliz com esta peça, ela era uma apresentação que não correspondia ao seu instinto, nunca seria o seu interno viver, e ela não podia negar, qualquer movimento em volta do teatro, qualquer ocorrência em volta do palco parecia uma melhor representação, pois encaixava no seu modo de ser.

     Bendito os frutos que puderam então sim manter vivo o espetáculo, era o ponto de junção, talvez a afinidade única que podia render algo em termos de continuação.

     Artéria, sangue, corpo, tecidos nervosos, paixões, alma a arte da vida, continuamos outra hora, quem sabe...   

Nenhum comentário:

Postar um comentário