Certo, justo,
sim a plateia por inteira de costas, e ele imóvel gesticulando em pensamento,
interpretando n'alma, sessão após sessão, teimosamente dedicava-se
integralmente a aceitar esta virar-se de costas, permanecia fiel a sua plateia
e ao sonho de novamente ser aplaudido, ou pelo menos não mais ouvir os
xingamentos que mesmo de costas lhe proferiam, nunca conseguiu entender quão
grave era sua representação para que seguisse nesta procissão de imobilidade.
Às vezes
tentava uma bobagem, entrar bêbado no palco, tentar uma aproximação flertar com
a busca de outra plateia, porém ele sempre soube que era impossível romper este
estranho detestar, sentia-se odiado sem entender, mas compreendia que isso não
poderia ter nada com ele era apenas uma necessidade da plateia de buscar um
inimigo que ajudasse a suportar algo que era tão só dela.
Se ele insistia
na imobilidade, eu bem o sabia, lhe parecia que tinha um ciclo a concluir,
porém essa o destruía aos poucos lhe tirava todo o foco todo o prazer de
dedicar-se às suas artes, tão somente a plateia com este continuado
humilhar-lhe poderia o fazer reagir e como vimos foi assim que aconteceu, houve
uma última apresentação, o que lhe parecia impossível, ele conseguiu finalmente
encerrar tudo.
Agora e este momento
que ele corroeu em sua alma, buscando esclarecer com esta regressão, o vejo
perplexo saber-se complemente impotente para em nenhum momento controlar a
relação, as variáveis colocadas mostram claramente que era completamente maluco
quebrar o rumo a este final indesejado, parece que ele não representa e tão somente
é participante de uma tragédia com a qual não tem coautoria.
Artéria, sangue, corpo, tecidos nervosos, paixões, alma a
arte da vida, continuamos outra hora, quem sabe...
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