Quase sempre que o encontrei com os
olhos úmidos, poucas vezes o foi por emoções tristes, mas muitas por pequenas
alegrias de afeto, a calmaria interna de sempre, não para mim nunca escondia os
redemoinhos que aos pares agitavam os subterrâneos de sua alma, jogava a culpa
ora sobre si ora sobre a incompreensão, quando bem sabia que culpados não havia
e a sentença sempre foi de absolvição.
O que precisava urgente era mais
tempo no camarim, necessitava rever do fim ao início, as pequenas decisões
tomadas que o condenaram a destruindo a relação construir o grande equívoco,
nunca teve dúvidas do fracasso e o viveu consciente da inevitabilidade de lutar
contra o fantasma no qual não acredita o destino.
Ele sempre soube, é assim mesmo que
funcionam, os pecados armazenados aos pouquinhos cada gesto interpretado como
um desamor cada defeito ou virtude visto como ameaça pois só podemos ver o
outro que desejamos e nunca o outro real. Magoamos muito sem saber, magoamos
muito sem querer, pois não somos agentes e sim apenas um espelho
onde o outro se enxerga e se administra.
Ele sempre soube que o teatro não existe,
a plateia vive suas angústias, seus desencontros, a infinidade de suas verdades
não resolvidas, por sua vez o ator, como personagem, imitação barata de algum
roteiro onde ele é tão seu próprio mocinho quanto dela o vilão bandido.
Vi-o lembrar-se de alguém que tinha dito
"O tamanho do amor é o limite do Ódio", teria não amado para não
conseguir odiar? Sentir-se odiado e apenas conseguir responder com tristeza e não
aceitação, do constante somar apenas diminuir-se, talvez fosse esse o seu maior
pecado, precisava superar a luz para voltar no tempo.
Artéria, sangue, corpo, tecidos nervosos,
paixões, alma a arte da vida, continuamos outra hora, quem sabe...
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