quinta-feira, 21 de abril de 2016

Resgate Improvável no Curto Prazo

      Perda incalculável em grandeza sendo seu resgate improvável no curto prazo este é o saldo para a esquerda brasileira dos últimos acontecimentos verificados nesta “mui amada terra de Santa Cruz”, admito que muito longe ainda de alcançar a qualidade e o tamanho do avanço das lutas populares existentes nos momentos anteriores ao golpe militar de sessenta e quatro, ainda assim ostentávamos ganhos sociais bem definidos e positivos no contexto político econômico.

     Também precisamos aceitar que a falta de coragem para assumir um governo de esquerda é a causa primeira do lamentável teatro do ridículo que presenciamos no último domingo, triste por escancarar que passamos os últimos treze anos engordando esta direita oportunista no próprio seio do governo e não satisfeitos por privilegiá-la nos lambuzamos com seu instinto predador dos bens públicos ao nos tornarmos seus cúmplices fechando os olhos para seu continuado depredar do patrimônio popular.

    Descontando o próprio PT tão somente o PSOL e o PC do B foram unânimes em votar contra o golpe, por cúmulo de ironia, partidos políticos que nunca estiveram nos planos para a composição de uma base de governo, como parceiros sempre se preferiram os fisiologistas da direita, o número pequeno de votos é o atestado inegável de que nenhum esforço foi feito para a construção de uma sólida esquerda nacional desmascarando a sede hegemônica do atual grupo no poder que prioriza sempre antes da luta contra o fascismo o desmonte dos concorrentes de esquerda.

     Não somos cegos e sabemos que o perfil de políticos frágeis e corruptos nasceu e foi embalado nos porões da ditadura militar, que assim os necessitava para dar uma falsa sensação de legitimidade em seu processo autoritário opressor contra os interesses do homem e da natureza, o que hoje como um câncer espalhou-se por todo o organismo nacional atingindo-o por inteiro, penso devemos considerar o momento como uma oportunidade, tanto de reconstrução da esquerda como das estruturas de governo em suas três faces o executivo, o legislativo e o judiciário.

     Não é possível abrir mão de colocarmos nas ruas nas redes sociais nos espaços públicos em geral uma grande mobilização para unir a esquerda em torno da manutenção da democracia, desmascarando assim o golpe branco, ampliando a luta para extirpar as condições favoráveis à corrupção combatendo-a no presente e nas estruturas que a farão possíveis no futuro ainda acrescendo um grande empenho na busca do voto compromissado com os anseios populares.

      Eleições gerais coincidência de mandatos em todos os níveis, a reforma política sempre lembrada sempre adiada como prioridade para a construção de um novo pacto social destinado a coibir a má distribuição de renda e ampliar os direitos do homem, a educação no seu sentido amplo de cultura do pensar está no rol principal das nossas necessidades atuais.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Escravo Eu sou Indolente e Insubmisso

     Surpreende-me deveras a defesa insana de um conjunto de argumentos discriminantes utilizados por uma elite econômica e intelectual, referem-se à separação dos homens em dois grupos, de um lado o grupo representado por uma grande maioria que nasceu e se criou preguiçosa obrigando a sociedade a forçá-la a trabalhar e de outro lado uma minoria iluminada que voluntariamente é apaixonada pelo labor diário a ponto de defini-lo como sua fonte de redenção pessoal, assim o fazem como se não fôssemos todos humanos sempre buscando realizar o mínimo necessário para garantir a justa qualidade de vida, se não admitirmos que os grilhões não possuem o mesmo peso para todos é porque não buscamos ver a verdade.

     Eu não me iludo, nós servos sim estamos organizados em uma hierarquia com tantos degraus e posições quanto são os necessários para garantir o bom funcionamento da sociedade de consumo, se os mentores nos permitem por certo mais do que consentir nos exigem o canibalismo social é porque a eles não interessa quem é o sujeito presente na lista “top alguma coisa”, convém que exista a lista por ser ela a própria fonte do desejo e desta resulta a realização da maior parte da caminhada na disputa ao direito de submissão sendo este o único direito admitido pelo poder.

     Quebrar esta cadeia apesar de tarefa simples exige decisões difíceis, estar à margem é uma atitude que não encaixa como solução, abdicar representa a morte, se quero a vida preciso participar do processo como ponto de resistência só vivendo a reação dentro do próprio sistema posso acreditar em esperança de mudança, pensar nesse tema lembra-me do paralelo com as guerras passadas onde sempre a não submissão do invadido minava pouco a pouco o poder usurpador levando-o a expor seus pontos fracos e a partir destes a sua derrota.

     Escravo sofisticado qualidade que não invalida o rótulo, impelido para uma estrada de caminho único com margens amplas que permitem zigue-zagues desde que não comprometam os predefinidos objetivos, necessito manter-me entre esses limites sempre que não queira marginalizar-me, o pouco que me sobra é a consciência do espaço que aí eu ocupo.
   
     Indolente o sou sempre que convocado para um labor que se justifique por si mesmo, o trabalho não é um objetivo em si deve ter uma razão de ser como atividade prazerosa e com resultado em qualidade de vida para a humanidade e a natureza.


     Insubmisso em respeito a mim como indivíduo negando-me a qualquer cumplicidade com atividades que ofendam ao homem ou à natureza, compromissado prioritariamente com a integridade interior aquela refletida na preocupação consigo e que me leva a ser justo.

sábado, 9 de abril de 2016

Golpe Branco o Preço da Traição

     Na plateia, pois foi o que nos sobrou, frente a frente com um espetáculo inusitado por seu absurdo acompanhamos na esteira do tempo os passos ensaiados de um golpe de estado branco, feito com a desfaçatez dos hipócritas que com sua fala mansa vendem como verdade o poder como fim em si mesmo, de fato é apenas retórica vazia que contamina o filme da vida nacional com um conjunto de planos onde todas as cenas têm foco no interesse particular e não no coletivo.

     Foi assim pouco a pouco sendo escrita a história em paralelo com outras similares na América Latina para conter a expansão da esquerda, sendo por demais conhecidas as orquestrações das forças econômicas e midiáticas não lhes faltou espaço para manipulação das taxas de câmbio, das taxas de juros, das altas de preços, das notícias com suas colunas de opinião a formarem sequências organizadas de fatos artificiais, sempre apoiados pela medição científica dos resultados via pesquisas de satisfação, claro nós sabemos é assim mesmo estamos em um tempo cuja especialidade é ter como forma de governo a geração de desejos na população.

     Assim como não compactuo com este golpe branco em andamento admito que a facção de esquerda atualmente no poder tenha responsabilidade por criar todas as condições para que o mesmo ocorresse ao trair as causas da esquerda, por consequência as do povo brasileiro, compondo um governo com as forças de direita, os mesmos que hoje estão a derrubá-lo, esta turma de golpistas foi alimentada em suas forças conspiratórias no próprio seio do governo e vejam só o preço que pagamos por esta traição: o golpe branco em andamento.

     Podemos sonhar ainda com a volta à origem algo que nos sonegaram no ano de sessenta e quatro, imagino agora a existência de oportunidade ímpar de uma guinada à esquerda, o que pode ser realizado primeiro expurgando os golpistas, depois costurando um governo com seus parceiros naturais os que carregam as diferentes bandeiras do pensamento revolucionário, tão somente assim poderíamos reavivar a chama do apoio popular e sedimentar as conquistas sociais obtidas acrescentando qualidade e quantidade de bem estar às classes menos favorecidas e a população em geral.

     Um governo assim constituído não teria facilidades e sim oportunidades para uma grande cruzada com o propósito de distribuir melhor as benesses do trabalho e eliminar realmente os acordos entre empresários e os agentes do poder, são conhecimentos da sabedoria antiga que a única forma de alcançar o justo é não faltar com a verdade consigo mesmo, logo esqueçamos o que as maiorias querem ouvir e concentremos nosso discurso na verdade interna cultivada em si independente do número de candidatos a ouvi-lo.                      

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ação dos Interesses Internacionais sobre a Nação

     Não precisamos procurar uma nação é só girar o globo e de olhos fechados apontar o dedo para um lugar qualquer, também não será necessário montarmos um “Big Data” dos diversos movimentos internos do seu povo e as origens das determinações que os ocasiona, quando Foucault fala que no inicio do que chamamos de período moderno na troca dos séculos XVIII e XIX mudou a maneira de governar com a substituição das leis de proibição/deveres para o povo por estratégias indiretas de estimulo e controle do desejo individual/coletivo escancarava o mundo globalizado no qual estamos inseridos onde nos é muito difícil separar o sutilmente sugerido do desejo real.

     Não precisamos procurar uma nação é só girar o globo e de olhos fechados apontar o dedo para um lugar qualquer, também não será necessário montarmos um “Big Data” dos diversos movimentos internos do seu povo e as origens das determinações que os ocasiona, quando Foucault fala que no início do que chamamos de período moderno na troca dos séculos XVIII e XIX mudou a maneira de governar com a substituição das leis de proibição/deveres para o povo por estratégias indiretas de estímulo e controle do desejo individual/coletivo escancarava o mundo globalizado no qual estamos inseridos onde nos é muito difícil separar o sutilmente sugerido do desejo real.

     Não me surpreende a circulação com intuito claro de ridicularizar descrições de “Operação Conspiração Internacional” que corre pelas redes sociais, vejo como uma cortina de fumaça que pelo seu conteúdo ingênuo desacredita e esconde as reais decisões globalizadas, será simples coincidência o dólar baixar exatamente quando os navios começam a levar a nossa supersafra de grãos e o aproveitamento como bônus de associar o fato às dificuldades enfrentadas pela dupla Dilma/Lula, comemorando como vitória a baixa da moeda que na prática é um grande prejuízo para nossa agricultura.

     A desestabilização do governo brasileiro onde o papel da movimentação dos capitais internacionais é por demais conhecido tem motivo claro de enfraquecer uma liderança positiva de esquerda na América Latina e obstruir o caminho de liderança econômica da China com o BRICS onde somos partícipes, o momento torna desnecessários movimentos militares derruba-se a esquerda na Argentina, Bolívia, Venezuela, Brasil repetindo o que os golpes militares fizeram na década de sessenta com manipulações econômicas dos interesses internacionais apoiados por grupos econômicos internos.

     O próprio combate à corrupção nos mostra o quanto é possível criar no imaginário da grande maioria da população o “bom combate”, derrubando a esquerda com seus deslizes envolvendo modestos sítios e apartamentos o problema estaria resolvido, esquecemos de que quem realmente engordou suas contas em paraísos fiscais apresenta-se como candidato a substituí-la, o que significa de fato colocar a raposa no galinheiro, os mecanismos são os mesmos de sempre aumento continuado e injustificado dos bens de primeira necessidade, o que aporta forte no orçamento da maioria das pessoas sensibilizando-as, manipulação dos capitais internacionais sempre apoiados por um forte esquema midiático.   


     Esta esquerda que está no poder ao deixar-se contagiar por convivência com os agentes da manipulação econômica tornou-se merecedora das críticas e de ser pressionada a corrigir o rumo, é sua obrigação cortar na carne em uma operação interna tipo “mãos limpas” como pré-requisito para um grande movimento de combate à corrupção em todos os poderes, e assim purificada retomar em plenitude o exercício do governo que lhe pertence por direito. 

sábado, 26 de março de 2016

Bati em Cheio no Muro

     Fiquei espantado, posso apostar em faces vermelhas ascendendo-se imediatamente, não duvido que o tenham percebido na hora, penso até que balbuciei quaisquer palavras algo como um “tudo bem” ou talvez um “não, tranquilo”, de fato as mesmas não mais saberei recuperá-las, sei devo ter transparecido que acusei o golpe pelo inesperado do ocorrido e que não estava preparado para enfrentá-lo, confesso saí com a sensação de ter batido a cara em um muro.

     Este exercício de colocar no papel o tema do constrangimento, sensação cuja pauta nos últimos dias de forma monótona e repetitiva aparece nas minhas conversas internas com o formato de desafio ao autoconhecimento, poderá através destas linhas escritas finalmente exorcizá-lo liberando-me para outras histórias, o desafio de compreender a fonte dos meus embaraços evitando momentos de atordoamento inesperados, que são sim instantes pessoais de defesa baixa e como tal facilmente podem comprometer o rumo de meu caminhar obrigando-me ao custo de esforços suplementares para recuperar e manter o equilíbrio.

     O relato é singelo, fim de um evento cultural como de hábito os cumprimentos de despedida duas ou três palavras agradáveis entre pessoas que se estimam partilhando gostos e pronto sigo meu rumo, o diferencial do dia foi que uma de minhas amigas perguntou-me: “O que tens? Algum problema contigo, te vejo um pouco mais quieto mais triste?”, minha reação foi instantânea, as pernas para o ar e as palavras me faltaram não consegui superar o espanto de encontrar alguém a preocupar-se comigo, comportei-me como se me roubassem um papel que era meu de direito uma iniciativa que sempre partia de mim.

     Não lhes posso garantir que nunca tenha acontecido antes, sendo mais preciso devo afirmar que independente de sua ocorrência ou não nunca tive predisposição para percebê-lo, o que torna irrelevante o fato em si, tomar a iniciativa garante o aparente domínio da situação e tranquiliza todos os passos seguintes evitando exposição demasiada neste intricado jogo das relações humanas o que explica sendo uma sensação nova em mim o desafio de digeri-la.


     Para ela só elogios pelo interesse o que demonstra o grande ser humano que ela é, para mim sobrou a lição de casa a imagem externa que projeto nos outros necessita transparecer o meu estado interior, nesse dia não estava nem melhor nem pior que qualquer outro e deveria ter sido capaz de comunicá-lo através da minha aparência e atitudes evitando gastar o tempo precioso de outrem em desnecessárias preocupações para comigo.  

sexta-feira, 11 de março de 2016

O Movimento Escondido nos Números.

     Números frios estatísticos presença mensurável de um objeto ou processo qualquer, por si só são neutros permitindo sentimentos de júbilo ou depressão a critério de quem os analisa, nem por isso são desimportantes até porque em verdade nunca os lemos e sim os movimentos que atrás deles se escondem, se como já foi dito confirmar-se que por trás dos movimentos há vida, podemos deduzir que por trás dos números esconde-se um existir, hoje com alguns números redondos, o que por certo me fascina quase tanto como os nominados cabalistas, permito-me apresentar-me refletindo-os no meu blog.

     Sucedeu-se agora em sequência o ultrapassar das dez mil visualizações e as duzentas postagens sendo uma com mais de cem possíveis leituras, sua imagem estética de alguns zeros encadeados a marcação de dezena de milhar e das duas centenas me desnudam ao meu olhar, aqui partilho esta imagem do jeito que me é possível da maneira que a interpreto, começo pela clara noção de tempo dedicado a desvendar o que, por que e como o sou, não procure coerência e sim sequências de fotos de um mesmo ser diferente, é o que reflete cada uma das postagens por sua característica definidora de espelhar aquele particular momento vivido interagindo com a humanidade.

     É um conjunto modesto de acessos, sei que muitos gerados por um apertar de mouse equivocado, outros pelo acaso estatístico de um mecanismo de busca, alguém não deve ter conseguido passar do título, outro desistiu no primeiro parágrafo, que assim seja quero acreditar na hipótese de eventualmente ter sido lido por inteiro e talvez até uns poucos mais corajosos avançaram na leitura de uma segunda postagem, aposto na volatilidade deste compartilhamento entre o leitor e os escritos que me representam, confesso-lhes que embora me alegre muito a possível constância de alguns leitores, minha única pretensão é escrever e registrar, o leitor é um agradável bônus.

     Sei que é um retorno, sempre o eterno retorno, passível de múltiplas interpretações pelo fato de que é impossível o lido não sobrescrever o original pela própria definição de indivíduo, cada texto multiplica-se pelo número de leitores respeitado o seu momento o que se renova até em possíveis releituras, nos modestos um dólar e cinco centavos que me credita o Google vejo caracterizado o leitor que me é simpático, aquele que busca conteúdo a quem os algoritmos feitos cupido não seduzem enamorando-o ao consumo.
         
     A vocação social do homem liberto no que acredito obrigou-me a prestar-lhes conta neste blog, uma prestação de contas que confesso só reforça a minha decisão de continuar disponibilizando estes códigos tão meus que eventualmente lidos podem instigar códigos só seus. 

terça-feira, 8 de março de 2016

O Dia da Mulher Reflete a Covardia Masculina.

     Vergonha, esse é o sentimento que toma conta de mim anualmente quando o calendário marca o Dia Internacional da Mulher, a própria existência da data é a evidência que demonstra nossos mais de três mil anos de prepotência, só existe resistência quando há exercício de poder, a luta das mulheres pela liberdade do corpo e do espírito só teve motivação para acontecer pelo continuado exercício masculino de posse e dominação, enquanto a luta das mulheres me orgulha e me alegra muito me aborrece os rastros de desmandos contra a mulher que nós homens deixamos na história.

     Covardia, pela determinação primeira do macho pela posse da fêmea e dos frutos desta relação o que o fez aproveitando-se dos talentos diferenciados e complementares de seus corpos frente a uma natureza hostil, não me encontro entre aqueles que colocam na mulher o motivo da fixação do homem a um pedaço de terra e contraponho com a tese que cercando seu reduto o predador tem facilitado o exercício violento do poder e pela sede da posse do outro procura colocá-lo ao seu serviço.

     Injusta, a luta da mulher é absolutamente necessária por sua relação desigual com o homem, e que vemos ainda hoje em flagrante desnível no que diz respeito às condições de enfrentamento, construímos uma sociedade física e moral que beneficia claramente as características masculinas obrigando-as a lutar com as armas de nossa escolha as que por certo mais nos beneficiam reservando-nos imerecidos handicaps a facilitar a manutenção do jugo que exercemos.

     Premeditada, construímos no tempo regra sobre regra para mantê-las submissas sonegando-lhes direitos em nome da economia, da política, da religião e da moral, não satisfeitos criamos falsas imagens de beleza, de pureza, de inocência para sob a aparência de enaltecê-las podermos condená-las quando se mostrassem rebeldes ao rótulo que nelas colamos, inventamos uma mulher que não existe e cobramos esta sua existência no dia a dia.

     A dificuldade de reverter um superego compilado em anos de história tanto em nós homens como nas mulheres exige um autoexame cauteloso antes de cada atitude objetivando romper com a perpetuação desta injustiça, clama por consciência que a reparação pelo passado é uma dívida contraída e exige engajamento global nesta luta, apenas mulheres libertas poderão devolver ao homem a sua soberania, deste homem hoje vítima da própria loucura em que sua sede de poder escravizou-se aos mecanismos por ele próprio criado.