Fiquei espantado,
posso apostar em faces vermelhas ascendendo-se imediatamente, não duvido que o
tenham percebido na hora, penso até que balbuciei quaisquer palavras algo como um
“tudo bem” ou talvez um “não, tranquilo”, de fato as mesmas não mais saberei
recuperá-las, sei devo ter transparecido que acusei o golpe pelo inesperado do
ocorrido e que não estava preparado para enfrentá-lo, confesso saí com a
sensação de ter batido a cara em um muro.
Este exercício de
colocar no papel o tema do constrangimento, sensação cuja pauta nos últimos
dias de forma monótona e repetitiva aparece nas minhas conversas internas com o
formato de desafio ao autoconhecimento, poderá através destas linhas escritas finalmente
exorcizá-lo liberando-me para outras histórias, o desafio de compreender a
fonte dos meus embaraços evitando momentos de atordoamento inesperados, que são
sim instantes pessoais de defesa baixa e como tal facilmente podem comprometer
o rumo de meu caminhar obrigando-me ao custo de esforços suplementares para recuperar
e manter o equilíbrio.
O relato é
singelo, fim de um evento cultural como de hábito os cumprimentos de despedida
duas ou três palavras agradáveis entre pessoas que se estimam partilhando
gostos e pronto sigo meu rumo, o diferencial do dia foi que uma de minhas
amigas perguntou-me: “O que tens? Algum problema contigo, te vejo um pouco mais
quieto mais triste?”, minha reação foi instantânea, as pernas para o ar e as
palavras me faltaram não consegui superar o espanto de encontrar alguém a
preocupar-se comigo, comportei-me como se me roubassem um papel que era meu de
direito uma iniciativa que sempre partia de mim.
Não lhes posso
garantir que nunca tenha acontecido antes, sendo mais preciso devo afirmar que
independente de sua ocorrência ou não nunca tive predisposição para percebê-lo,
o que torna irrelevante o fato em si, tomar a iniciativa garante o aparente domínio
da situação e tranquiliza todos os passos seguintes evitando exposição
demasiada neste intricado jogo das relações humanas o que explica sendo uma
sensação nova em mim o desafio de digeri-la.
Para ela só
elogios pelo interesse o que demonstra o grande ser
humano que ela é, para mim sobrou a lição de casa a imagem externa que projeto nos
outros necessita transparecer o meu estado interior, nesse dia não estava nem
melhor nem pior que qualquer outro e deveria ter sido capaz de comunicá-lo
através da minha aparência e atitudes evitando gastar o tempo precioso de
outrem em desnecessárias preocupações para comigo.
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