Surpreende-me
deveras a defesa insana de um conjunto de argumentos discriminantes utilizados por
uma elite econômica e intelectual, referem-se à separação dos homens em dois
grupos, de um lado o grupo representado por uma grande maioria que nasceu e se
criou preguiçosa obrigando a sociedade a forçá-la a trabalhar e de outro lado
uma minoria iluminada que voluntariamente é apaixonada pelo labor diário a
ponto de defini-lo como sua fonte de redenção pessoal, assim o fazem como se
não fôssemos todos humanos sempre buscando realizar o mínimo necessário para
garantir a justa qualidade de vida, se não admitirmos que os grilhões não possuem
o mesmo peso para todos é porque não buscamos ver a verdade.
Eu não me iludo,
nós servos sim estamos organizados em uma hierarquia com tantos degraus e
posições quanto são os necessários para garantir o bom funcionamento da
sociedade de consumo, se os mentores nos permitem por certo mais do que
consentir nos exigem o canibalismo social é porque a eles não interessa quem é o
sujeito presente na lista “top alguma coisa”, convém que exista a lista por ser
ela a própria fonte do desejo e desta resulta a realização da maior parte da caminhada
na disputa ao direito de submissão sendo este o único direito admitido pelo
poder.
Quebrar esta
cadeia apesar de tarefa simples exige decisões difíceis, estar à margem é uma
atitude que não encaixa como solução, abdicar representa a morte, se quero a
vida preciso participar do processo como ponto de resistência só vivendo a reação
dentro do próprio sistema posso acreditar em esperança de mudança, pensar nesse
tema lembra-me do paralelo com as guerras passadas onde sempre a não submissão
do invadido minava pouco a pouco o poder usurpador levando-o a expor seus
pontos fracos e a partir destes a sua derrota.
Escravo
sofisticado qualidade que não invalida o rótulo, impelido para uma estrada de
caminho único com margens amplas que permitem zigue-zagues desde que não
comprometam os predefinidos objetivos, necessito manter-me entre esses limites
sempre que não queira marginalizar-me, o pouco que me sobra é a consciência do
espaço que aí eu ocupo.
Indolente o sou sempre
que convocado para um labor que se justifique por si mesmo, o trabalho não é um
objetivo em si deve ter uma razão de ser como atividade prazerosa
e com resultado em qualidade de vida para a humanidade e a natureza.
Insubmisso em
respeito a mim como indivíduo negando-me a qualquer cumplicidade com atividades
que ofendam ao homem ou à natureza, compromissado prioritariamente com a
integridade interior aquela refletida na preocupação consigo e que me leva a
ser justo.
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