terça-feira, 12 de abril de 2016

Escravo Eu sou Indolente e Insubmisso

     Surpreende-me deveras a defesa insana de um conjunto de argumentos discriminantes utilizados por uma elite econômica e intelectual, referem-se à separação dos homens em dois grupos, de um lado o grupo representado por uma grande maioria que nasceu e se criou preguiçosa obrigando a sociedade a forçá-la a trabalhar e de outro lado uma minoria iluminada que voluntariamente é apaixonada pelo labor diário a ponto de defini-lo como sua fonte de redenção pessoal, assim o fazem como se não fôssemos todos humanos sempre buscando realizar o mínimo necessário para garantir a justa qualidade de vida, se não admitirmos que os grilhões não possuem o mesmo peso para todos é porque não buscamos ver a verdade.

     Eu não me iludo, nós servos sim estamos organizados em uma hierarquia com tantos degraus e posições quanto são os necessários para garantir o bom funcionamento da sociedade de consumo, se os mentores nos permitem por certo mais do que consentir nos exigem o canibalismo social é porque a eles não interessa quem é o sujeito presente na lista “top alguma coisa”, convém que exista a lista por ser ela a própria fonte do desejo e desta resulta a realização da maior parte da caminhada na disputa ao direito de submissão sendo este o único direito admitido pelo poder.

     Quebrar esta cadeia apesar de tarefa simples exige decisões difíceis, estar à margem é uma atitude que não encaixa como solução, abdicar representa a morte, se quero a vida preciso participar do processo como ponto de resistência só vivendo a reação dentro do próprio sistema posso acreditar em esperança de mudança, pensar nesse tema lembra-me do paralelo com as guerras passadas onde sempre a não submissão do invadido minava pouco a pouco o poder usurpador levando-o a expor seus pontos fracos e a partir destes a sua derrota.

     Escravo sofisticado qualidade que não invalida o rótulo, impelido para uma estrada de caminho único com margens amplas que permitem zigue-zagues desde que não comprometam os predefinidos objetivos, necessito manter-me entre esses limites sempre que não queira marginalizar-me, o pouco que me sobra é a consciência do espaço que aí eu ocupo.
   
     Indolente o sou sempre que convocado para um labor que se justifique por si mesmo, o trabalho não é um objetivo em si deve ter uma razão de ser como atividade prazerosa e com resultado em qualidade de vida para a humanidade e a natureza.


     Insubmisso em respeito a mim como indivíduo negando-me a qualquer cumplicidade com atividades que ofendam ao homem ou à natureza, compromissado prioritariamente com a integridade interior aquela refletida na preocupação consigo e que me leva a ser justo.

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