Vergonha, esse é
o sentimento que toma conta de mim anualmente quando o calendário marca o Dia Internacional
da Mulher, a própria existência da data é a evidência que demonstra nossos mais
de três mil anos de prepotência, só existe resistência quando há exercício de
poder, a luta das mulheres pela liberdade do corpo e do espírito só teve motivação
para acontecer pelo continuado exercício masculino de posse e dominação, enquanto
a luta das mulheres me orgulha e me alegra muito me aborrece os rastros de
desmandos contra a mulher que nós homens deixamos na história.
Covardia, pela
determinação primeira do macho pela posse da fêmea e dos frutos desta relação o
que o fez aproveitando-se dos talentos diferenciados e complementares de seus
corpos frente a uma natureza hostil, não me encontro entre aqueles que colocam
na mulher o motivo da fixação do homem a um pedaço de terra e contraponho com a
tese que cercando seu reduto o predador tem facilitado o exercício violento do poder
e pela sede da posse do outro procura colocá-lo ao seu serviço.
Injusta, a luta
da mulher é absolutamente necessária por sua relação desigual com o homem, e que
vemos ainda hoje em flagrante desnível no que diz respeito às condições de
enfrentamento, construímos uma sociedade física e moral que beneficia
claramente as características masculinas obrigando-as a lutar com as armas de
nossa escolha as que por certo mais nos beneficiam reservando-nos imerecidos
handicaps a facilitar a manutenção do jugo que exercemos.
Premeditada,
construímos no tempo regra sobre regra para mantê-las submissas sonegando-lhes
direitos em nome da economia, da política, da religião e da moral, não
satisfeitos criamos falsas imagens de beleza, de pureza, de inocência para sob
a aparência de enaltecê-las podermos condená-las quando se mostrassem rebeldes
ao rótulo que nelas colamos, inventamos uma mulher que não existe e cobramos
esta sua existência no dia a dia.
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