segunda-feira, 2 de outubro de 2023

As Histórias que Queria Contar, São Proibidas para Maiores...

               Sou do tempo que era proibido proibir, evitar a influência do meio era nosso existir, como adaptar-se a esses tempos de hoje que são de aderir. Éramos unos no divergir.

 

               Caso fosse possível ler nossos passos estaríamos sim a contar histórias que maiores não podem hoje ouvir, só seus ruídos já fogem da reta, a régua traçada, que os novos tempos estão a exigir.

              

               Todo desvio de rota atrai tempestades em tempos de normalidade, quando nascemos sob o signo da rebeldia, isentos somos de nos enquadrar, conhecemos os cordões que estão sempre tentando nos manobrar.

 

               No novo espaço/tempo, onde o controle é menos físico mais mental, as correntes são mais fortes, presentes na mente de cada um, vivemos uma sociedade onde cada um se policia com medo de ser reprovado pela maioria.

 

               Não é que muito acertávamos, simplesmente muito vivíamos, não se tinha caminhos pré-definidos, mas sim experimentos a realizar, sem eles nunca nada poderíamos afirmar, e assim construir as leis a nos guiar.

 

               O que hoje pareceria transgressão noutros tempos era o descobrir, como abrir a alma a mostrar-se em um tempo onde se pensa que todas as verdades já foram encontradas, bem o sabemos que o homem ainda está por inteiro a decifrar o que é mesmo a natureza e a humanidade.

 

               Não tem como nos acomodarmos ante tanta verdade pronta, a história nos demonstra que as certezas do hoje sempre são desmentidas no amanhã, e este é um processo que não podemos abrir mão de participar, fazer a história é nossa vocação.

 

               São estas histórias de desafio permanente as estruturas de poder que não podemos contar, sob risco de ofender o tal do senso comum que retira a liberdade do existir e nos reduz a massa de manobra de escusos interesses.

 

               Mas que todos saibam que elas são reais, se contam sozinhas, para quem tem os sentidos atentos ao outro e não funcione como um morto/vivo um simples zumbi. 

domingo, 1 de outubro de 2023

Exposto há Inúmeros Recortes Inúteis.

               Desvio de um, tropeço em um segundo para cair em um terceiro, nossa maratona diária ante a avalanche de recortes inúteis ao qual estamos expostos nas redes sociais.

 

Seu conteúdo é inferido tão somente por passarmos por estes recortes, de maneira meio que subliminar, não paramos para lê-los, nosso cérebro, porém adivinha-o palavra por palavra.

 

               Pecam pela insuficiência, afinal não refletem um pensamento quando não vistos no conjunto da obra, pecam por ineficiência, gerando emoções pobres desperdiçadas no próprio momento de seu aparecimento.

 

               Uma obra pode nós ajudar a encontrar um nosso caminho, já o recorte desta em quatro ou cinco palavras encadeadas em uma frase, é apenas uma falsa verdade pois não faz jus há quem a lê, nem a quem a publica e muito menos ao autor da obra.

 

               Altivos, disfarçados em grandes verdades, impositivos se julgam inegáveis, para estes o fim justifica os meios pois dispensam argumentação, são razão em si mesmos e assim neste embuste se apresentam ante nós a cada momento.

 

               Ainda os prefiro não assinados com crédito ao autor, porque a simples referência a um nome ilustre, pinçados ou não de parte da obra deste, é o exercício de um autoritarismo para gerar credibilidade há quem o cita.

 

               O poder de síntese é um mérito maravilhoso, sempre que complemente uma ideia, mostrando-se como um grande final de seus raciocínios abrilhanta o autor ampliando o poder de sedução deste.

 

               Alguma razão deve haver para que assim nos exponham a estes inúmeros recortes, confesso que não a conheço, talvez seja apenas a necessidade de expressar um instante de emoção e sentir-se irmanado neste por outrem.

 

               Um pouco somos assim mesmo, nossa inegável vocação de lançarmo-nos ao outro somada a complexidade de cada um de nós, nos encaminha a buscarmos identidade no conjunto de chavões disponibilizados.

  

sábado, 30 de setembro de 2023

Êxtase - Vida e Morte.

               Coabitam sim vida e morte neste acontecimento, a imersão em êxtase, deveríamos poder vive-lo incontáveis vezes, pois representam toda a nossa potência e também nossa insignificância, um caminho do ser tudo e nada em um mesmo momento.

 

               Saindo depois de quase duas horas, tela branca envolvimento total, de uma sala de cinema, os pés parecendo não tocar no chão, sim maravilhado com esta sensação interior que continua prorrogando a magia explicita do filme vivido.

 

               Aquele momento de entrega/posse onde a vivência física do amor, lhe distensiona toda musculatura de seus membros, teu espirito te abandona e te entregas a um instante de inexistência onde és muito tu mesmo.

 

               Assim são nossos momentos de êxtase, saímos de nós mesmos física e espiritualmente para vivenciarmos a essência de nós mesmos, não somos mais corpo e espirito e sim uma unidade em nós mesmo.

 

               Por certo nunca o conseguiremos os provocar artificialmente, não é algo que se planeja racionalmente e menos ainda pode encaixar-se em um roteiro a ser treinado, precisamos da magia de completar nosso momento com a ação exercida.

 

               Somos certamente merecedores de o experimentarmos em quantidade muito maiores do que a maioria de nós o consegue, o fato de sua existência quase instantânea não extingue as marcas profundas de prazer que ele nos deixa.

 

               Sabemos ao certo que os caminhos para encontra-lo são inúmeros e com certeza se trabalharmos com sabedoria podemos oportunizar em várias atividades que ele aconteça, para tal obrigatoriamente temos que sair da defensiva e arriscar jogarmo-nos por inteiro no ato de viver.

 

               Repetir procedimentos nunca será o caminho adequado, é importante experimentar novos rumos, tal qual a história a repetição só resulta em farsa e como tal em frustração, ao percorrê-la não encontraremos o brinde tão sonhado.

 

               Como momento a momento estamos diferentes, a repetição do mesmo script só pode nos decepcionar, sempre seremos capazes de encontrar caminhos diferentes, e quanto mais o tentarmos, mas poderemos casa-los com nosso momento e encontrarmo-nos novamente em êxtase.         

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Vinho, cerveja puro malte, não milhares de frases perdidas

 

               Podem imaginar que estou estupefato, por uns cálices de vinho a mais, ou talvez por copos exagerados de cerveja puro malte, não que não faça isso, mas posso garantir-lhes que o que me tonteia é a invasão de tantas frases perdidas sem sentido que consumo dia a dia nas redes sociais.

 

               Nada contra as frases, são todas bonitinhas, algumas até espirituosas, sempre receitas de bolo de que quem as emite não consome, isto é tão obvio que quando as lemos sabemos que as mesmas não tem nada a ver com quem as posta e sim com os objetivos de seu escrever.

 

               As frases em si são vazias, os objetivos não e está bem que assim o seja, mas como consumir tanta bobagem por tanto tempo, tenho passado pela maioria sem lê-las e quando distraidamente leio alguma só percebo futilidade.

 

               Claro a frase está aí exposta não para ser lida, mas sim para chamar atenção de quem a postou, ora para isso, chamar atenção, não existem regras, logo os objetivos da sua postagem estão sempre encobertos a tentar nos pegar de surpresa.

 

               Cada dia passo mais rapidamente sobre intermináveis posts, sem lê-los a procura de algo que possa despertar minha atenção, infelizmente virei um passador de post, ou seja tap seguido de tap, em busca de algo que não vou encontrar.

 

               Nada a ver com a beleza das frases, apenas o entendimento de que estão fora do contexto, não ajudam na minha vida e muito menos na vida de quem as postou, estão fora do momento a viver de cada um de nós e por obvio são partes do viver de outros em outros tempos.

 

               È fácil entender que os movimentos do mundo hoje não podem ser diferentes do que se apresentam no dia a dia, e que sejam todos felizes nos seus objetivos, apesar de não entender como estes possam trazer felicidade.

 

               Isto não deve mudar em curto espaço de tempo, pois vivemos em plenitude hoje o momento de consumir clicks ou dinheiro e para isso enfeitamos em público uma vida medíocre no privado.

 

               O que em absoluto nos deve trazer desesperança, pois viver sempre é um período de transição entre o nascer e o morrer, e estas pessoas da sala de jantar... Sim se imaginam vivendo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Estórias versus Histórias

 

               Estórias há tantas quanto contadores e ouvintes feito produto cartesiano, já história temos somente uma apesar de estar sempre em processo de reescrita, isto é, estamos sempre nos debruçando sobre a mesma para depurá-la da contaminação de quem a conta.

 

               Em nenhum momento a estória se compromete com a informação ou com a verdade, até porque é entretenimento, o que busca é mexer com os sentidos e alcançar laços e entre contador e ouvinte, e este é o que define nossas redes sociais, seu conjunto de estórias.

 

               Não vemos á priori nenhum problema com relação a isso, desde que os integrantes da comunidade tenham consciência de que são estórias e são contadas para obter efeitos planejados e nunca instrumentos de obtenção de uma pseudoverdade universal.

 

               Infelizmente trocamos o polo, hoje como comunidade construímos verdades (fantasiosas verdades) com simples histórias, em sua maioria sem objetivos comunitários e servindo tão somente a egoístas interesses particulares.

 

               Já a história, tem sido deixada de lado pelo simples motivo de não servir a ninguém, sua independência dos objetivos particulares á faz invisível aos olhos da maioria, por uma simples razão é capaz de abrir os olhos e libertar, o que de fato a maioria tem ojeriza.

 

               Apesar do incansável esforço dos historiadores para explicitá-la com alto nível de pureza, ou seja, em cada fato livre da influência de vencedores e de vencidos, é diariamente transformada na voz de todos em estória e como tal na maioria das vezes á serviço de objetivos inescrupulosos.

 

               Contar e ouvir estórias é uma arte, como tal tem alto grau de excelência, há encontramos em todo seu esplendor, nas páginas dos livros, frente as câmeras de cinema, nas vozes afinadas de cantores e brilhantes compositores, no palco de um teatro e em tantas outras manifestações artísticas.

 

               Já história é uma ciência, e deve ser vista como a descoberta possível em um determinado momento no tempo, como toda a ciência está em permanente evolução e sua grande missão é aprimorar a vivência da humanidade.

 

               Porque estamos tocando neste tema, pelo simples fato de lembrarmos que para o aprimoramento da sociedade humana devemos estar constantemente olhando com carinho para a história e para nos divertirmos curtir as estórias em suas diferentes manifestações artísticas.           

   

sábado, 26 de agosto de 2023

Frente a Frente com Quatro Faces da Violência.

               Tão somente a tela branca pode nos oferecer esta alternativa, seis dias quatro filmes e sim quatro faces completamente diferentes da violência são vividas por este seu amigo aqui, todas comoventes e dignas de emoções importantes há crescerem dentro de nós, por certo a violência tem uma amplitude maior, mas é esse momento vivido nesta semana.

 

               Na sala Capitólio no sábado passado “parceiros na noite”, a violência de um mundo sadomasoquista na comunidade gay, por certo nos parece que é impossível existir este ambiente que vivenciamos ao curtir o filme, mas bem o sabemos se tivermos o cuidado de averiguar as fantasias que invadem as pessoas que a realidade se impõe, a ponto de o protagonista, Al Pacino, se envolver completamente pelo ambiente que investigava a ponto de duvidar de sua própria personalidade.

 

               Esta violência é exposta pelo próprio serial killer aparentemente externo deste ambiente onde cometia seus crimes, o invadia para perpetuá-los sob a sombra da não aceitação da morte, ocorrida a dez anos de seu pai.

 

               Já na terça estava frente a frente com a direção de um alemão e seu parceiro romeno a descrever a queda do regime de Ceausescu na Romênia, impressionante montagem de uma narrativa feita pelas câmeras da televisão oficial romena e de câmeras amadoras sobre o levante popular que determinou o fim a deste governo, uma violência em busca de uma justiça social, foi um discurso muito bem organizado de várias câmeras a testemunhar a tomada do poder.

 

               Óbvio, fui tudo muito rápido, desde a tomada do poder até o julgamento e execução do tirano, muita emoção na massa, muitas bobagens individuais e um impressionante não acreditar no que estava a acontecer pelo casal autoritário, a beleza da manifestação popular não esconde sob a inspeção das câmeras as fraquezas individuais a se aproveitarem da comoção geral.

 

               Bom chegou quinta e de novo na sala redenção, estamos falando do documentário sobre a luta do pai de Assange para a libertação do filho “Ithaka – a luta de Assange” é um documentário que mostra o inevitável envolvimento de um pai (também da mulher e mãe dos filhos de Assange) para libertar um ser humano do odioso e violento jogo de poder que o sistema exerce sobre quem ameaça seus segredos de abuso de poder.

 

               Fica bem claro que o martírio de um membro da raça humana, Assange debilitado psicologicamente e fisicamente, é considerado pelos donos do sistema como uma violência aceitável e necessária não só contra ele, como contra todos que puderem ousar enfrentar os constantes erros mal intencionados do mesmo.

 

               Bom fechamos os seis dias no Capitólio, dramalhão mexicano da década de 50, história maravilhosa de uma mulher, libertária e não modelo de bom comportamento social, consegue desafiar todas as violências do destino e terminar vitoriosa e em paz com si mesma, a despeito das violências a que foi submetida.

 

               Desejando muitos e muitos mais seis dias de tela branca como esses.                     

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Nunca há Espaço Suficiente para a Felicidade

 

               Independente do perfil individual, necessidade profunda de receber ou de fornecer, o espaço é suficiente para conter a felicidade, cada momento de ganho é uma insaciável vontade de mais querer, vontade de gratificar mais ou vontade de mais ser recompensado.

 

               Nos deveria ser muito fácil isto entender, pois como o passado é uma inexistência cada passo dado é mais e mais um novo querer, se passa em nosso espirito, assim como no corpo, cada necessidade satisfeita é o estopim de inúmeros novos desejos.

 

               Aquele momento de explosiva felicidade, vive e morre no momento presente, e dele escapam em círculos inúmeras faíscas de necessários novos momentos felizes, quanto maior o grau de felicidade maior a frustração com o fato do mesmo não ser eterno, acrescido da terrível constatação que sua simples repetição seria apenas uma farsa.

 

               Assim nos parece claro que estamos a definir mal o que é a tal felicidade, deixamos em verdade que nos envolva a busca do novo como meta de felicidade e não a continua vivencia do presente, o simples fato de envolver-se por inteiro é o que contém a essência de tudo, a vida.

 

               Por mais curioso que pareça condenados que somos á felicidade, nos rebelamos constantemente contra essa sentença, ora olhando para trás em vidas já vividas ora buscando num imaginado futuro vidas a viver, quando toda nossa realização está no eterno hoje.

 

               Não somos uma super produção que tem que a cada frame ter milhares de efeitos especiais, mas somos sim o todo do universo em cada pedaço do inexistente tempo, mais que tudo não há roteiro no nosso viver, não há texto a decorar, não há cena a representar.

 

               Tal qual o bico da águia no fígado do Prometeu, morremos e renascemos em cada instante o que permite sermos únicos sempre e assim o seremos até que a morte nos separe e nos transforme na vida que é o universo.

 

               Somos sim sempre tudo em nós mesmos e inseparável parte do todo universal, a contraditória identidade única, mas parte de algo muito maior,  é sim nossa continuada opção de viver o presente o que realmente constitui o todo e o faz caminhar.