Independente
do perfil individual, necessidade profunda de receber ou de fornecer, o espaço
é suficiente para conter a felicidade, cada momento de ganho é uma insaciável vontade
de mais querer, vontade de gratificar mais ou vontade de mais ser recompensado.
Nos
deveria ser muito fácil isto entender, pois como o passado é uma inexistência
cada passo dado é mais e mais um novo querer, se passa em nosso espirito, assim
como no corpo, cada necessidade satisfeita é o estopim de inúmeros novos desejos.
Aquele
momento de explosiva felicidade, vive e morre no momento presente, e dele escapam
em círculos inúmeras faíscas de necessários novos momentos felizes, quanto
maior o grau de felicidade maior a frustração com o fato do mesmo não ser
eterno, acrescido da terrível constatação que sua simples repetição seria
apenas uma farsa.
Assim
nos parece claro que estamos a definir mal o que é a tal felicidade, deixamos
em verdade que nos envolva a busca do novo como meta de felicidade e não a
continua vivencia do presente, o simples fato de envolver-se por inteiro é o
que contém a essência de tudo, a vida.
Por mais
curioso que pareça condenados que somos á felicidade, nos rebelamos
constantemente contra essa sentença, ora olhando para trás em vidas já vividas ora
buscando num imaginado futuro vidas a viver, quando toda nossa realização está
no eterno hoje.
Não
somos uma super produção que tem que a cada frame ter milhares de efeitos
especiais, mas somos sim o todo do universo em cada pedaço do inexistente
tempo, mais que tudo não há roteiro no nosso viver, não há texto a decorar, não
há cena a representar.
Tal qual
o bico da águia no fígado do Prometeu, morremos e renascemos em cada instante o
que permite sermos únicos sempre e assim o seremos até que a morte nos separe e
nos transforme na vida que é o universo.
Somos
sim sempre tudo em nós mesmos e inseparável parte do todo universal, a
contraditória identidade única, mas parte de algo muito maior, é sim nossa continuada opção de viver o
presente o que realmente constitui o todo e o faz caminhar.
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