Sepulcros
caiados, uma fina pincelada de cal recobre com um puro branco a podridão que
escondem dentro da caixa preta, assim nos mostrou a história dos movimentos de
salvação nacional, sua característica messiânica invoca um ato de fé cega e tem
como consequência primeira a exclusão dos que pensam de maneira diversa.
Em uma
democracia temos partidos políticos que nada mais são do que diversidade de
ideologias, todo partido tem a sua e por isso se chama partido ou como queiram partes
do todo, democracia é o bom debate destas organizações para que em um dado
momento uma destas exerça a governabilidade, mas quando falamos em salvação
nacional abrimos mão da convivência em nome da dualidade ame-o ou deixe-o.
Esta
dicotomia por si só elimina a democracia, o céu para quem tem fé tem como
contrapartida o inferno para quem não acredita, sua falsa busca de uma unidade
só aceita a unanimidade, não ocorre à discussão sadia na busca do melhor
caminho no país onde se estabelece, infelizmente nosso ultimo episódio
eleitoral foi transformado em um plebiscito para eleger uma salvação nacional e
os indícios já aparecem.
A
começar pelo desrespeito ao mandamento “Não tomarás o nome do senhor em vão”,
em um país laico de ampla diversidade religiosa iniciar um discurso de vitória
com uma oração é ungir-se como eleito por Deus para representá-lo frente ao
povo, em outras palavras quem não compartilha com suas ideias está contra Deus,
logo condenado, resta-nos perguntar por que, quando e como Deus lhe deu esta
delegação?
A promiscuidade
entre os três poderes, aparentemente dirigida por interesses não locais,
misturando legislativo que decreta o golpe, com o judiciário que dirige sua
ação em eleitos alvos específicos, com o executivo oriundo do golpe ameaça o equilíbrio
da sociedade, pois nos deixa sem defesas para quaisquer tipos de atrocidades.
Um plano
de governo concebido por maioria militar, organização cujos participantes tem a
vocação e o preparo para a defesa nacional, por si só não contempla o largo espectro
que compõe a base social e sempre tem características autoritárias que se são
boas na guerra são péssimas na paz, logo anunciam um clima belicoso no porvir.
Perseguir
estudantes, professores e artistas completam o panorama, pois a educação e a
cultura sempre são amparo à reflexão e ao livre pensar, o caminho escolhido de enfraquecê-los
permite entender que não será aceito qualquer tipo de resistência, governos
autoritários começam assim destruindo a diversidade.
Por ultimo
trabalha-se a questão da maciça propaganda patriota vestindo o falso traje da
exclusividade do amor ao país, busca-se um ufanismo redentor da resposta única que
nega toda a evolução da humanidade que tem sido sempre construída sobre a
verdade de hoje como negação da verdade de ontem.
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