domingo, 4 de novembro de 2018

Há Algo de Podre Escondido em Um Governo de Salvação Nacional.


                Sepulcros caiados, uma fina pincelada de cal recobre com um puro branco a podridão que escondem dentro da caixa preta, assim nos mostrou a história dos movimentos de salvação nacional, sua característica messiânica invoca um ato de fé cega e tem como consequência primeira a exclusão dos que pensam de maneira diversa.

                Em uma democracia temos partidos políticos que nada mais são do que diversidade de ideologias, todo partido tem a sua e por isso se chama partido ou como queiram partes do todo, democracia é o bom debate destas organizações para que em um dado momento uma destas exerça a governabilidade, mas quando falamos em salvação nacional abrimos mão da convivência em nome da dualidade ame-o ou deixe-o.

                Esta dicotomia por si só elimina a democracia, o céu para quem tem fé tem como contrapartida o inferno para quem não acredita, sua falsa busca de uma unidade só aceita a unanimidade, não ocorre à discussão sadia na busca do melhor caminho no país onde se estabelece, infelizmente nosso ultimo episódio eleitoral foi transformado em um plebiscito para eleger uma salvação nacional e os indícios já aparecem.    

                A começar pelo desrespeito ao mandamento “Não tomarás o nome do senhor em vão”, em um país laico de ampla diversidade religiosa iniciar um discurso de vitória com uma oração é ungir-se como eleito por Deus para representá-lo frente ao povo, em outras palavras quem não compartilha com suas ideias está contra Deus, logo condenado, resta-nos perguntar por que, quando e como Deus lhe deu esta delegação?  

                A promiscuidade entre os três poderes, aparentemente dirigida por interesses não locais, misturando legislativo que decreta o golpe, com o judiciário que dirige sua ação em eleitos alvos específicos, com o executivo oriundo do golpe ameaça o equilíbrio da sociedade, pois nos deixa sem defesas para quaisquer tipos de atrocidades.

                Um plano de governo concebido por maioria militar, organização cujos participantes tem a vocação e o preparo para a defesa nacional, por si só não contempla o largo espectro que compõe a base social e sempre tem características autoritárias que se são boas na guerra são péssimas na paz, logo anunciam um clima belicoso no porvir.

                Perseguir estudantes, professores e artistas completam o panorama, pois a educação e a cultura sempre são amparo à reflexão e ao livre pensar, o caminho escolhido de enfraquecê-los permite entender que não será aceito qualquer tipo de resistência, governos autoritários começam assim destruindo a diversidade.

                Por ultimo trabalha-se a questão da maciça propaganda patriota vestindo o falso traje da exclusividade do amor ao país, busca-se um ufanismo redentor da resposta única que nega toda a evolução da humanidade que tem sido sempre construída sobre a verdade de hoje como negação da verdade de ontem.

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