Tentando
entender: Como posso ter completude como ser humano, se não consigo ver o outro
como similar a mim, independente das nossas distintas condições econômico/sociais,
dos diversos gêneros aos quais somos pertencentes, dos inúmeros tons que as
raças estampam em nossos corpos, somos todos construídos do mesmo barro. São
feridas em aberto na humanidade como um todo, qualquer discriminação, mesmo que
seja um só homem a executá-la exige um enfrentamento cuja realização deve ser
responsabilidade de todos.
Tentando
entender: Como posso afirmar-me como ser político, se não consigo priorizar o
melhor para o outro e sim vantagens pessoais em nome da necessidade de um jogo
ganha/ganha pelo poder, em vez de pregar boas praticas para uma humanidade mais
comunitária com uma melhor qualidade de vida, trabalho um modelo estratégico de
marketing baseado em frases panfletárias
construídas apenas para agradar uma maioria, sempre á partir de fartas pesquisas
de como funciona o comportamento e as necessidades humanas, que por isso mesmo,
nunca serão executadas quando nos forem delegadas as responsabilidades da
gestão da comunidade.
Tentando
entender: Como posso abraçar a alegre vocação do homem por prazer e felicidade,
se não consigo perceber que a desigualdade de oportunidades é o alicerce deste
modelo de sociedade mantenedora de privilégios, do qual sou participe caso não
tenha consciência e engajamento de resistência, modelo este que construímos e a
mantemos de geração em geração, utilizando-nos das diversas faces com as quais
a violência contra o homem pode exprimir-se, sempre alicerçado na injusta
distribuição dos bens produzidos, das riquezas que de fato são de direito igualitário
de toda humanidade.
Tentando
entender: Como posso aceitar-me como saudável espiritual e fisicamente, se sou
cúmplice em fecundar a criação de seres humanos depressivos por uma exigência
absurda de competição entre nós que nascemos com a vocação para o trabalho
cooperativo, este ambiente de batalha permanente expõe-nos a altas doses de
adrenalina, acima do que é possível suportar pela maioria de nós, gerando como
em todas as guerras uma legião de mutilados e pior no encalço de ilusórias
fantasias de sucesso, pois a cada degrau percorrido apenas encontramos
infelicidade e angustia pelo desafio de um novo a ser transposto.
Tentando
entender: Como posso denominar-me como criador, se trabalho todo o dia na
diminuição do outro como modelo de distinguir-me, tratando com mais importância
o subtrair talentos de terceiros do que a agregação de minhas competências e
assim incentivando este dialogo do ódio que cresce dia a dia na convivência
entre nós seres humanos, onde as ideias são muito mais importantes que as
pessoas esquecendo-nos que elas, as ideias, só existem por causa das pessoas.
Tentando
entender: Como podemos potencializar homem que somos a transcendência com
tantas feridas abertas.
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