Não adianta insistir
não pretendo e defendo que ninguém deveria aceitar encaixarem-se no molde de um
discurso, ao discurso posso associar méritos e defeitos, posso tirar e colocar
qualidades nos seus conteúdos, eu posso elogiar e denegrir o seu estilo, em
suma posso julgar o discurso o que não é aceitável para o homem.
É vocação dos
homens fazerem discursos, fato notório indesmentível
confirmado pela história da humanidade, os mesmos são sempre, ou repetidos por indivíduos
que se negam a refletir em um momento dado, ou contestado em novos discursos
que se justificam por reação aos lidos e analisados, eu penso que esta dinâmica
trabalha todo um imaginário que esta há movimentar nossos dias e sempre assim o
foi.
Quero deixar claro que nada tenho contra o discurso, pelo contrario
penso que é uma obrigação consigo mesmo de todo o ser humano discursar, apenas
não podemos subordinar a vida ao mesmo e sim defini-lo como o eco inevitável da
vida por qual optamos a cada momento como nossa e assim sendo nos abre uma nova
constatação a do questionamento quanto à coerência do mesmo no tempo.
Se o discurso é consequência direta da vida nunca podemos exigir-lhe
coerência com discursos anteriores, quando admito que viva um momento de cada
vez e este mesmo momento é consequência de tomada de decisão pessoal, intransferível,
só admissível naquela situação específica, claramente desvinculo meu discurso
atual com os anteriores e porque não dizer com os futuros também.
Certamente já perceberam minha preocupação, sim estou estarrecido com o
enorme esforço empregado em tecnologia para enquadrar o homem no caixão dos
discursos, nestes tempos de big data e seus algoritmos de bisbilhotar nossos
rumos, nestes tempos de especialização de tarefas que levam sempre o homem a
ser educado em habilidades nunca em senso crítico nunca no pensar, nestes
tempos que a exploração do homem pelo homem a qualquer custo é considerada
mérito e não violência injustificável, perpetuando esta sociedade onde as
benesses são cada vez mais mal distribuídas entre os que deveriam ser iguais.
Resistência é uma palavra forte principalmente nos tempos de rebanho,
rejeitar ser um discurso enquadra-se como uma das primeiras atitudes desta
resistência, nós constantemente necessitamos ter a atitude de questionar as
tabuas da lei, estou morrendo se decido pelas leis escritas por terceiros e estou
vivendo quando decido por leis construídas dentro de mim a cada momento.
O que me chama atenção é o enorme medo à solidão que tem levado nós
homens a aderirmos a discursos, á nos verdadeiramente prejudiciais, em nome de
ser aceito no rebanho como parte de engrenagem a ser conduzida por discursos
violentos e discriminatórios, aos quais resistir é preciso.
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