domingo, 9 de setembro de 2018

Rejeito Ser um Discurso


     Não adianta insistir não pretendo e defendo que ninguém deveria aceitar encaixarem-se no molde de um discurso, ao discurso posso associar méritos e defeitos, posso tirar e colocar qualidades nos seus conteúdos, eu posso elogiar e denegrir o seu estilo, em suma posso julgar o discurso o que não é aceitável para o homem.

     É vocação dos homens fazerem discursos, fato notório indesmentível confirmado pela história da humanidade, os mesmos são sempre, ou repetidos por indivíduos que se negam a refletir em um momento dado, ou contestado em novos discursos que se justificam por reação aos lidos e analisados, eu penso que esta dinâmica trabalha todo um imaginário que esta há movimentar nossos dias e sempre assim o foi.

     Quero deixar claro que nada tenho contra o discurso, pelo contrario penso que é uma obrigação consigo mesmo de todo o ser humano discursar, apenas não podemos subordinar a vida ao mesmo e sim defini-lo como o eco inevitável da vida por qual optamos a cada momento como nossa e assim sendo nos abre uma nova constatação a do questionamento quanto à coerência do mesmo no tempo.

     Se o discurso é consequência direta da vida nunca podemos exigir-lhe coerência com discursos anteriores, quando admito que viva um momento de cada vez e este mesmo momento é consequência de tomada de decisão pessoal, intransferível, só admissível naquela situação específica, claramente desvinculo meu discurso atual com os anteriores e porque não dizer com os futuros também.

     Certamente já perceberam minha preocupação, sim estou estarrecido com o enorme esforço empregado em tecnologia para enquadrar o homem no caixão dos discursos, nestes tempos de big data e seus algoritmos de bisbilhotar nossos rumos, nestes tempos de especialização de tarefas que levam sempre o homem a ser educado em habilidades nunca em senso crítico nunca no pensar, nestes tempos que a exploração do homem pelo homem a qualquer custo é considerada mérito e não violência injustificável, perpetuando esta sociedade onde as benesses são cada vez mais mal distribuídas entre os que deveriam ser iguais.

     Resistência é uma palavra forte principalmente nos tempos de rebanho, rejeitar ser um discurso enquadra-se como uma das primeiras atitudes desta resistência, nós constantemente necessitamos ter a atitude de questionar as tabuas da lei, estou morrendo se decido pelas leis escritas por terceiros e estou vivendo quando decido por leis construídas dentro de mim a cada momento.

     O que me chama atenção é o enorme medo à solidão que tem levado nós homens a aderirmos a discursos, á nos verdadeiramente prejudiciais, em nome de ser aceito no rebanho como parte de engrenagem a ser conduzida por discursos violentos e discriminatórios, aos quais resistir é preciso.

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