Talvez estas
páginas de Victor Hugo do livro “Os Miseráveis” do qual estou vivendo a releitura
contenham a melhor definição para conceituar O Justo, tenho por mim que estamos
em um momento no qual necessitamos recuperar esta construção não de um
personagem e sim de sua existência como ser humano.
Parece que
perdemos a capacidade da autocrítica que permite encontrar em nós mesmos a
discussão de conceitos comportamentais adequados para a humanidade, hoje
preferimos usar uma guia de um discurso ideológico como apoio aos nossos
procedimentos do viver o dia a dia quando deveríamos optar por uma análise de
consciência amparada em nossos valores.
A posição de
conforto que significa tomar decisões com base em uma cartilha que, apesar de
por mim escolhida, é escrita por terceiros não me parece adequada ao livre arbítrio
tão caro á nós homens, sempre que enxergo tudo apoiado nestes óculos que em
verdade não são meus estou abrindo mão do optar e me deixando conduzir por
outrem.
Não raro perco
completamente o senso de justiça vivendo e semeando mais o ódio que o amor, sim
porque ódio é a desqualificação inadequada do outro com fins de descriminação,
um pouco aquela utopia inventada de estar entre os poucos eleitos que acaba por
me justificar perante mim mesmo, por óbvio que para ser um dos poucos tenho que
julgar o outro como um desqualificado frente a mim e aos meus.
Com base na desmoralização
do Justo passamos a construir a ferocidade das guerras, a insensatez da escravidão
do homem pelo homem, a ignorância violenta da discriminação, a injustiça da má distribuição
dos bens produzidos por todos, sempre amparados em argumentos, pois o papel
tudo aceita, que são apenas construções arbitrárias de lógica independente de
valores associados ao ser humano.
Prestamos-nos
ainda para o descalabro do pueril bate boca entre partidários de diferentes bíblias
de pensamento, cada qual afrontando o outro por ridicularizar as ideias e as
pessoas que as abraçam via diminuição e nunca por adição de valores em um
processo que se radicaliza em cada vez mais baixo nível de agressão.
Reencontrar O
Justo dentro de cada um de nós é uma tarefa que requer urgência para que possamos
conviver comunitariamente entre humanos em harmonia com a natureza, é o chamamento
que encontro em cada página relida deste clássico da literatura universal
escrito por Victor Hugo, sendo este reencontro uma tarefa pessoal e intransferível,
algo que só eu posso fazer por mim mesmo, porém esparramar-se-á sobre todo o
universo.
Temos muitas
questões de fórum intimo que em primeiro lugar são importantes para o nosso
prazer e felicidade pessoais e como consequência imediata irradiam este clima
para todos os nossos iguais, para estas não podemos abrir mão da reflexão
individual e em nenhuma hipótese transferirmos esta responsabilidade para
terceiros pode ser feito, a pena para tal e a infelicidade nossa e dos outros.
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