quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Quão Difícil a Simples Alegria.

     Dobro a esquina, a cinco passos já na nova quadra percebo um vulto que se aproxima, apesar do sombreado das formas difusas já o processei se conhecido me é, salvo as raras vezes que como enganos justificam o acerto de sempre, meus mecanismos internos já identificaram o personagem, os músculos da face preparam-se para o cumprimento, para alegria do encontrar um meu semelhante.

     Assim como em um bonito dia de sol sem esperarmos num repente somos surpreendidos pelo povoamento do céu por nuvens negras e em sua companhia um vento forte cheirando a tempestade, também os movimentos das minhas fibras do rosto são suspensos em meio ao caminho da direção ao sorriso, o que deveria ser uma simples reação ao encontro doutra alma, transmuta-se em um grande circo com muitas atrações resgatadas da memória consciente ou não à procura de definir o modo de reagir.

      Perdi o momento, o tal do sorriso não nasceu, abortou-se entre o ser e o não ser, havia motivos de sobra para que emergisse contagiante em direção ao meu semelhante, claro algum “senão” por certo também sempre aparece, enquanto não processei seus prós e contras congelado o mesmo ficou, resultou sendo um instante meu interno sem que pudesse o outro compartilhar, ficou-lhe às escuras o meu manifestar.

     Assim quantas vezes aborrecido reclamo das caras sisudas, ou no mínimo indefinidas com as quais cruzo nas minhas andanças por aí, posso imaginar que em seu íntimo talvez nos tenham sorrido sem que eu o identificasse, o bem que poderiam fazer-me perdeu-se na absurda lógica do processo de decidir, faltou a decisão inicial de bem querer.

     Além de perdermos todos, por certo um mundo repleto de alegrias que um sorriso tão bem representa ganhe qualidade de vida, fico pendente comigo mesmo de um proativo posicionamento na direção do outro meu igual, o que por certo diminui também a alegria interior aquela que ilumina o nosso existir.

     Presente na lista dos meus propósitos o ser mais alegre, para ser mais exato, manifestar-me com alegria do jeito que possa ser facilmente percebido por todos, e não apenas isso como também que o possam interpretá-lo como consequência do fato de me encontrar com eles.

     A convivência da alegria na sociedade por certo é um grande passo na contramão da violência, pessoas alegres não têm tempo de mal querer e contagiam o ambiente na direção da felicidade evitando a tensão do jogo entre dominados e dominadores no eterno exercer do poder.  

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