Quando enfrento
olho no olho o meu espectro, aquele que nunca quero sua existência admitir
mesmo que desde sempre o conheça como meu eu real, surpreendo-me com a pouca
significância que ele encontra nos acontecimentos, pode parecer grotesco a você
para ele um sim e um não tem um mesmo gosto, andar na chuva a descoberto gera o
mesmo prazer do sol escaldante, muitas vezes o sorriso é mais forte na derrota
que ele sabe percebida pelos outros do que na própria vitória por estes
festejada.
Pois é, tempo de
temas natalinos, com crise ou sem crise movimentam-se as engrenagens destinadas
à circulação do vil metal, apelido dado à moeda circulante, também conhecido
por dinheiro, a mensagem que como um todo o conjunto social passa é de que
afeto se compra, não é uma mensagem exclusiva desta data, hoje se propaga por
muitas datas distribuídas no ano e destinadas ao mesmo foco uma improvável
compra de felicidade.
O contraditório é
este continuado desvendar do efeito que um pequeno gesto, uma palavra com discrição
dita, o próprio fato de comportar-me nos conformes de meus impulsos internos, preocupam-me
em sua causa no outro, consigo encontrar milhares de motivos que justifiquem na
origem de meus atos seu desconforto lhe dando sempre razão, como os aceitos não
conseguem explicar-me minhas reflexões já que nunca há aderência nem reflexo em
mim o ato do outro.
Escondidos nestas
grandes manifestações de júbilo como a comemoração natalina estão esmagados uma
grande maioria de pessoas pela distribuição injusta da renda que as humilha na
desproporção que percebem entre os prêmios de seus afetos
em comparação às benesses dadas aos poucos que ostentam o poder produzido por apropriação
indevida de recursos que de todos são porque quem os gera é a natureza.
Aceito sim o
permanente nascimento em mim da compreensão que causa e efeito existem de
maneira absoluta apenas como origem e destino de mim mesmo, existe por certo
uma imagem pública que coloco a circular ela pode tanto entristecer-se como
alegrar-se, apenas reagir ou tomar a iniciativa de atacar, ser indiferente ou
envolvente enfim apaixonar-se ou odiar, mas sempre é apenas o boneco marionete
que coloco a representar a vida, pois o real esconde-se no eu que o manobra e
desvenda.
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