Aflito eu
reescrevo meus passos tal qual nosso famoso Dom Quixote, passando por tolo quem
como cavaleiro andante, apesar de todas as suas limitações, buscava sempre
fazer em prol de outrem algo de justo, a sociedade o julgava com as lentes da
notória hipocrisia da época, o que por certo se hoje fosse julgamento muito
diferente não o teria, a famosa lei do desvio padrão quem foge da média é alvo
do ridículo e da contestação apresentando-se estes como violência física
inclusive.
Por que aflito? Por uma natural ansiedade
de encontrar mais e mais espíritos transformados nos caminhos da existência, em
tempo de excesso de velocidade nas decisões difícil é curtir a paciência quando
sonhamos com o homem novo, mas tenho consciência que este só pode nascer de
dentro para fora como nos ensina a natureza do nosso acontecer, partindo de uma
primeira célula e transmutando-se no ser complexo que o somos.
Tropeçando
seguidamente em indivíduos comprometidos com a forte negação do pensar em nome
do viver, tentado fico a negar-me no princípio que me é muito caro de não
aceitar viabilidade na intervenção sobre a vida de iguais, sempre penso em
parar, chamar para uma conversa, dedicar um tempo como se possível fosse
existir um espaço mínimo para mudarmos as pessoas.
Sou adepto da
violência zero tanto das organizações como dos indivíduos defendendo a
eliminação completa das armas usadas para sua execução, incluindo entre as armas
o próprio argumento, não só não devo, como nem mesmo tenho direito de portando
sutileza tentar dobrar alguém em sua convicção, a crença construímos de maneira
particular, pessoal e intransferível, posso admitir similitude entre as
diversas construções cerebrais dos diferentes seres humanos que por assim serem
podem definir-se por iguais.
Não há calor do
momento que justifique qualquer quebra a este preceito da soberania única e não
delegável do corpo e da alma, quando assim o fazemos estamos destruindo a nós
mesmos no que temos de mais nosso o direito de existir, malditas sejam as
armadilhas intelectuais que criamos com intuito de dobrarmos os espíritos
livres permitindo que se lhe roubem o existir submetendo-os à escravidão intelectual
e física da dependência do outro.
Para mim, a denúncia
permanente dessas estruturas viciadas ponho como dever, a busca de uma
existência transparente assumo como tarefa do meu dia a dia, dar visibilidade é
sim tudo que me compete fazer permitindo que o livro assim escrito seja lido
por quem o desejar, sempre com o discernimento de que o livro lido nunca é o
escrito.
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