Lado a lado de pé
em pé eles marchavam lentos a passo onde ninguém conseguia enxergar no outro senão
fantasia, preservando-se para si a primazia na realidade da dor, caminhava na minha
contramão essa procissão misteriosa, era uma coluna de personagens representando
um teatro de dores, andavam juntos e nada tinham em comum a não ser sua dor
particular, incapazes de ver noutro algo similar ao que sentiam em si, nele
doía no outro era capricho.
Quando encontro a
tristeza escondida em alguém, nem sempre a identifico de pronto, impossível é
entendê-la mais difícil ainda ser solidário com o incompreendido, parece-me
fácil abandoná-la, sim livrar-me da tristeza, não sendo legítima em mim por ser
imagem, no outro onde é real, machuca, parece um ácido que o vai comendo por
dentro, pelo menos um pouco serve de bálsamo conversar sobre a mesma.
Neste instante o
vi com aquele buraco enorme, aquele vazio que preenche por dentro o desconforto
físico de um sentimento de ausência, falta tudo excesso de nada, mexe os
músculos do peito, provoca uma sensação de desconforto na barriga, complica o
aparelho respiratório, seu coração bate rápido, sei que ele existe aposto no
seu crescimento dentro do outro, apenas sou solidário tentando compreender o
que vem a ser esse maldito vazio existencial.
Este que vi ali
com sua dor de amor, por sinal estranha falta de presença, também é visto
envolvido em rimas poéticas onde projetam um sonho incompatível com a realidade,
um romantismo que mais é autopiedade, muito é vontade de magoar-se, isso assim
o é visto do meu lado quando por certo do outro lado que a curte em nada se
parece com ilusão e sim se apresenta como ferida d’alma.
Passo pelos que
possuídos do doentio ciúme que nada mais é do que
certificado de uma propriedade que se sabe inexistente, só existe na gente no outro
é fraqueza ou alucinação, vejo-o refletindo sua insegurança na criação
fantasmagórica de um vilão de novelas, ele cria, recria essa personagem que lhe
sabota minando em si um ser menor do que realmente é.
Protejo-me como
posso para evitar incorporar-me nessa fantasiosa procissão, tento sempre que
posso resgatar alguém dessa fila injusta, mas sou impotente, não existem
argumentos que se encaixam na lógica interna desta construção inadequada que é
a do ser tomado pela dor.
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