domingo, 6 de dezembro de 2015

Perdido entre Cânions

     Assustadores paredões tal qual cânions conformam-me caminhos que por certo não escolhi criados também por processos de erosão se não em milhão pelo menos milhares de anos civilizatórios, esculpiram-se principalmente pela ação dos ventos do poder e das águas da acomodação, por certo um bom lugar para me perder de mim mesmo.

     A persistente ação do tempo, o qual nem podemos existência garantir, pode apenas ser uma explicação do nosso pouco saber, cismado sempre fico com o pouco que dedico a explorar poderes que o bem sei que tenho não como diferenciado, mas sim como igual, ou seja, direitos que todos os possuímos.

     Porque me tomo logo hoje a tratar desse tema, só pelo fato de ter certo entendimento que apenas a minha incompetência pode justificar os ultrapassados mecanismos que uso para viver, talvez essa palavra “viver” seja muito forte, quem sabe opto por “sobreviver” muito mais adequado a sofrível exploração das minhas potencialidades.

     Neste nosso mundo dos ocupados desesperadamente correndo atrás de preenchimento do tempo, que nos tira nossa sensata propriedade de autoridade sobre corpo e espírito, justifica-se o merecido vestir do apelido de marionete, por certo tendo ainda como agravo o estado de absoluto desconhecimento de quem nos manobra.

     Quanto tempo nós perdemos dissecando corpos e espíritos em busca de um entendimento que não está localizado nas partes e sim no todo, dessa junção poderosa de corpo e alma é que precisamos iluminação, seu funcionamento harmônico é o desafio de nossos tempos com a missão de entendendo-o assumirmos o controle total de suas potencialidades.

     Derrubar estes muros, fugir do caminho comum, encontrar nosso espaço-tempo individual elevarmo-nos na potência máxima do ser humano e assim tornarmo-nos capazes de alumiar a natureza exercendo finalmente a paterno-maternidade do próprio ato de ser.

     Perdidos entre cânions nunca mais, o fato é que desvendado o poder inexiste e como estrelas podemos voltar a brilhar no universo integrando-o em todas as suas forças no destino assumido em direção à vida.  

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