quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Me engano, porque eu gosto "II"

        Quando defendo times horizontais de composição heterogênea, falo de gestão partilhada onde planejamos e assumimos responsabilidades, executamos e revisamos nossas tarefas.

        Uma de nossas melhores invenções foi "o chefe", tanto assim o é que não ficamos somente na criação do mesmo, geramos também chefes para os chefes em uma interminável cadeia, incluindo até chefes de coisa nenhuma, sendo igualmente prolixos na quantidade de sinônimos que geramos para dizer a mesma coisa, para representar o mesmo papel.

        Sempre que vejo alguém exercendo este papel de imediato me vem à cabeça um navio com a fileira de remadores acorrentados e um cara mobilizando-os de chicote em punho, obviamente que nos tempos do politicamente correto o chicote e as correntes têm outro nome.

        Na prática a coisa funciona como sempre funcionou, este intermediário tem que submeter os que estão inferiores na hierarquia com a mesma determinação que fideliza sua submissão aos que estão no degrau acima, ou seja, somando e diminuindo é um papel que não tem nada a fazer na engrenagem, apenas um peso a mais a ser carregado.

        Ficou fácil identificá-los, frases curtas, ambíguas, fazendo supor que tudo sabem, como se escondessem algum conhecimento inatingível para os demais, nós os preparamos com os mais diversos cursos para exatamente nada produzirem e parecerem donos de alguma verdade.

        Defendo a ideia de partilhar definições e problemas, organizados em grupos pequenos, que em seu meio conheçam as diferentes graduações de talento individual nas diversas atividades requeridas, onde todos executam todos os papeis descobrindo, assumindo e executando responsabilidades.        


        Crescimento pessoal, amadurecimento coletivo, resultados focados em adicionar valor é o que tenho medido quando consigo trabalhar com a metodologia acima exposta e felizmente nenhuma falta do Chefe.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Me engano, porque eu gosto "I"

     Quando coloco o "I" no título acima, já demonstro minha má intenção, estou declarando que não vou terminar este tema hoje, na verdade apenas vou introduzi-lo, mas nesta linha de confidências esclareço que sendo o texto escrito com base na comunidade de TI, só o é por ser o organismo social no qual estou inserido, oposto que o mesmo adapta-se a tantos outros grupos organizados, senão a todos.

     Lendo "eles fazem de conta que me pagam e eu faço de conta que jogo", cuja origem é uma declaração de um famoso jogador de futebol, imediatamente eu sou tentado a catalogar o texto como folclórico, por puro preconceito a este ramo do entretenimento, devido a sua característica de mais transpiração que inspiração típica do esporte, mas em nossas equipes de desenvolvimento de sistemas essa situação acontece bem mais vezes do que seria desejável supor.

     Partindo do raciocínio exposto na frase "nada é mais contra a vida que a civilização", e comparando o homem de hoje da sociedade "previsão de vida de mais de 70 anos" com o homem da "expectativa de vida de 30 anos" de décadas atrás, não encontro nenhum indicativo que vivemos mais agora, ao contrário o que vejo é criarmos intermináveis mecanismos para não viver.

     Na análise do que é nossa comunidade a vejo muito similar à vida, pois viver nada mais é que resolver problemas, começando pelo primeiro tenho fome, o problema está posto, ou arrumo comida e o resolvo ou estou morto, a similitude aparece quando defino a tarefa básica da comunidade de TI como um eterno resolver problemas.

     Bom, nossa fama de alto grau de fracasso começa por não entenderem a definição acima, sendo muito raro que nos chamem para resolver problemas quase sempre somos convocados a escrever milhares de linhas de código que não fazem nenhum sentido, começamos o jogo perdendo, pois nos preparamos para solucionar problemas e nos colocam a escrever linhas de código, cujo porquê escrevê-las por certo nós não entendemos e mesmo eles não o sabem.


     Imagino que as organizações façam isso apenas para nos manterem ocupados, dentro daquela dinâmica que escrevi antes, baseada em "criar mecanismos para evitar viver". Vou continuar neste tema no próximo post analisando os diversos papéis na área de TI e como estes colaboraram nesta direção, a do engano.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Inovação presa na engrenagem conservadora.

     Não resta dúvida, quando falamos em tecnologia a palavra "inovação" vem a tiracolo, comporta-se como um mantra sagrado, parece impossível qualquer esforço em desenvolvimento de sistemas sem seu componente inovador.

      Por certo já verificamos que a sempre eficiente sociedade conservadora estabeleceu neste caminho um novo negócio, estruturam-se mecanismos de intervenção por parte do governo e da iniciativa privada, criam-se instituições para trazer ao mundo e cuidar desta nova herdeira da tecnologia, porém fazemos uma análise mais profunda e descobrimos que apenas fazem deste modismo o seu ganha-pão, estamos querendo gerar inovação em um mecanismo não inovador.

      Não pretendemos desafiar a voz comum até porque de imediato descobrimos o grande ganho: A tomada de consciência sobre a importância de inovar, porém achamos oportuno refletir um pouco sobre o tema, me parece que a inovação se atinge por talento associado a um conjunto de boas práticas e não por planejar com o objetivo de obter, resumindo, tenho dificuldade de aceitar que inovação seja fruto da simples vontade.  

      Usualmente definida como fazer mais com menos recursos em processos produtivos, ou administrativo-financeiros ou ainda na prestação de serviços potencializando a capacidade de competitividade, podemos concluir que a inovação é inerente ao ser humano, isto é, na verdade o que precisamos é evitar todos os maus hábitos que nos afastam de "pensar" em cada um dos passos que executamos para cumprirmos as metas as quais nos propomos.

      O desafio é este, vasculhar as ferramentas que criamos identificar nelas tudo que afasta seus utilizadores do pensar sua execução, revitalizá-las destinando espaço a incentivar o uso permanente da criatividade nas tarefas independente de seu grau de complexidade, enfim criando um ambiente propício para que a inovação possa aparecer.


      Estamos simplesmente postulando um ambiente de trabalho favorável, onde a comunidade encarregada de executar tarefas as faça exercendo na plenitude o que as caracteriza que é ser humano.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Murphy a TI apostando nas bruxas

     Entre a Lei de Murphy, "tudo que pode dar errado, vai dar errado", e um conhecido adágio espanhol, "Nós não acreditamos em bruxas, mas que elas existem, existem!”, dividimos nosso dia a dia de profissional de TI convivendo com projetos bem-sucedidos e outros nem tanto, são os problemáticos que explicam e popularizam as afirmações anteriores, na prática essa abordagem é apenas um erro contábil, na coluna do débito colocamos os problemas esquecendo-nos de colocar as soluções que oferecemos na coluna do crédito.

     A garantia contra as bruxas, nas quais não acreditamos, provoca grandes esforços no desenvolvimento de mecanismos e estruturas de proteção, subtraindo parcela significativa do escasso tempo que dispomos de dedicação ao projeto, em busca de minimizar esse esforço me aventuro a sugerir pequenos passos que talvez nos ajudem.

     Primeiro cuidado, dedicar todo o tempo necessário para entender os objetivos e as metas a serem atingidas por nosso cliente, isso não representa falta de fé no descritivo do projeto que ele nos apresenta, apenas significa que é preciso saber onde queremos chegar e não o que fazer, o detalhamento apenas nos tira do foco do que é básico, a clareza nos objetivos nas metas vai facilitar o caminho.

     Pesquisa sobre o tema é o passo seguinte preciso antes de discutir o detalhamento com o futuro utilizador preparar-me para as conversas que terei com o mesmo, como discutir com alguém um assunto que não domino? Não me preparando onde vou achar o espírito crítico para analisar suas solicitações e garantir sucesso no desenvolvimento, o segredo é fazer as perguntas certas.

     Negociar, sim negociar prioridades é fundamental, agrupando conjuntos de funcionalidades com o objetivo de dividir para eliminar a complexidade, investir tempo na descoberta de "onde estão os ganhos", identificar alternativas, buscar o melhor caminho obtendo uma programação de entregas priorizadas.

     Trabalhar com times pequenos de talentos complementares, ter sempre como parte do time um especialista no tema, consultor interno ou externo que possibilite enriquecer a proposta, não em número de funcionalidades e sim em qualidade.

     Caros agentes de soluções em TI, que por acaso me privilegiaram com a leitura destas linhas, tenho certeza que a vossa experiência em muito vai corrigir e complementar essas ideias, de minha parte eu espero apenas que tenham alguma utilidade.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Meu aplicativo destruindo postos de trabalho

     Cinema mudo, Chaplin e aquela sequência maravilhosa, o nosso simpático herói completamente desajustado na linha de produção da fábrica, por que me lembrei disto? Porque me vejo hoje inserido em uma sociedade cada vez mais comprometida com a qualidade de vida, começando enfim a romper com esta perversa cadeia construída com a revolução industrial.

     Hoje com maior constância ocorrem surpresas, caminhos alternativos, manifestações poderosas, inesperadas e surpreendentes em praça pública, jovens etiquetados como "bem encaminhados profissionalmente" buscando e principalmente criando outro modo de trabalho, são tempos que nos apontam para direções novas.

     São oportunidades para a comunidade de desenvolvimento de sistemas, elas aparecem em suas duas faces, por um lado o compromisso de construir produtos que automatizando eliminem estes enfadonhos postos de trabalho que ferem a dignidade humana e por outro lado aplicativos que sirvam de oportunidade para a manifestação dos talentos inerentes a cada um de nossos clientes.

     Na primeira oportunidade a grande "vedete" é o Workflow, gerenciador de processos de negócio (BPM), rico em facilidades para desenhar e automatizar processos, que permite trabalhar em uma capa de alto nível e com um poderoso instrumental para institucionalizar a melhoria contínua.

     Na segunda o "astro" é a Inteligência de Negócios (BI), que privilegia ações pró-ativas, ou seja, tudo começa pela visualização dos alertas e seus indicadores expostos nas diferentes dimensões que analisados permitem ao cliente gestor decidir e iniciar os processos mais adequados.


     As oportunidades vêm do mercado, a tecnologia é disponibilizada por ferramentas de TI, no meu caso o Genexus integra no ambiente de desenvolvimento tanto o workflow (GXflow) como o BI (GXquery/GXplorer), e eu com desenvolvimento de aplicativos contribuo para mais qualidade de vida, turnos de trabalho menores e a consequente ampliação do tempo dedicado à convivência humana.    

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Meu aplicativo minha a mesa de trabalho

        Participante ativo de uma sociedade de trocas, onde ora sou cliente ora sou fornecedor, tenho a oportunidade de atuando como cliente desenhar as melhores soluções para meu papel de fornecedor, identificando os pontos fortes que me ajudam e principalmente os pontos fracos que me atrapalham e os utilizo como apoio na modelagem da solução que vou oferecer.

       Minha experiência pessoal oportunizou o uso de vários softwares de CRM, alguns desenvolvidos na própria oficina, outros contratados de terceiros, apesar da qualidade destes produtos sempre me defrontaram com a necessidade de somar ao seu uso em paralelo algum recurso manual ou informatizado.  

        Vivendo o evento "negociação com o cliente" necessito um relatório com as últimas negociações, uma síntese das vendas anteriores, uma planilha com os preços e condições, um bloco de notas para minhas anotações, meu foco está todo dedicado na valorização da conversa com o cliente logo o acesso a todos esses recursos deve ser direto, em um mesmo lugar, no modo "em um click", evitando percorrer menus em busca de cada um destes itens.

         Na prática lá estava eu utilizando um excelente software e em paralelo a cada momento necessitando agregar um novo recurso, uma simples folha de papel para anotações, relatórios para consultas ou ainda sofisticadas planilhas, em outras palavras o aplicativo não conseguia substituir a minha boa e velha mesa de trabalho.

         Assim aprendi a olhar o dia a dia de meus clientes, identificando a cada evento como disponibilizar todos os recursos necessários para sua execução, servindo em um formulário a mesa de trabalho na medida em facilidades e quantidades de recursos.
   
         Não foi difícil perceber que o excesso também nada somava, nega o que penso ser básico que é a simplicidade, agregar engenhosas funcionalidades que em verdade mais alimentam o ego do escritor do software do que ajudam o cliente, quando disponibilizadas acabam poluindo a tela e por consequência gerando dificuldade e não facilidade.


         A tecnologia disponível, os novos modelos de relacionamentos entre as pessoas e o trabalho adicionam valor ao software devido ao fato de a mesa de trabalho, por ser virtual, em cada momento acompanhar o seu usuário.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Se devo ensinar a usar, então meu SW não existe

     Minha proposta não é analisar a existência física das linhas de código escritas e sim a aderência destas ao mundo real, aquele vivido por nosso usuário no seu dia a dia quando planeja, executa, avalia, e onde o sistema não o ajudando pode ser apenas um fardo a mais a ser carregado.    

     Muitas vezes participei de desgastantes e cansativas reuniões na busca de culpados, onde transferimos para os usuários via crédito na conta "uso incorreto do software" nossos problemas, se tem algo que foge da responsabilidade de quem utiliza nosso produto é o seu conhecimento do mesmo, o sistema oferecido é quem deve conhecer as necessidades do utilizador.

     Meu cliente, por óbvio, não tem nada a aprender sobre o software que disponibilizo, sua tarefa é conhecer o próprio negócio, suas principais regras e funcionalidades e é nesta direção que deve ser feito todo e qualquer investimento de tempo e treinamento, aparecendo o software apenas como um recurso de otimização do trabalho.

     O profissional no processo de informatização, independente do setor, concentra seus recursos em investimentos necessários para aumentar sua produtividade, utilizando sistemas que devem ser naturais, navegados de maneira intuitiva, com conceitos e símbolos usuais na sua comunidade.

     Somos tentados a propor sistemas que pecam pela falta de simplicidade, onde mostramos nosso apego à tecnologia que bem serve nossa vaidade, porém pouco compatível com as necessidades do usuário, de alavanca passamos a objetivo e com isso estamos roubando precioso tempo de nosso cliente.
      
     Ter um software vivo no mercado significa evitar somar obrigações para seu utilizador, significa simplificar tarefas agregando potência a cada uma delas, significa via bons resultados acrescer alegria e autoestima.

     Traçando um paralelo com o Futebol onde falamos que um bom juiz é aquele que não aparece durante o jogo, poderíamos na informática dizer: "Quanto mais transparente ao usuário, melhor é o software".