quarta-feira, 7 de junho de 2017

Felicidade Iluminando o Mundo

     Talvez seja apenas um estado interno de graça que me faz garimpar estas joias pequenas que são os raios de felicidade a derramar suas luzes sobre todos nós, talvez o próprio imenso breu que nos cerca permita distinguir com clareza inigualável o arco-íris de almas aí expostas devido ao fato de simplesmente terem encontrado o seu lugar e por isso transmitem esta paz interior contaminando o mundo do melhor que tem o espírito humano a pureza da vida e como tal encorajam a muitos de nós a engajarmo-nos nesta corrente de bem viver.    

     Brotam espontaneamente por diversos cantos do planeta uns tratando a terra com suas próprias mãos, outros colhendo sentimentos em forma de versos de sua poesia, tantos abraçados em seus instrumentos espalhando harmonia dos sons para espíritos atentos, todos cultivando o amor em sua mente e no seu corpo ambos definitivamente comprometidos com a magia de ir ao encontro do outro, são essas as verdadeiras sementes do mundo novo que sonhamos.

     Tão somente pessoas comprometidas com esta mudança interna do conhecer a si mesmo serão capazes de resolver a grande questão filosófica que é entender a vida e mesmo que não desvendem esse mistério, o que tudo indica é o mais provável, só o fato de empenharem-se nesta busca já as transforma em grande instrumento para a construção de um planeta justo para com todos que é composto da síntese da integração da natureza e do homem.

     São estes arautos da não violência contra a natureza e o homem, são estes exterminadores da competição como realização pessoal, são estes instrumentos do não desperdício realizado pela troca responsável de insumos no limite da real necessidade os escultores da justiça social que inicia sempre na construção do homem novo como alicerce necessário e suficiente da justa distribuição da riqueza humana e o consequente transbordamento em alegria e prazer.

     Posso dar meu testemunho simples, pleno e prazeroso composto de pequenos incidentes positivos em um par de horas que acabaram se transformando na necessidade de proferir este meu discurso, não consegui conter em mim sem extravasar para vocês este momento interior.

     Uma bela noite de encontro de almas que se gostam se amam mesmo separadas pela tortura da distância é a hora em que a vida é tudo de bom, relaxo indo à rua para fumar uma última cigarrilha antes de dormir e encontro um jovem também acompanhado de um cigarro neste início de madrugada, em manifesta alegria de partilhar poucos minutos vem falar comigo, foi um tempo muito curto bastante intenso de interesses comuns, a alegria do momento de entender quem era o cara que estava em sua frente de curtir a hipótese de ler meu blog deu-me a entender que eu podia transmitir-lhe algo de bom e isto me completou a alma e me conduziu para uma noite calma e maravilhosa de sonhos.

     Tudo se completa no meu amanhecer lendo o depoimento de amigo de pouca convivência e muita sinergia, um retirante do competitivo mundo da TI, em sua busca na América de lugares repletos do viver música como realização de seus sonhos, eu confesso um estado de espírito tipo como é bom ser feliz tomou conta de mim        

terça-feira, 6 de junho de 2017

Na Vitrine a Palavra Vazia

      Passam por mim milhares de palavras, nas quais escondidas disfarçam-se pessoas, independente do teor as frases são em sua essência discursos vazios, onde o afeto em sua definição filosófica uma mudança ou modificação que ocorre simultaneamente no corpo e na mente conforme Spinoza não está verdadeiramente presente, na prática as sentenças são apenas repetições sistemáticas de brados de guerra orquestrados por terceiros, confesso nada mais dizem para mim a não ser o fato de que não há um ser pensante por trás das mesmas.

     Nas redes sociais, por sua amplitude global, expor uma falsa imagem trabalhada com o intuito de ser fonte de desejo justifica-se plenamente pela busca do minuto de fama e/ou de aceitação pelo outro, não é surpresa sua personificação como um mural de debate descompromissado e feroz vendendo falta de coerência e convicção, mas na mesa de bar, nos compromissos sociais, nos momentos de convivência oportunizados na sociedade o fenômeno também passou a ocorrer graças ao nosso continuado hábito de assim proceder, aí sim passamos a viver em um verdadeiro baile de máscaras onde convivem fachadas e não seres humanos.

     Na verdade não sei o porquê da minha indignação, possivelmente um ato falho meu de rebelde mal civilizado, sabedor que sou do esforço enorme desprendido para evitar que cresçam seres humanos e em seu lugar proliferem espectros destinados a preencher os espaços vazios na esteira de produção e na sociedade de consumo, todos preparados para cumprir a contento suas funções produtivas e movimentar a máquina de consumo de futilidades.

     Muito tempo já faz que o divórcio entre as palavras seus signos com o pensamento humano ocorreu e ainda continuo perseguindo-as na busca do entendimento das vidas que elas acobertam em um ato de loucura que deveria abdicar e não consigo, quero encontrar imersas nelas sentimentos e lógicas que em minha opinião são os ingredientes que em sua mistura determinam um Homem, esse mesmo que vocês estão imaginando um corpo e uma mente fundida em entidade única.

     Não pretendo abrir mão dos sentidos, também não desisto de decifrar-me no outro, muito menos abdiquei de tentar explicar-me o ato de viver, sigo peneirando as multidões de signos escritos, falados ou desenhados neste mural globalizado de modo esparso na busca de pepitas de amor que possam justificar-me como um ser livre pensador e sempre que possível quero dar testemunho disso para os outros com quem convivo, a cada encontro ocorrido me invade uma felicidade da qual não pretendo abrir mão e almejo ler no corpo do outro.


     O próprio caos social que vivemos é o indicativo de mudança, sinto ares de uma iminente grande transformação na sociedade e nas pessoas por simples impossibilidade de seguir neste rumo de desesperança, a engrenagem está prestes a romper-se por puro desgaste gerando a implosão de tudo que aí está e abrindo os caminhos de um novo contrato entre os seres humanos.

domingo, 14 de maio de 2017

Quando se Abrem Todas as Portas

     Independe de vontade o acaso é a oportunidade imperdível para quem se prepara, em nossa ampla tolice imaginamos construir caminhos, sendo de conhecimento nosso que eles existem desde sempre e o que nos cabe é descobri-los, prepararmo-nos significa libertar-se da arrogância e desobstruir todos os empecilhos à manifestação plena dos nossos sentidos, habilitando-nos a jogarmo-nos por inteiro na corrente do rio que nos leva à plenitude.

     Todas as vezes que insensatamente sem olhar para mim mesmo construo castelos de areia pensando serem obras perenes, assim o faço por guiar-me pela lógica ditada por pretensos profetas de uma vida externa à minha, quando por certo a mais minúscula obra só pode nascer de mim se partir do eterno conhecer-me, que se revela pelo observar-me no maravilhoso espelho que é o outro.

     Esmiuçando cada gesto de outrem na geografia dos traços físicos humanos, seus fazeres mesmo que imóveis, dizeres mesmo que em silêncio, adivinhando o pensamento que os move não para classificá-los e sim para julgarmo-nos no único tribunal justo que é o do encontro de nós mesmos, construímos internamente um novo ser a cada momento e essa transmutação continuada é o que podemos chamar de estar vivo.

     Nesta guerra desenfreada entre a natureza e os homens e destes entre si, de fato quem morre são sempre todos, evitar essa perda passa pelo olhar caridoso de quem compreende a complexidade do outro e decifra em si todas as pretensas maldades e bondades com as quais impensadamente etiqueta-o, como se na essência não fôssemos todos feitos do mesmo barro, não vivêssemos as mesmas angústias e não partilhássemos a enorme ignorância sobre quase tudo do universo.

     Nunca imaginei ser este um caminho fácil, porque o fácil tende a ser efêmero e vazio, sempre tive a percepção que felicidade exige atenção e dedicação a quem conosco compartilha o universo, independente do tipo de ser e o que ele represente, deve ser alvo de todos os nossos sentidos.

     Auscultar-me a cada detalhe visto, a cada cheiro percebido, a cada toque sentido, a cada som navegado, a cada sabor experimentado, com a paciência de quem se deixa ser envolvido por uma onda físico espiritual que se expande e contrai no tempo até a amplitude do momento, assim é quando se está disposto a amar, quando se abrem todas as portas.                 

sábado, 13 de maio de 2017

Rejeito Amar a Metade

     Envolvido me quero por inteiro, não me atrai o vulcão da paixão separado da poça contaminada da depressão, prazeroso me são suas lágrimas amargas de tristeza tanto quanto o doce mel do seu sorriso, na sua companhia amo seus momentos de displicente monotonia assim como a violência dos teus jogos de posse e submissão, eu rejeito amar pela metade.

     Envolvido me quero por inteiro, meu gostar é a soma de todos os teus gostares, vivendo cada um dos teus amores como se minha vida estivesse entranhada na tua assim amando-os também do seu jeito, com a sua marca ampliando-os por ti, não lhes tenho ciúme e sim júbilo pela beleza de amante que és o que soa como uma dádiva ao meu ser, eu rejeito amar pela metade.

     Envolvido me quero por inteiro, quando tropeças em um desamor me alegro ajudo e acompanho o crescimento que ele lhe traz, transmuto tudo que tens como mágoas em doces alegrias para tua alma consumindo-as por ti, em tua desesperança curto o prazer de alterar o seu curso para esperança com meu choro aliviando e suprimindo o seu, eu rejeito amar pela metade.

     Envolvido me quero por inteiro, tuas angústias doces, tuas ansiedades indiscretas, tuas pequenas maldades inocentes, teu mal querer internamente indesejado, tuas tristezas desnecessárias, tuas desconfianças evitáveis são a mesma face de tua alegria exuberante, de teu sorriso contagiante, de tua sensualidade gritante, de teu amor potência infinita e é esse todo um conjunto inteiro de talentos que insensatos tentam classificar como do bem ou do mal que compõe o ser humano alvo do meu gostar, eu rejeito amar pela metade.

     Envolvido me quero por inteiro, seus diferentes detalhes físicos e espirituais verdadeiro caleidoscópio que em seu conjunto tem toda a beleza do mundo e só assim o é pelo acréscimo de cada uma de suas pequenas peças independente de suas formas, cores, medidas ou valores a comporem o arco-íris da sua presença, seu poder vem da harmonia das partes que sozinhas não tem valia e no todo é a própria magnificência, eu rejeito amar pela metade.


     Envolvido me quero por inteiro, revelar-te em esplendor só o podes quando te mostras inteira como verdade imanente e por isso imploro não tentes seduzir-me com o que pensas ser do meu agrado e sim seja simplesmente o que o momento te consente viver, eu rejeito amar pela metade.            

domingo, 23 de abril de 2017

O Dia Que Me Revelei – Último Ato.

     Tinha colocado tudo a perder minando nas bases uma relação que era publicamente por mim jurada ser para sempre, de fato está no início do fim a partir dos fatos deste dia, por simples quebra de confiança, o sempre não existiria mais e desnecessário é dizer que fui eu que o interrompi, pelo detalhe de ser de minha natureza assim proceder.

     Não poderia ser diferente antes do sol se pôr estava expulso de casa, pode parecer estranho apesar de não querer romper a relação eu tinha consciência de que não havia nada a fazer, minha primeira reação foi sair enlouquecido à procura da outra, a parceira no momento da quebra do status quo vigente, procurava justificar dentro de mim tudo como uma paixão fulminante inevitável e estava disposto a entrar no epicentro do furacão jogar-me de corpo e alma como se envolvido neste encontrasse minha redenção.

     De fato não me dei conta no momento que também ela tinha quebrado regras, portanto ela lidava com suas próprias dificuldades, suas relações que me eram totalmente desconhecidas certamente a colocaram também nas cordas e por óbvio ela tanto como eu estava distante de encontrar o como justificar-nos, e assim aconteceu, o que nos uniu nos separou, foi impossível encontrarmo-nos novamente, por certo, este foi o amor mais perfeito de minha vida nunca tive oportunidade de maculá-lo.

     Alguns dias depois do emblemático sábado em um motel em pleno meio dia principiamos a difícil reconstrução da relação conjugal, nunca tinha deixado de amar minha mulher, menos ainda queríamos abortar a vida em família a qual lutávamos para viabilizar e assim entre altos e baixos labutamos por isso por uma dezena de anos antes da separação definitiva, o que envolveu de parte a parte muitas outras histórias e para ambos a alegria de um segundo filho, de fato ali naquele dia tudo tinha terminado era só uma questão de tempo.

     Talvez o que tenha tornado mais fácil manter tantos anos a convivência era o fato de que profissionalmente nossas vidas estavam em alta, viajávamos muito, o dinheiro era fácil e suficiente para ter um adequado padrão de vida, nunca desconsiderando a minha característica, teimosamente mantida até hoje, de sempre estar no limite da insuficiência, nunca acreditei em acumular apostando sempre em disponibilizar o melhor para quem comigo convive, não sei fazer conta de chegada, sei apenas que tendo ou simplesmente imaginando a possibilidade de tê-lo, estarei usando tudo no momento e por certo nunca me preocupei com sua falta futura.

     O que me mantém integro até este momento é saber que todos os partícipes do acontecido deram o melhor de si em todos os momentos e assumindo as rédeas de suas individualidades seguiram o plano de suas vidas na busca da felicidade e muitos e muitos anos na sequência dos fatos seguiram partilhando outras almas e situações e assim fizeram-se plenos de si mesmos.

   

sábado, 22 de abril de 2017

O Dia Que Me Revelei – Segundo Ato.

     A festa era política, também era alegria, música, bebida, comida, era social, sendo pessoas e relações tudo pode acontecer principalmente se as coisas já estão germinando embrionárias dentro de nós, poderia mentir para mim mesmo alegando resultado de uma bebedeira, álibi fácil com certeza, sei que estava sóbrio o suficiente para encantar-me com outra mulher, sempre soube que não existe posse e principalmente que não há relação exclusiva somos destinados a múltiplos relacionamentos e mesmo tendo me policiado até este dia a infidelidade crescia dentro de mim sem abrir mão do desejo de manter a família, não havia antagonismos e sim movimentos paralelos.

      Vi-me saindo com ela, tudo o que pretendíamos sintetizava-se em ficarmos juntos, em que lugar naquela hora do dia não vinha muito ao caso tanto para um como para o outro, quando nos demos conta simplesmente tínhamos abolido todas as circunstâncias desfavoráveis.

     Entendo que perdi, vamos admitir perdemos o que chamamos de discernimento, não que preze em demasia o conceito que quase sempre funciona como uma camisa de força, o fato é que perseguido por alta carga de adrenalina movia-me desprendido de todos os escudos de proteção, por consequência exposto a todos os riscos, independente de experiência, preparo e planejamento anterior que poderia ter, quando tomo a atitude de detonar o pavio aposto a priori na explosão mesmo que esta possa representar uma morte e um renascimento.

     Lembrar tudo é impossível, mas a sequência de marcas que ficaram é inapagável logo posso reproduzi-las partindo do encanto entre nós dois desligados do entorno, passando pela decisão de sairmos para um lugar onde pudéssemos curtir a intimidade e sem nenhum tipo de freio nos demos ao luxo de passar na casa do noivo dela pegar o automóvel disponível, despreocupados com todos que lá estavam, com nossos passos guiados só pela paixão.

     Tenho que admitir que juntar todos os lados, e são muitos, dos momentos vividos é impossível nem mesmo temos a certeza do que nos move quando mais entendermos todos os movimentos das pessoas envolvidas direta ou indiretamente com um dado fato, todos têm suas razões que independem complemente das nossas e que por certo nunca saberemos como definitivamente vão interferir na nossa vida, sei que de minha parte naquele momento não queria saber.

     Rumamos em decisão por nós não questionada em momento algum para o apartamento que fiz de meu, mesmo sendo nosso meu e de minha mulher, onde nossas profanas marcas ficaram gravadas nos lençóis violando o contrato antigo e em vigor de amar até que a morte nos separasse.


     Não tivemos nem o cuidado de apagar os rastros e evitar as testemunhas isso não nos passou pela cabeça, nós assumimos o ato publicamente sem nunca querer tê-lo divulgado, envoltos numa magia a dois que não questionamos apenas vivenciamos. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Dia Que Me Revelei – Primeiro Ato.

     Tudo andava bem, as questões relacionadas ao dia a dia colocadas no bom rumo, dinheiro não tinha nem faltava era suficiente para manter minha família agora acrescida de um filho e de uma casa em construção, na voz do povo algo tipo tudo nos conformes, o amor de uma mulher, a alegre beleza de curtir o primeiro filho, o lado profissional impulsionado por um vento favorável, amigos na medida do necessário tanto na família como na militância política e também no ambiente de trabalho, porém o pavio estava acesso e eu tinha consciência deste fato apesar de mantê-lo escondido de todos inclusive de mim mesmo.

     Sábado encontro da turma para fazer fundos para a campanha do nosso grupo político pertencente a ala mais à esquerda dentro do movimento trabalhista, feijoada feita no capricho, temperada com a discussão da estratégia política contra a ditadura agonizante e acompanhada das bem vindas caipirinhas e cervejas.

     Construí meu modo de ser dentro da camisa de força de uma família tradicional, catolicismo importado da Europa na vivência dos meus antepassados, genética germânica com sua inevitável carga de disciplina, organização e privilégios inegáveis. Riqueza? Não, uma vida simples de classe média baixa, frequentando colégio de religiosos por conta de sacrifícios financeiros, alimentação adequada somada à dedicação completa dos pais ao núcleo familiar, o diferencial parecia ser a potência do pensar crítico a empurrar-me sistemática e continuadamente na busca de romper esse círculo de proteção.

     Tudo andando nos conformes meu filho na casa dos meus pais, minha mulher que não gostava de política no trabalho, e eu a caminho daquele ambiente de discussão e diversão, espaço de resistência que eu não conseguia abrir mão em tempos de autoritarismo.

     E meu filho, eu tinha um menino nenê ainda, era sábado não havia outra opção do que estar na segurança da companhia dos meus pais, não teria como lembrar qual de nós dois eu ou minha mulher o tínhamos deixado lá, mas trazia-me a segurança de estar em lugar bem protegido, amado com certeza tornava desnecessária minha preocupação com ele, quanto a minha mulher tinha saído para trabalhar, sabia que ela voltaria no fim da tarde, confesso para mim não tinha nenhuma importância o que ela faria este era um problema que eu catalogava como de alçada tão somente dela.

     Lá pelas tantas meu foco estava em uma companhia muito agradável, alguém que agora nem lembro o nome, ela estava muito acima de uma nominação, era a cada instante mais tudo o que eu queria e eu por certo não fugiria.