Tudo andava bem,
as questões relacionadas ao dia a dia colocadas no bom rumo, dinheiro não tinha
nem faltava era suficiente para manter minha família agora acrescida de um
filho e de uma casa em construção, na voz do povo algo tipo tudo nos conformes,
o amor de uma mulher, a alegre beleza de curtir o primeiro filho, o lado
profissional impulsionado por um vento favorável, amigos na medida do
necessário tanto na família como na militância política e também no ambiente de
trabalho, porém o pavio estava acesso e eu tinha consciência deste fato apesar
de mantê-lo escondido de todos inclusive de mim mesmo.
Sábado encontro
da turma para fazer fundos para a campanha do nosso grupo político pertencente
a ala mais à esquerda dentro do movimento trabalhista, feijoada feita no
capricho, temperada com a discussão da estratégia política contra a ditadura
agonizante e acompanhada das bem vindas caipirinhas e cervejas.
Construí meu modo
de ser dentro da camisa de força de uma família tradicional, catolicismo
importado da Europa na vivência dos meus antepassados, genética germânica com
sua inevitável carga de disciplina, organização e privilégios inegáveis. Riqueza?
Não, uma vida simples de classe média baixa, frequentando colégio de religiosos
por conta de sacrifícios financeiros, alimentação adequada somada à dedicação
completa dos pais ao núcleo familiar, o diferencial parecia ser a potência do
pensar crítico a empurrar-me sistemática e continuadamente na busca de romper esse
círculo de proteção.
Tudo andando nos
conformes meu filho na casa dos meus pais, minha mulher que não gostava de
política no trabalho, e eu a caminho daquele ambiente de discussão e diversão, espaço
de resistência que eu não conseguia abrir mão em tempos de autoritarismo.
E meu filho, eu
tinha um menino nenê ainda, era sábado não havia outra opção do que estar na
segurança da companhia dos meus pais, não teria como lembrar qual de nós dois
eu ou minha mulher o tínhamos deixado lá, mas trazia-me a segurança de estar em
lugar bem protegido, amado com certeza tornava desnecessária minha preocupação
com ele, quanto a minha mulher tinha saído para trabalhar, sabia que ela voltaria
no fim da tarde, confesso para mim não tinha nenhuma importância o que ela faria
este era um problema que eu catalogava como de alçada tão somente dela.
Lá
pelas tantas meu foco estava em uma companhia muito agradável, alguém que agora
nem lembro o nome, ela estava muito acima de uma nominação, era a cada instante
mais tudo o que eu queria e eu por certo não fugiria.
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