Passam por mim
milhares de palavras, nas quais escondidas disfarçam-se pessoas, independente do
teor as frases são em sua essência discursos vazios, onde o afeto em sua
definição filosófica uma mudança ou modificação que ocorre simultaneamente no
corpo e na mente conforme Spinoza não está verdadeiramente presente, na prática
as sentenças são apenas repetições sistemáticas de brados de guerra
orquestrados por terceiros, confesso nada mais dizem para mim a não ser o fato
de que não há um ser pensante por trás das mesmas.
Nas redes sociais, por sua amplitude
global, expor uma falsa imagem trabalhada com o intuito de ser fonte de desejo
justifica-se plenamente pela busca do minuto de fama e/ou de aceitação pelo
outro, não é surpresa sua personificação como um mural de debate
descompromissado e feroz vendendo falta de coerência e convicção, mas na mesa
de bar, nos compromissos sociais, nos momentos de convivência oportunizados na
sociedade o fenômeno também passou a ocorrer graças ao nosso continuado hábito
de assim proceder, aí sim passamos a viver em um verdadeiro baile de máscaras
onde convivem fachadas e não seres humanos.
Na verdade não sei o porquê da minha indignação,
possivelmente um ato falho meu de rebelde mal civilizado, sabedor que sou do
esforço enorme desprendido para evitar que cresçam seres humanos e em seu lugar
proliferem espectros destinados a preencher os espaços vazios na esteira de
produção e na sociedade de consumo, todos preparados para cumprir a contento
suas funções produtivas e movimentar a máquina de consumo de futilidades.
Muito tempo já faz que o divórcio entre as
palavras seus signos com o pensamento humano ocorreu e ainda continuo perseguindo-as
na busca do entendimento das vidas que elas acobertam em um ato de loucura que
deveria abdicar e não consigo, quero encontrar imersas nelas sentimentos e
lógicas que em minha opinião são os ingredientes que em sua mistura determinam
um Homem, esse mesmo que vocês estão imaginando um corpo e uma mente fundida em
entidade única.
Não pretendo abrir mão dos sentidos,
também não desisto de decifrar-me no outro, muito menos abdiquei de tentar explicar-me
o ato de viver, sigo peneirando as multidões de signos escritos, falados ou
desenhados neste mural globalizado de modo esparso na busca de pepitas de amor
que possam justificar-me como um ser livre pensador e sempre que possível quero
dar testemunho disso para os outros com quem convivo, a cada encontro ocorrido
me invade uma felicidade da qual não pretendo abrir mão e almejo ler no corpo
do outro.
O próprio caos social que vivemos é o
indicativo de mudança, sinto ares de uma iminente grande transformação na
sociedade e nas pessoas por simples impossibilidade de seguir neste rumo de
desesperança, a engrenagem está prestes a romper-se por puro desgaste gerando a
implosão de tudo que aí está e abrindo os caminhos de um novo contrato entre os
seres humanos.
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