terça-feira, 6 de junho de 2017

Na Vitrine a Palavra Vazia

      Passam por mim milhares de palavras, nas quais escondidas disfarçam-se pessoas, independente do teor as frases são em sua essência discursos vazios, onde o afeto em sua definição filosófica uma mudança ou modificação que ocorre simultaneamente no corpo e na mente conforme Spinoza não está verdadeiramente presente, na prática as sentenças são apenas repetições sistemáticas de brados de guerra orquestrados por terceiros, confesso nada mais dizem para mim a não ser o fato de que não há um ser pensante por trás das mesmas.

     Nas redes sociais, por sua amplitude global, expor uma falsa imagem trabalhada com o intuito de ser fonte de desejo justifica-se plenamente pela busca do minuto de fama e/ou de aceitação pelo outro, não é surpresa sua personificação como um mural de debate descompromissado e feroz vendendo falta de coerência e convicção, mas na mesa de bar, nos compromissos sociais, nos momentos de convivência oportunizados na sociedade o fenômeno também passou a ocorrer graças ao nosso continuado hábito de assim proceder, aí sim passamos a viver em um verdadeiro baile de máscaras onde convivem fachadas e não seres humanos.

     Na verdade não sei o porquê da minha indignação, possivelmente um ato falho meu de rebelde mal civilizado, sabedor que sou do esforço enorme desprendido para evitar que cresçam seres humanos e em seu lugar proliferem espectros destinados a preencher os espaços vazios na esteira de produção e na sociedade de consumo, todos preparados para cumprir a contento suas funções produtivas e movimentar a máquina de consumo de futilidades.

     Muito tempo já faz que o divórcio entre as palavras seus signos com o pensamento humano ocorreu e ainda continuo perseguindo-as na busca do entendimento das vidas que elas acobertam em um ato de loucura que deveria abdicar e não consigo, quero encontrar imersas nelas sentimentos e lógicas que em minha opinião são os ingredientes que em sua mistura determinam um Homem, esse mesmo que vocês estão imaginando um corpo e uma mente fundida em entidade única.

     Não pretendo abrir mão dos sentidos, também não desisto de decifrar-me no outro, muito menos abdiquei de tentar explicar-me o ato de viver, sigo peneirando as multidões de signos escritos, falados ou desenhados neste mural globalizado de modo esparso na busca de pepitas de amor que possam justificar-me como um ser livre pensador e sempre que possível quero dar testemunho disso para os outros com quem convivo, a cada encontro ocorrido me invade uma felicidade da qual não pretendo abrir mão e almejo ler no corpo do outro.


     O próprio caos social que vivemos é o indicativo de mudança, sinto ares de uma iminente grande transformação na sociedade e nas pessoas por simples impossibilidade de seguir neste rumo de desesperança, a engrenagem está prestes a romper-se por puro desgaste gerando a implosão de tudo que aí está e abrindo os caminhos de um novo contrato entre os seres humanos.

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