sábado, 22 de abril de 2017

O Dia Que Me Revelei – Segundo Ato.

     A festa era política, também era alegria, música, bebida, comida, era social, sendo pessoas e relações tudo pode acontecer principalmente se as coisas já estão germinando embrionárias dentro de nós, poderia mentir para mim mesmo alegando resultado de uma bebedeira, álibi fácil com certeza, sei que estava sóbrio o suficiente para encantar-me com outra mulher, sempre soube que não existe posse e principalmente que não há relação exclusiva somos destinados a múltiplos relacionamentos e mesmo tendo me policiado até este dia a infidelidade crescia dentro de mim sem abrir mão do desejo de manter a família, não havia antagonismos e sim movimentos paralelos.

      Vi-me saindo com ela, tudo o que pretendíamos sintetizava-se em ficarmos juntos, em que lugar naquela hora do dia não vinha muito ao caso tanto para um como para o outro, quando nos demos conta simplesmente tínhamos abolido todas as circunstâncias desfavoráveis.

     Entendo que perdi, vamos admitir perdemos o que chamamos de discernimento, não que preze em demasia o conceito que quase sempre funciona como uma camisa de força, o fato é que perseguido por alta carga de adrenalina movia-me desprendido de todos os escudos de proteção, por consequência exposto a todos os riscos, independente de experiência, preparo e planejamento anterior que poderia ter, quando tomo a atitude de detonar o pavio aposto a priori na explosão mesmo que esta possa representar uma morte e um renascimento.

     Lembrar tudo é impossível, mas a sequência de marcas que ficaram é inapagável logo posso reproduzi-las partindo do encanto entre nós dois desligados do entorno, passando pela decisão de sairmos para um lugar onde pudéssemos curtir a intimidade e sem nenhum tipo de freio nos demos ao luxo de passar na casa do noivo dela pegar o automóvel disponível, despreocupados com todos que lá estavam, com nossos passos guiados só pela paixão.

     Tenho que admitir que juntar todos os lados, e são muitos, dos momentos vividos é impossível nem mesmo temos a certeza do que nos move quando mais entendermos todos os movimentos das pessoas envolvidas direta ou indiretamente com um dado fato, todos têm suas razões que independem complemente das nossas e que por certo nunca saberemos como definitivamente vão interferir na nossa vida, sei que de minha parte naquele momento não queria saber.

     Rumamos em decisão por nós não questionada em momento algum para o apartamento que fiz de meu, mesmo sendo nosso meu e de minha mulher, onde nossas profanas marcas ficaram gravadas nos lençóis violando o contrato antigo e em vigor de amar até que a morte nos separasse.


     Não tivemos nem o cuidado de apagar os rastros e evitar as testemunhas isso não nos passou pela cabeça, nós assumimos o ato publicamente sem nunca querer tê-lo divulgado, envoltos numa magia a dois que não questionamos apenas vivenciamos. 

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