quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Ser Visível é a Prioridade em Tempos de Clique.

                 As máscaras, sim porque são várias sobrepostas, são construídas com o cuidado de corresponderem a um alvo pré-determinado da sociedade, não estamos em tempos de expor conteúdo ou verdades pessoais, hoje nos obrigamos a corresponder a um grupo de preferência envolvido em uma polêmica.

 

                Carentes de honestas relações pessoais, solitários na multidão, compensamos com o som de palmas e vaias nas impessoais redes sociais nosso despreparo para lidarmos conosco mesmos e com nossa vocação lançada na direção do outro, nosso semelhante.

 

                Deixamos de ser os roteiristas de nossas vidas para conduzirmos nossos caminhos pelo ruído de pretensas pesquisas de opinião em uma sociedade de alta tecnologia dedicada a trabalhar em cada um de nós o desejo e assim exercer o poder de manipulação.

 

                A tristeza e a alegria, o amor e o ódio, bem como a indignação deixaram de ser sentimentos transformando-se em conteúdos racionais dedicados a corresponder a construções teóricas de pensamento cada vez mais construídas por terceiros.

 

                Como tão em moda nestes tempos pós modernos terceirizamos a condução de nosso viver, preferencialmente nos mantendo tão ocupados em fazer desnecessidades com o intuito de fugirmos em permanência do encontro conosco mesmos.

 

                Quem decretou que pode ser feliz o humano que substitui aceitar a si mesmo por ser aceito por um grupo só pode estar comprometido com um jogo de poder, e assim sendo trabalhando interesses pessoais e nunca da humanidade.

 

                A manipulação do desejo tem a força de despersonalizar o ser humano que abandona suas necessidades naturais para lançar-se atrás de alucinações sucessivas onde a frustação do alvo alcançado alimenta o novo a ser buscado e assim sendo não mais vivemos mas corremos atrás do que nos dizem ser o viver.   

 

                Parece confortável acreditarmos que exista um caminho que possa servir a todos, mas isso seria reduzirmo-nos a seres programáveis por terceiros e nos tiraria o que nos distingue a capacidade de decidir, os vários tons de prazer que cada decisão nos traz é o que nos torna plenos.             

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