As máscaras, sim porque são várias sobrepostas, são construídas com o cuidado de corresponderem a um alvo pré-determinado da sociedade, não estamos em tempos de expor conteúdo ou verdades pessoais, hoje nos obrigamos a corresponder a um grupo de preferência envolvido em uma polêmica.
Carentes
de honestas relações pessoais, solitários na multidão, compensamos com o som de
palmas e vaias nas impessoais redes sociais nosso despreparo para lidarmos
conosco mesmos e com nossa vocação lançada na direção do outro, nosso
semelhante.
Deixamos
de ser os roteiristas de nossas vidas para conduzirmos nossos caminhos pelo
ruído de pretensas pesquisas de opinião em uma sociedade de alta tecnologia
dedicada a trabalhar em cada um de nós o desejo e assim exercer o poder de
manipulação.
A
tristeza e a alegria, o amor e o ódio, bem como a indignação deixaram de ser
sentimentos transformando-se em conteúdos racionais dedicados a corresponder a
construções teóricas de pensamento cada vez mais construídas por terceiros.
Como
tão em moda nestes tempos pós modernos terceirizamos a condução de nosso viver,
preferencialmente nos mantendo tão ocupados em fazer desnecessidades com o
intuito de fugirmos em permanência do encontro conosco mesmos.
Quem
decretou que pode ser feliz o humano que substitui aceitar a si mesmo por ser
aceito por um grupo só pode estar comprometido com um jogo de poder, e assim
sendo trabalhando interesses pessoais e nunca da humanidade.
A
manipulação do desejo tem a força de despersonalizar o ser humano que abandona
suas necessidades naturais para lançar-se atrás de alucinações sucessivas onde
a frustação do alvo alcançado alimenta o novo a ser buscado e assim sendo não
mais vivemos mas corremos atrás do que nos dizem ser o viver.
Parece
confortável acreditarmos que exista um caminho que possa servir a todos, mas
isso seria reduzirmo-nos a seres programáveis por terceiros e nos tiraria o que
nos distingue a capacidade de decidir, os vários tons de prazer que cada
decisão nos traz é o que nos torna plenos.
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