Falar
em valores humanos é desenhar uma ficção, não sobrou espaço na sociedade que aí
está para comportamentos fraternos e colaborativos, reinventamo-nos como seres humanos
transformados em gladiadores competindo violentamente para consumir a nós mesmos
e a tudo que nos cerca.
Não
existe mais trigo para separar do joio, ruíram os alicerces da sociedade, todos
temos justificativas em abundância para absolvendo-nos distribuirmos nossas
culpas sobre todos os outros, virou apenas uma questão de ser descoberto ou
não.
Estão viciadas
em seus princípios todas as organizações políticas, econômicas e sociais, as famílias,
as escolas, as sociedades beneficentes, as empresas, os poderes instituídos, no
conceito de sobrevivência onde não existem outras regras que não seja a de não
sermos flagrados.
Escondidos
por silogismos que glorificam a meritocracia, criamos medidas de valor onde
sempre os fins justificam os meios, ficamos especialistas em nos auto absolver,
mais do que isso, nos vangloriamos de nossa esperteza na competição com o
outro.
Somos
espectadores do nosso próprio teatro tragicômico, cômico pelo grotesco da
lógica em que apoiamos nossas auto justificativas, trágico pela destruição que
geramos de seres humanos e da natureza.
É
momento de darmos um basta a tudo isso, é inadmissível continuarmos mantendo a
sociedade humana como se fosse um conjunto de animais famintos que se matam por
causa de pedaços de comida que lhes caem ao seu alcance.
Romper
com isto significa minar as bases degradantes da desigualdade social, as pessoas
têm o direito de ter parte justa da riqueza mundial em alimentação, moradia,
saúde, educação e cultura que as desobrigue de fazer seu papel de gladiador no Coliseu
planetário em que transformamos a terra.
Tão
somente partindo desta base justa conseguiremos ver novamente aflorar a alegria
no trabalho colaborativo e fraternal de todos em prol da humanidade.
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