A religião acompanha os seres humanos desde os primórdios de sua construção social, sempre funcionou como agente moderador e aconselhador do povo, bem como do poder e em todas as vezes que substituiu este papel por assumir o poder causou desastres lamentados até hoje pela humanidade.
O
respeito a liberdade religiosa é um direito constitucional em um país leigo
como o nosso com profundas tradições religiosas e assim deve ser visto e
respeitado inclusive na sua diversidade, o que abrange agnósticos e ateus, como
separar o trigo do joio, entre a liberdade e a exploração da religiosidade é a
grande questão.
Nada
justifica projetos econômicos e políticos executados por religiões, isto
caracteriza desvio de função e como tal deve ser combatido, de fato é um abuso
contra os fiéis e os leva a decidir via filtros indevidos de consciência
descaracterizando a liberdade individual.
Mais do
que brigarem por fiéis as religiões mantém um corporativismo onde absolvem
projetos pseudo-religiosos em nome de manterem privilégios que a todas
beneficiam, é injustificável terem quaisquer benefícios pois representam uma
associação de seres humanos como qualquer outra.
Transparência
econômica, imparcialidade política e espírito comunitário deveriam ser seu
principal norte, infelizmente o que vemos são construções paternalistas
hierarquizadas sempre dispostas a alianças com a estrutura de poder
estabelecida na sociedade.
Se dão
conforto espiritual por um lado, o que é meritório, em contrapartida acabam
abraçadas há interesses mesquinhos comprometidos com a discriminação e
injustiça social causando grandes males a sociedade como um todo.
Existe
sim espaço para todas as manifestações religiosas, mas como a mulher de Cezar
não basta apenas serem honestas tem que parecer honesta, todos os seus atos
deveriam estar em uma vitrine e não na caixa preta que hoje administram.
Talvez
seja muito otimismo que esta transparência parta das próprias organizações
religiosas, que seria o ideal, então que se crie mecanismos eficazes de controle
e fiscalização a fim de merecerem a auto caracterização de beneméritas.
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