Tenho um discurso
o que não é nenhuma exclusividade todo mundo o tem, falta-me certeza da parte
que corresponde a mim em sua autoria, exercer a paternidade total sobre o mesmo
é um sonho que reconheço seria uma grande ingenuidade de minha parte, esse pretenso
meu discurso acontece em um espaço enorme e complexo de objetos e palavras, são
livros em grande diversidade de estilos e autores, são muitas horas de estudo em
organizações diversas, muitas e muitas pessoas cruzando os mesmos caminhos,
incontáveis filmes peças teatrais shows e muita militância vivida nesta parcela
de tempo que me coube até o momento.
Independente do
posicionamento ideológico os discursos da modernidade foram muito influenciados
pelo trio famoso Marx, Freud e Nietzsche que em minha análise julgo serem os
principais responsáveis pela efetiva transposição do período clássico ao
moderno, o que me encoraja a afirmar que no pós século XIX todo o pensamento moderno
passou por uma relação amistosa ou conflituosa com as ideias por eles desenvolvidas,
pretendo ir além afirmando que esta influência avança ainda sobre o nascimento
desta nova época da humanidade que está sendo definida por alguns como
pós-modernidade.
O que poderia justificar a importância da
autoria do discurso, não seria seu existir condição necessária e suficiente
para validá-lo, não o creio, o motivo é simples não acredito em uma verdade
universal sem assinatura, aposto sim em múltiplas influências sobre o
personagem que o protagoniza o que não lhe tira a característica de uma verdade
firmada por quem a proclama, e só assim pode funcionar como um ato justo por ser
identificado por quem o executa tornando-se merecedor de fé para quem o queira
escutar.
A retórica como
instrumento da arte do encantamento, onde a sensibilidade pessoal é utilizada
da mesma maneira que uma qualificada cartomante a instrumentaliza na decifração
daquilo que querem ouvir, construindo sob essa base o discurso do engodo,
inaceitável por mais belo e aplaudido que seja, seu descompromisso com a
verdade estimula o não pensar gerando a adoção de decisões equivocadas onde só
encontraremos um ganhador o próprio artista da argumentação.
Quem escreveu meu
discurso se considero que o legítimo discurso tem alma é o que diferencia a
exposição corajosa de ideias compromissadas com a minha verdade interior do ato
da retórica, do qual quero distância, este dizer o que o outro quer ouvir nada
mais é do que ler um discurso por este outro escrito, tenho a pretensão de
mesmo que ninguém queira me ouvir expor o conjunto das ideias comprometidas com
o desenvolvimento do meu pensar, assim apesar do risco de despertar pouco interesse
justifica-se o fato de manifestá-lo em público, caso contrário emudeço por
saber que não vale a pena ser dito.
Concordo plenamente com o Daniel Strack e aproveito para registrar, que este discurso tocou a minha Alma. Obrigado. Com um abraço do Oliveira.
ResponderExcluirCaro amigo Antônio, nós como nunca necessitamos mais e mais de discursos verdadeiros e assim recuperarmos nossa humanidade, quem agradece sou eu por solidário me fazeres ver os muitos que lado a lado caminham na mesma direção, um grande abraço
ExcluirCaro amigo Antônio, nós como nunca necessitamos mais e mais de discursos verdadeiros e assim recuperarmos nossa humanidade, quem agradece sou eu por solidário me fazeres ver os muitos que lado a lado caminham na mesma direção, um grande abraço
Excluir