terça-feira, 1 de março de 2016

O Verdadeiro Discurso tem Alma.

     Tenho um discurso o que não é nenhuma exclusividade todo mundo o tem, falta-me certeza da parte que corresponde a mim em sua autoria, exercer a paternidade total sobre o mesmo é um sonho que reconheço seria uma grande ingenuidade de minha parte, esse pretenso meu discurso acontece em um espaço enorme e complexo de objetos e palavras, são livros em grande diversidade de estilos e autores, são muitas horas de estudo em organizações diversas, muitas e muitas pessoas cruzando os mesmos caminhos, incontáveis filmes peças teatrais shows e muita militância vivida nesta parcela de tempo que me coube até o momento.

     Independente do posicionamento ideológico os discursos da modernidade foram muito influenciados pelo trio famoso Marx, Freud e Nietzsche que em minha análise julgo serem os principais responsáveis pela efetiva transposição do período clássico ao moderno, o que me encoraja a afirmar que no pós século XIX todo o pensamento moderno passou por uma relação amistosa ou conflituosa com as ideias por eles desenvolvidas, pretendo ir além afirmando que esta influência avança ainda sobre o nascimento desta nova época da humanidade que está sendo definida por alguns como pós-modernidade.

     O que poderia justificar a importância da autoria do discurso, não seria seu existir condição necessária e suficiente para validá-lo, não o creio, o motivo é simples não acredito em uma verdade universal sem assinatura, aposto sim em múltiplas influências sobre o personagem que o protagoniza o que não lhe tira a característica de uma verdade firmada por quem a proclama, e só assim pode funcionar como um ato justo por ser identificado por quem o executa tornando-se merecedor de fé para quem o queira escutar.

     A retórica como instrumento da arte do encantamento, onde a sensibilidade pessoal é utilizada da mesma maneira que uma qualificada cartomante a instrumentaliza na decifração daquilo que querem ouvir, construindo sob essa base o discurso do engodo, inaceitável por mais belo e aplaudido que seja, seu descompromisso com a verdade estimula o não pensar gerando a adoção de decisões equivocadas onde só encontraremos um ganhador o próprio artista da argumentação.     


     Quem escreveu meu discurso se considero que o legítimo discurso tem alma é o que diferencia a exposição corajosa de ideias compromissadas com a minha verdade interior do ato da retórica, do qual quero distância, este dizer o que o outro quer ouvir nada mais é do que ler um discurso por este outro escrito, tenho a pretensão de mesmo que ninguém queira me ouvir expor o conjunto das ideias comprometidas com o desenvolvimento do meu pensar, assim apesar do risco de despertar pouco interesse justifica-se o fato de manifestá-lo em público, caso contrário emudeço por saber que não vale a pena ser dito.

3 comentários:

  1. Concordo plenamente com o Daniel Strack e aproveito para registrar, que este discurso tocou a minha Alma. Obrigado. Com um abraço do Oliveira.

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    1. Caro amigo Antônio, nós como nunca necessitamos mais e mais de discursos verdadeiros e assim recuperarmos nossa humanidade, quem agradece sou eu por solidário me fazeres ver os muitos que lado a lado caminham na mesma direção, um grande abraço

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    2. Caro amigo Antônio, nós como nunca necessitamos mais e mais de discursos verdadeiros e assim recuperarmos nossa humanidade, quem agradece sou eu por solidário me fazeres ver os muitos que lado a lado caminham na mesma direção, um grande abraço

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