quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Mulher Adolescente Frente Agressividade e Libido.

     Nascemos e de imediato, segundo Freud, a sociedade representada por nossos pais trabalha em um continuado e monótono esculpir da entidade interna por ele denominada de “Superego”, a matéria prima que ela utiliza são prêmios e punições, a finalidade é instaurar o controle sobre nossos desejos de prazer, nossa agressividade, nossa libido, essa fonte de energia psíquica ele nomeia como “Id”, um terceiro elemento definido como “Ego” tem por função mediar realidade e ”Id”, acredito no que nos diz o bom senso que o “ego” com sucesso pode administrar essa tensão sem a utilização desta mega polícia o “superego” a nós impingido.  

     Este processo de perda de naturalidade imposto ao homem em nome da civilização foi o tema central do filme "Para minha irmã!" (À ma souer!, 2001),  apresentado na terceira sessão do grupo de debates “Academia das Musas”, sobre filmes dirigidos por mulheres. A direção é de Catherine Breillat, que desenvolve habilmente o tema ao filmar como protagonistas duas mulheres, irmãs e adolescentes, treze e quinze anos, vivenciando o momento de decidir sobre deixar de ser virgem, como coadjuvantes, aparecem os personagens que compõe o palco social onde elas estão inseridas: o pai, a mãe, o candidato pretendente entre outros.

     O clima é propício: ambiente de pequenas férias, as duas irmãs com seus pais, local afastado do usual no dia a dia por isso mesmo sem os compromissos rotineiros, a pequena família perfil moderno conservador em boa situação financeira, gestão de um pai mais focado em seus negócios e uma mãe preocupada com a conveniência social, abrem-se espaços para a relação forte intimista entre as adolescentes com o aparecer dos dois lados da moeda, momentos amorosos vivenciados de forma alternada com os de agressividade no filme, é essa a continuidade de seus duelos entre si e com os outros.

      O encontro com o jovem universitário, no filme é retratado como um aproveitador sexual em busca de um alvo fácil, uma menina menor de idade ainda em tempo de formação da personalidade, postura lamentável de covarde apoiado por sua mãe machista, com a feliz direção da Catherine permite-nos através dos contatos da mais velha com o namorado e com a irmã mais nova, enxergar o aflorar na superfície dos inúmeros questionamentos da iniciação sexual no imaginário de uma mulher, o que é o foco principal da película e adicionalmente nos mostra o despreparo dos pais em tratar dessa situação.

     O tema me tem um fascínio em especial, não tenho ilusões, é absolutamente impossível como homem vivenciar e entender duas mulheres adolescentes, uma de treze e outra de quinze anos, como nos conta Catherine Breillat, mas sempre posso me aproximar de seus fantasmas criados pelo carma social, compará-los com os que me assombrou por ocasião da adolescência masculina, o que obtive com sucesso e me sinto na obrigação de reconhecer que, além da ótima abordagem do filme, fui muito ajudado pela intervenção qualificada das oito musas presentes durante o debate.



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