Nascemos e de
imediato, segundo Freud, a sociedade representada por nossos pais trabalha em
um continuado e monótono esculpir da entidade interna por ele denominada de
“Superego”, a matéria prima que ela utiliza são prêmios e punições, a
finalidade é instaurar o controle sobre nossos desejos de prazer, nossa
agressividade, nossa libido, essa fonte de energia psíquica ele nomeia como “Id”,
um terceiro elemento definido como “Ego” tem por função mediar realidade e ”Id”,
acredito no que nos diz o bom senso que o “ego” com sucesso pode administrar essa
tensão sem a utilização desta mega polícia o “superego” a nós impingido.
Este processo de
perda de naturalidade imposto ao homem em nome da civilização foi o tema
central do filme "Para
minha irmã!" (À ma souer!, 2001),
apresentado na terceira sessão do grupo de debates “Academia das Musas”,
sobre filmes dirigidos por mulheres. A direção é de Catherine Breillat, que
desenvolve habilmente o tema ao filmar como protagonistas duas mulheres, irmãs e
adolescentes, treze e quinze anos, vivenciando o momento de decidir sobre deixar
de ser virgem, como coadjuvantes, aparecem os personagens que compõe o palco
social onde elas estão inseridas: o pai, a mãe, o candidato pretendente entre
outros.
O clima é propício:
ambiente de pequenas férias, as duas irmãs com seus pais, local afastado do
usual no dia a dia por isso mesmo sem os compromissos rotineiros, a pequena
família perfil moderno conservador em boa situação financeira, gestão de um pai
mais focado em seus negócios e uma mãe preocupada com a conveniência social, abrem-se
espaços para a relação forte intimista entre as adolescentes com o aparecer dos
dois lados da moeda, momentos
amorosos vivenciados de forma alternada com os de agressividade no filme, é essa
a continuidade de seus duelos entre si e com os outros.
O
encontro com o jovem universitário, no filme é retratado como um aproveitador
sexual em busca de um alvo fácil, uma menina menor de idade ainda em tempo de formação
da personalidade, postura lamentável de covarde apoiado por sua mãe machista, com
a feliz direção da Catherine permite-nos através dos contatos da mais velha com o
namorado e com a irmã mais nova, enxergar o aflorar na superfície dos inúmeros
questionamentos da iniciação sexual no imaginário de uma mulher, o que é o foco
principal da película e adicionalmente nos mostra o despreparo dos pais em
tratar dessa situação.
O tema me tem um
fascínio em especial, não tenho ilusões, é absolutamente impossível como homem vivenciar
e entender duas mulheres adolescentes, uma de treze e outra de quinze anos,
como nos conta Catherine Breillat, mas sempre posso me aproximar de seus fantasmas criados pelo
carma social, compará-los com os que me assombrou por ocasião da adolescência
masculina, o que obtive com sucesso e me sinto na obrigação de reconhecer que,
além da ótima abordagem do filme, fui muito ajudado pela intervenção
qualificada das oito musas presentes durante o debate.
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