quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Pensando Tropeço na Minha Inexistência.

     O luxuoso brilho do panteísmo é tentação fácil e permanente durante minhas reflexões, imagino também o seja para vocês, sua característica singela de elevar tudo à potência máxima que no caso deste é um todo onde tudo é Deus, apresenta-se como caminho de saída aparente para o labirinto do pensar a existência, apesar deste jogo de sedução apaixonante para o ego de qualquer um nunca o abracei.

     Tenho optado por buscar respostas a esta realidade de homem finito em incertezas do “se”, e “por que” existo, longe de soluções que trazem deuses a abraçarem minhas dúvidas e as colocarem no colo e carinhosamente serem justificativas do meu existir, estou mais próximo da constatação de Foucault que se referindo à filosofia de Nietzsche diz que o mesmo ao matar Deus matou o Homem e caminho sim em busca do super-homem prometido e anunciado.

     Apesar de me tocar e constar vida biológica não posso garantir que o homem seja isso, não estou destinado ao tempo que marca todos os seres que representam a vida, meu discurso ultrapassa essa existência temporal talvez porque de fato eu não exista e seja apenas uma manifestação de algo que ainda não posso compreender, pois todos os seres vivos se alimentam única e exclusivamente da interrupção da vida de um organismo sem esta não há vida, em outras palavras há uma cadeia de mortes que ascendem lumes diminutos de vida a brilharem no universo.

     Vejo todos os caminhos levando ao mesmo lugar, não consigo imaginar que uma árvore destinada a viver séculos, um animal mesmo monomolecular por menor que seja com suas funções tão claras na cadeia de relacionamentos, não saiba seu papel prefiro pensar que não somos capazes de compreender seus pensamentos que estamos ainda muito longe do conhecimento e da verdade correndo o risco de até nunca os encontrarmos.

     Sejamos nós homens os mecanismos mais sofisticados da vida o que por seu curto espaço de tempo conhecido e o pouco que sabemos sobre ela não me traz nenhuma segurança que tenha fundamento real, tudo me leva inclusive a crer que no futuro iremos nos deparar com esforços mais e mais sofisticados dessa manifestação do existir onde nosso protagonismo certamente será contestado, uma parte independente de sua importância nunca será o todo.


     Se pensando tropeço na minha inexistência confesso para quem quiser ouvir que este pequeno espaço no tempo onde se projeta minha imagem é um tempo de incontida felicidade por minhas relações comigo mesmo com os outros com a natureza e as obras destes, pode ser um nada, uma faísca no céu infinito, é o todo que tenho e que me preenche por inteiro como um protagonista/diretor de uma película qualquer que vive sua própria imaginária autobiografia.   

2 comentários:

  1. Caro Daniel Strack, gosto muito da frase "A vida, dá vida a vida" e seguindo o seu pensamento aproveito para indagar, se realmente a sensação que temos é de vida, ou é um sonho, cuja vida só virá após acordarmos ? Abs, do amigo Oliveira

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  2. Caro Amigo Oliveira não sei a resposta e apesar de não ter a pretensão de obtê-la a tenho como dever de casa, um grande abraço

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