O luxuoso brilho
do panteísmo é tentação fácil e permanente durante minhas reflexões, imagino
também o seja para vocês, sua característica singela de elevar tudo à potência
máxima que no caso deste é um todo onde tudo é Deus, apresenta-se como caminho
de saída aparente para o labirinto do pensar a existência, apesar deste jogo de
sedução apaixonante para o ego de qualquer um nunca o abracei.
Tenho optado por
buscar respostas a esta realidade de homem finito em incertezas do “se”, e “por
que” existo, longe de soluções que trazem deuses a abraçarem minhas dúvidas e as
colocarem no colo e carinhosamente serem justificativas do meu existir, estou
mais próximo da constatação de Foucault que se referindo à filosofia de Nietzsche
diz que o mesmo ao matar Deus matou o Homem e caminho sim em busca do
super-homem prometido e anunciado.
Apesar de me
tocar e constar vida biológica não posso garantir que o homem seja isso, não
estou destinado ao tempo que marca todos os seres que representam a vida, meu
discurso ultrapassa essa existência temporal talvez porque de fato eu não
exista e seja apenas uma manifestação de algo que ainda não posso compreender,
pois todos os seres vivos se alimentam única e exclusivamente da interrupção da
vida de um organismo sem esta não há vida, em outras palavras há uma cadeia de
mortes que ascendem lumes diminutos de vida a brilharem no universo.
Vejo todos os
caminhos levando ao mesmo lugar, não consigo imaginar que uma árvore destinada
a viver séculos, um animal mesmo monomolecular por menor que seja com suas
funções tão claras na cadeia de relacionamentos, não saiba seu papel prefiro
pensar que não somos capazes de compreender seus pensamentos que estamos ainda
muito longe do conhecimento e da verdade correndo o risco de até nunca os
encontrarmos.
Sejamos nós
homens os mecanismos mais sofisticados da vida o que por seu curto espaço de
tempo conhecido e o pouco que sabemos sobre ela não me traz nenhuma segurança
que tenha fundamento real, tudo me leva inclusive a crer que no futuro iremos
nos deparar com esforços mais e mais sofisticados dessa manifestação do existir
onde nosso protagonismo certamente será contestado, uma parte independente de
sua importância nunca será o todo.
Se pensando
tropeço na minha inexistência confesso para quem quiser ouvir que este pequeno
espaço no tempo onde se projeta minha imagem é um tempo de incontida felicidade
por minhas relações comigo mesmo com os outros com a natureza e as obras
destes, pode ser um nada, uma faísca no céu infinito, é o todo que tenho e que
me preenche por inteiro como um protagonista/diretor de uma película qualquer
que vive sua própria imaginária autobiografia.
Caro Daniel Strack, gosto muito da frase "A vida, dá vida a vida" e seguindo o seu pensamento aproveito para indagar, se realmente a sensação que temos é de vida, ou é um sonho, cuja vida só virá após acordarmos ? Abs, do amigo Oliveira
ResponderExcluirCaro Amigo Oliveira não sei a resposta e apesar de não ter a pretensão de obtê-la a tenho como dever de casa, um grande abraço
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