segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Não à Selvageria e ao Desrespeito

     Recebo como tentativa de selvageria e desrespeito à continuada ameaça a minha soberania, a autoridade que é derivada do poder que é exclusivo de cada um de nós sobre nosso corpo e nossas ideias, tem sido sistematicamente agredida por ataques dos mesmos que Platão já na antiga Grécia chamava de bajuladores, aqueles que sem compromisso com a verdade no intuito de obter vantagens em proveito próprio dizem o que a maioria quer ouvir, o que resulta em consequente humilhação do homem e inevitável declínio social.

     Os famosos telhados de vidro, de alma vazia estão sempre atentos aos passos alheios para jogar a primeira pedra, rotulando, julgando, acusando a quem de cabeça erguida mostra sua natureza e vive sua verdade por sinal o seu maior direito como homem, a vergonha que tem de si mesmo é o que transforma esses sepulcros caiados em algozes do outro, entendo-os, ao não gostarem de si necessitam rebaixar os outros para aliviar sua dor da admitida inconformidade consigo mesmo.

     O mundo globalizado onde todos estão conectados escancara o nosso despreparo que insisto não é ao acaso e sim obra permanente dos detentores do poder em nos afastar do conhecimento, lembro aqui da denúncia do saudoso Umberto Eco ao falar sobre a invasão de imbecis na internet, respeito o direito da livre manifestação quando fruto da reflexão pessoal quem a faz imbecil não o é para mim mesmo ainda que não possa compartilhá-lo, é apenas pensamento divergente, por outro lado como calar-me em relação a essa legítima máquina de moer gente transformando-as em robôs de frases feitas na esperança de alcançar o maná prometido.

     Não estou falando de uma classe social, de uma posição econômica ou de uma graduação escolar específica, distribuem-se da menor à maior graduação em qualquer uma dessas réguas os desacostumados a pensar, este hábito de viver e refletir sobre o que se vive não serve aos objetivos da sociedade de consumo onde estamos inseridos, pelo simples fato de quebrar a interminável fonte de lucro que é a produção para consumo de desnecessidades, cujo nome mais conhecido vulgarmente é lixo.


     A parresía que na obra de Foucault “O Governo de Si e dos Outros” tão bem é explicitada seduz-me como a grande resposta aos tempos atuais, é preciso encontrar homens que tenham uma verdade sua para dizer, é preciso encontrar homens que a queiram ouvir, é preciso encontrar homens que queiram trabalhar para comunidades não com respostas a consultas de marketing que escutem o que a maioria quer ouvir e sim com a coragem de enfrentá-la, sim desafiar corajosamente essa maioria com verdades que vive e acredita iniciando um novo processo de escutar os outros e ajudá-los na escolha dos melhores caminhos.   

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