Recebo como
tentativa de selvageria e desrespeito à continuada ameaça a minha soberania, a
autoridade que é derivada do poder que é exclusivo de cada um de nós sobre
nosso corpo e nossas ideias, tem sido sistematicamente agredida por ataques dos
mesmos que Platão já na antiga Grécia chamava de bajuladores, aqueles que sem
compromisso com a verdade no intuito de obter vantagens em proveito próprio
dizem o que a maioria quer ouvir, o que resulta em consequente humilhação do
homem e inevitável declínio social.
Os famosos
telhados de vidro, de alma vazia estão sempre atentos aos passos alheios para
jogar a primeira pedra, rotulando, julgando, acusando a quem de cabeça erguida
mostra sua natureza e vive sua verdade por sinal o seu maior direito como
homem, a vergonha que tem de si mesmo é o que transforma esses sepulcros
caiados em algozes do outro, entendo-os, ao não gostarem de si necessitam
rebaixar os outros para aliviar sua dor da admitida inconformidade consigo
mesmo.
O mundo
globalizado onde todos estão conectados escancara o nosso despreparo que
insisto não é ao acaso e sim obra permanente dos detentores do poder em nos
afastar do conhecimento, lembro aqui da denúncia do saudoso Umberto Eco ao falar
sobre a invasão de imbecis na internet, respeito o direito da livre
manifestação quando fruto da reflexão pessoal quem a faz imbecil não o é para
mim mesmo ainda que não possa compartilhá-lo, é apenas pensamento divergente, por
outro lado como calar-me em relação a essa legítima máquina de moer gente
transformando-as em robôs de frases feitas na esperança de alcançar o maná
prometido.
Não estou falando
de uma classe social, de uma posição econômica ou de uma graduação escolar específica,
distribuem-se da menor à maior graduação em qualquer uma dessas réguas os
desacostumados a pensar, este hábito de viver e refletir sobre o que se vive
não serve aos objetivos da sociedade de consumo onde estamos inseridos, pelo
simples fato de quebrar a interminável fonte de lucro que é a produção para consumo
de desnecessidades, cujo nome mais conhecido vulgarmente é lixo.
A parresía que na
obra de Foucault “O Governo de Si e dos Outros” tão bem é
explicitada seduz-me como a grande resposta aos tempos atuais, é preciso
encontrar homens que tenham uma verdade sua para dizer, é preciso encontrar
homens que a queiram ouvir, é preciso encontrar homens que queiram trabalhar
para comunidades não com respostas a consultas de marketing que escutem o que a
maioria quer ouvir e sim com a coragem de enfrentá-la, sim desafiar
corajosamente essa maioria com verdades que vive e acredita iniciando um novo
processo de escutar os outros e ajudá-los na escolha dos melhores caminhos.
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