sábado, 30 de setembro de 2023

Êxtase - Vida e Morte.

               Coabitam sim vida e morte neste acontecimento, a imersão em êxtase, deveríamos poder vive-lo incontáveis vezes, pois representam toda a nossa potência e também nossa insignificância, um caminho do ser tudo e nada em um mesmo momento.

 

               Saindo depois de quase duas horas, tela branca envolvimento total, de uma sala de cinema, os pés parecendo não tocar no chão, sim maravilhado com esta sensação interior que continua prorrogando a magia explicita do filme vivido.

 

               Aquele momento de entrega/posse onde a vivência física do amor, lhe distensiona toda musculatura de seus membros, teu espirito te abandona e te entregas a um instante de inexistência onde és muito tu mesmo.

 

               Assim são nossos momentos de êxtase, saímos de nós mesmos física e espiritualmente para vivenciarmos a essência de nós mesmos, não somos mais corpo e espirito e sim uma unidade em nós mesmo.

 

               Por certo nunca o conseguiremos os provocar artificialmente, não é algo que se planeja racionalmente e menos ainda pode encaixar-se em um roteiro a ser treinado, precisamos da magia de completar nosso momento com a ação exercida.

 

               Somos certamente merecedores de o experimentarmos em quantidade muito maiores do que a maioria de nós o consegue, o fato de sua existência quase instantânea não extingue as marcas profundas de prazer que ele nos deixa.

 

               Sabemos ao certo que os caminhos para encontra-lo são inúmeros e com certeza se trabalharmos com sabedoria podemos oportunizar em várias atividades que ele aconteça, para tal obrigatoriamente temos que sair da defensiva e arriscar jogarmo-nos por inteiro no ato de viver.

 

               Repetir procedimentos nunca será o caminho adequado, é importante experimentar novos rumos, tal qual a história a repetição só resulta em farsa e como tal em frustração, ao percorrê-la não encontraremos o brinde tão sonhado.

 

               Como momento a momento estamos diferentes, a repetição do mesmo script só pode nos decepcionar, sempre seremos capazes de encontrar caminhos diferentes, e quanto mais o tentarmos, mas poderemos casa-los com nosso momento e encontrarmo-nos novamente em êxtase.         

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Vinho, cerveja puro malte, não milhares de frases perdidas

 

               Podem imaginar que estou estupefato, por uns cálices de vinho a mais, ou talvez por copos exagerados de cerveja puro malte, não que não faça isso, mas posso garantir-lhes que o que me tonteia é a invasão de tantas frases perdidas sem sentido que consumo dia a dia nas redes sociais.

 

               Nada contra as frases, são todas bonitinhas, algumas até espirituosas, sempre receitas de bolo de que quem as emite não consome, isto é tão obvio que quando as lemos sabemos que as mesmas não tem nada a ver com quem as posta e sim com os objetivos de seu escrever.

 

               As frases em si são vazias, os objetivos não e está bem que assim o seja, mas como consumir tanta bobagem por tanto tempo, tenho passado pela maioria sem lê-las e quando distraidamente leio alguma só percebo futilidade.

 

               Claro a frase está aí exposta não para ser lida, mas sim para chamar atenção de quem a postou, ora para isso, chamar atenção, não existem regras, logo os objetivos da sua postagem estão sempre encobertos a tentar nos pegar de surpresa.

 

               Cada dia passo mais rapidamente sobre intermináveis posts, sem lê-los a procura de algo que possa despertar minha atenção, infelizmente virei um passador de post, ou seja tap seguido de tap, em busca de algo que não vou encontrar.

 

               Nada a ver com a beleza das frases, apenas o entendimento de que estão fora do contexto, não ajudam na minha vida e muito menos na vida de quem as postou, estão fora do momento a viver de cada um de nós e por obvio são partes do viver de outros em outros tempos.

 

               È fácil entender que os movimentos do mundo hoje não podem ser diferentes do que se apresentam no dia a dia, e que sejam todos felizes nos seus objetivos, apesar de não entender como estes possam trazer felicidade.

 

               Isto não deve mudar em curto espaço de tempo, pois vivemos em plenitude hoje o momento de consumir clicks ou dinheiro e para isso enfeitamos em público uma vida medíocre no privado.

 

               O que em absoluto nos deve trazer desesperança, pois viver sempre é um período de transição entre o nascer e o morrer, e estas pessoas da sala de jantar... Sim se imaginam vivendo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Estórias versus Histórias

 

               Estórias há tantas quanto contadores e ouvintes feito produto cartesiano, já história temos somente uma apesar de estar sempre em processo de reescrita, isto é, estamos sempre nos debruçando sobre a mesma para depurá-la da contaminação de quem a conta.

 

               Em nenhum momento a estória se compromete com a informação ou com a verdade, até porque é entretenimento, o que busca é mexer com os sentidos e alcançar laços e entre contador e ouvinte, e este é o que define nossas redes sociais, seu conjunto de estórias.

 

               Não vemos á priori nenhum problema com relação a isso, desde que os integrantes da comunidade tenham consciência de que são estórias e são contadas para obter efeitos planejados e nunca instrumentos de obtenção de uma pseudoverdade universal.

 

               Infelizmente trocamos o polo, hoje como comunidade construímos verdades (fantasiosas verdades) com simples histórias, em sua maioria sem objetivos comunitários e servindo tão somente a egoístas interesses particulares.

 

               Já a história, tem sido deixada de lado pelo simples motivo de não servir a ninguém, sua independência dos objetivos particulares á faz invisível aos olhos da maioria, por uma simples razão é capaz de abrir os olhos e libertar, o que de fato a maioria tem ojeriza.

 

               Apesar do incansável esforço dos historiadores para explicitá-la com alto nível de pureza, ou seja, em cada fato livre da influência de vencedores e de vencidos, é diariamente transformada na voz de todos em estória e como tal na maioria das vezes á serviço de objetivos inescrupulosos.

 

               Contar e ouvir estórias é uma arte, como tal tem alto grau de excelência, há encontramos em todo seu esplendor, nas páginas dos livros, frente as câmeras de cinema, nas vozes afinadas de cantores e brilhantes compositores, no palco de um teatro e em tantas outras manifestações artísticas.

 

               Já história é uma ciência, e deve ser vista como a descoberta possível em um determinado momento no tempo, como toda a ciência está em permanente evolução e sua grande missão é aprimorar a vivência da humanidade.

 

               Porque estamos tocando neste tema, pelo simples fato de lembrarmos que para o aprimoramento da sociedade humana devemos estar constantemente olhando com carinho para a história e para nos divertirmos curtir as estórias em suas diferentes manifestações artísticas.           

   

sábado, 26 de agosto de 2023

Frente a Frente com Quatro Faces da Violência.

               Tão somente a tela branca pode nos oferecer esta alternativa, seis dias quatro filmes e sim quatro faces completamente diferentes da violência são vividas por este seu amigo aqui, todas comoventes e dignas de emoções importantes há crescerem dentro de nós, por certo a violência tem uma amplitude maior, mas é esse momento vivido nesta semana.

 

               Na sala Capitólio no sábado passado “parceiros na noite”, a violência de um mundo sadomasoquista na comunidade gay, por certo nos parece que é impossível existir este ambiente que vivenciamos ao curtir o filme, mas bem o sabemos se tivermos o cuidado de averiguar as fantasias que invadem as pessoas que a realidade se impõe, a ponto de o protagonista, Al Pacino, se envolver completamente pelo ambiente que investigava a ponto de duvidar de sua própria personalidade.

 

               Esta violência é exposta pelo próprio serial killer aparentemente externo deste ambiente onde cometia seus crimes, o invadia para perpetuá-los sob a sombra da não aceitação da morte, ocorrida a dez anos de seu pai.

 

               Já na terça estava frente a frente com a direção de um alemão e seu parceiro romeno a descrever a queda do regime de Ceausescu na Romênia, impressionante montagem de uma narrativa feita pelas câmeras da televisão oficial romena e de câmeras amadoras sobre o levante popular que determinou o fim a deste governo, uma violência em busca de uma justiça social, foi um discurso muito bem organizado de várias câmeras a testemunhar a tomada do poder.

 

               Óbvio, fui tudo muito rápido, desde a tomada do poder até o julgamento e execução do tirano, muita emoção na massa, muitas bobagens individuais e um impressionante não acreditar no que estava a acontecer pelo casal autoritário, a beleza da manifestação popular não esconde sob a inspeção das câmeras as fraquezas individuais a se aproveitarem da comoção geral.

 

               Bom chegou quinta e de novo na sala redenção, estamos falando do documentário sobre a luta do pai de Assange para a libertação do filho “Ithaka – a luta de Assange” é um documentário que mostra o inevitável envolvimento de um pai (também da mulher e mãe dos filhos de Assange) para libertar um ser humano do odioso e violento jogo de poder que o sistema exerce sobre quem ameaça seus segredos de abuso de poder.

 

               Fica bem claro que o martírio de um membro da raça humana, Assange debilitado psicologicamente e fisicamente, é considerado pelos donos do sistema como uma violência aceitável e necessária não só contra ele, como contra todos que puderem ousar enfrentar os constantes erros mal intencionados do mesmo.

 

               Bom fechamos os seis dias no Capitólio, dramalhão mexicano da década de 50, história maravilhosa de uma mulher, libertária e não modelo de bom comportamento social, consegue desafiar todas as violências do destino e terminar vitoriosa e em paz com si mesma, a despeito das violências a que foi submetida.

 

               Desejando muitos e muitos mais seis dias de tela branca como esses.                     

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Nunca há Espaço Suficiente para a Felicidade

 

               Independente do perfil individual, necessidade profunda de receber ou de fornecer, o espaço é suficiente para conter a felicidade, cada momento de ganho é uma insaciável vontade de mais querer, vontade de gratificar mais ou vontade de mais ser recompensado.

 

               Nos deveria ser muito fácil isto entender, pois como o passado é uma inexistência cada passo dado é mais e mais um novo querer, se passa em nosso espirito, assim como no corpo, cada necessidade satisfeita é o estopim de inúmeros novos desejos.

 

               Aquele momento de explosiva felicidade, vive e morre no momento presente, e dele escapam em círculos inúmeras faíscas de necessários novos momentos felizes, quanto maior o grau de felicidade maior a frustração com o fato do mesmo não ser eterno, acrescido da terrível constatação que sua simples repetição seria apenas uma farsa.

 

               Assim nos parece claro que estamos a definir mal o que é a tal felicidade, deixamos em verdade que nos envolva a busca do novo como meta de felicidade e não a continua vivencia do presente, o simples fato de envolver-se por inteiro é o que contém a essência de tudo, a vida.

 

               Por mais curioso que pareça condenados que somos á felicidade, nos rebelamos constantemente contra essa sentença, ora olhando para trás em vidas já vividas ora buscando num imaginado futuro vidas a viver, quando toda nossa realização está no eterno hoje.

 

               Não somos uma super produção que tem que a cada frame ter milhares de efeitos especiais, mas somos sim o todo do universo em cada pedaço do inexistente tempo, mais que tudo não há roteiro no nosso viver, não há texto a decorar, não há cena a representar.

 

               Tal qual o bico da águia no fígado do Prometeu, morremos e renascemos em cada instante o que permite sermos únicos sempre e assim o seremos até que a morte nos separe e nos transforme na vida que é o universo.

 

               Somos sim sempre tudo em nós mesmos e inseparável parte do todo universal, a contraditória identidade única, mas parte de algo muito maior,  é sim nossa continuada opção de viver o presente o que realmente constitui o todo e o faz caminhar.

domingo, 11 de junho de 2023

Fantasiosa Inteligência Artificial.

 

               Não sabemos viver fora da bolha de ilusão, fantasiamos a vida tratando como novo algo que sempre esteve presente no nosso dia a dia, nada mais fazemos do que retemperar o prato de ontem para vende-lo por um preço melhor, então o xodó hoje é inteligência artificial, a mover a roda do consumo.

 

               Desde que me conheço no mundo de TI, tratamos de uma mesma coisa processar muita informação rapidamente usando apenas dois segredos, o loop (laço) e o IF (escolha), o que agregamos é muita tecnologia o que aumenta em muito a velocidade de processamento e a quantidade de informações que podemos armazenar.

 

               Certamente estamos muito longe dos complexos circuitos do celebro humano, sua capacidade de processar os sentidos com herança genética e memórias constantemente reescritas em novas versões com uma velocidade de processamento incrível é ainda um mistério a ser decifrado.

 

               Fica muito fácil exemplificar, só precisamos movermos nosso olhar para os famosos jogadores de xadrez eletrônicos, cujo segredo é tão simples, guarda milhares partidas das quais conhece cada situação do tabuleiro, e principalmente conhece os resultados, logo com velocidade de processamento pode pesquisá-las e ver quais são os movimentos já feitos das peças com maior possibilidade de vitória.

 

               Mas vender o velho maquiado por novo é a própria definição do estado atual da humanidade, precisa enxergar diferente para satisfazer o desejo de consumo, vírus pacientemente injetado em cada um de nós durante o viver percorrido desde o nosso nascimento até a morte.

 

               Sempre que colocamos a criação de novidades como resposta ao desejo artificialmente administrado, estamos apenas servindo ao tirano do consumo e muito pouco agregando ao prazer e a felicidade humana.

 

               O defeito não está na obra, mas sim na concepção da mesma, enquanto não orientarmos nossas descobertas para encontrar uma sociedade mais integrada, solidaria e feliz, continuaremos a viver o mundo da fantasia e da ilusão.

 

               Como quebrar esta cadeia que nos aprisiona e escraviza é o desafio do presente, não somos uma sociedade sadia e urge buscar sua cura para mudarmos nosso status para saudáveis humanos felizes.                  

domingo, 2 de abril de 2023

Talvez

               Não são nem os deuses, nem os homens que determinam nossos planos, simplesmente o acaso é que os administra, tanto faz se é na primeira ou na quarta, ou ainda na sétima dezena de nossa vida.

 

               O que não nos impede de planejar, mesmo no dia anterior de nossa morte estamos cheios de ótimas ideias sobre a nossa vida, o que não implica em sua possibilidade de executa-las, não que isto faça alguma diferença, pois ideias são apenas isto ideias.

 

               Do que estamos falando? Da certeza de existir pelo menos dois mundos paralelos, o da nossa existência e o das milhões de histórias que construímos no mudo da nossa imaginação, casar estes dois mundos é uma completa impossibilidade.

 

               Sim a vida sempre nos abraça pelo acaso, enquanto as ideias navegam no espaço das irrealidades, ou seja, para estas últimas tudo é a soma de todas as potencialidades, mesmo que em nós e em ninguém elas existam.

 

               A questão entre optar pelo acaso, que é a vida, e o infinito eterno, que é o mundo das ideias, é uma falsa alterativa, pois está complemente afastada das nossas possibilidades, então o que nos resta?

 

               Tão somente assumir nossa maiúscula possibilidade de rendidos á inevitabilidade da morte e dos ainda piores incidentes que nos incapacitam para vida plena, a desafiarmos constantemente com o irreal mundo de nossas ideias.

 

               Óbvio que quando o chamamos de irreal, estamos abrindo mão da nossa múltipla existência, mais do que isso estamos renegando nossa humanidade, nossa questão básica que é sermos muitos em um só.

 

               Talvez você esteja se perguntando onde quero chegar? Não quero chegar a lugar nenhum, quero deixar claro que nossa importância se resume ao momento de nosso pensamento, o resto é tão somente acaso.

 

               Todas as nossas vaidades estão submetidas a esta simples constatação não temos nenhum controle sobre nossa existência, o que não permite a nós abrirmos mão de tudo o que somos naquele ínfimo espaço de tempo onde temos certeza do nosso acontece.

 

               

               Em síntese, mesmo sendo um talvez é por certo a cada vez que o vivemos nosso melhor momento e isso é o próprio viver, em nada nos interessa como os catalogam, porque ninguém mais o viveu, e esta é nossa alegria e nossa gloria, não julgamento que o possa aprovar ou reprovar, é nosso e perfeito.